Pierre odiava demonstrar, mas estava exausto das aulas daquele dia e ainda era segunda-feira. Ele tinha três aulas, duas pela manhã e uma na segunda parte da tarde, quebrando toda sua concentração. Muitos diriam que seria bom ter um intervalo maior entre as aulas, no entanto, era bem pior.
A boa notícia era que seus panfletos tinham feito algum sucesso, recebendo três candidatos logo cedo. Olhando pelo lado positivo de ter um tempo livre era que poderia conversar com pelo menos dois deles, verificando se seriam qualificados com as suas demandas — ele duvidava, mas não recusaria qualquer chance.
O primeiro, um jovem adulto um pouco mais velho que o próprio, precisava de um lugar para ficar durante o último semestre dele. John, um formando de arquitetura, pareceu ser bem organizado, sabendo respeitar os limites do outro — tão quieto quanto Pierre, o que não seria nenhum problema. Contudo, essa questão de ficar apenas até a formatura o complicava, pois teria que buscar outro colega de quarto em menos tempo do que esperava.
O segundo, Vincent, era mais novo — começando os estudos agora — e bastante tagarela, tendo a cara de um festeiro de carteirinha. Pelas perguntas que fez, mostrou-se bastante relaxado com suas coisas e Renaud soube que ele seria um problema durante sua estadia. Descartou logo de cara, não precisando de mais dor de cabeça do que já tinha.
O terceiro ficaria para o outro dia, dando um tempo para que o moreno descansasse antes da última aula do dia, não acreditando na má sorte na qual tinha se metido ao querer dividir o apartamento com outra pessoa.
Pierre estava prestes a entrar no bloco para sua sala quando alguém tampou seus olhos por trás, causando um leve terror nele até ouvir a risada que se seguiu.
— Adivinha quem é?
O moreno ergueu as mãos para tocar nos dedos longos que lhe impossibilitava de ver, chegando nos pulsos, onde tinha algumas pulseiras. Antes que respondesse, um sopro alcançou sua orelha esquerda, dando-lhe sensações estranhas e novas. Ele então cerrou os dentes por ter sido pego de surpresa, voltando a dedilhar os dedos desconhecidos.
— É o anão de jardim que tem na casa dos meus pais — disse ironicamente, sorrindo pelo bufar do outro, dessa vez o tocando mais perto.
— Errado. — Apertou um pouco mais o dedos no rosto do Renaud. — Só vou tirar quando acertar.
Pierre trocou o peso dos pés, pensando em alguma resposta engraçada — era tudo muito novo para ele.
— Tommy! — confessou com um fio de voz, não achando nada para brincar com o outro moreno.
O maior sorriu, mesmo que Pierre não pudesse ver ainda, tirando lentamente as mãos de seus olhos. O mais velho se virou depressa, encarando-o minuciosamente, mas sem dizer nada.
— Estava com a esperança de te encontrar hoje.
Renaud o olhou confuso, preferindo esperar que ele completasse o pensamento, tirar conclusões precipitadas não era o seu estilo, no entanto, não entendeu o quis dizer.
— Marcaram uma reunião por causa do dormitório e cheguei muito cedo, pensei em matarmos esse tempo juntos.
— Tenho aula daqui quinze minutos — disse simplesmente. Ele odiava chegar atrasado ou perder qualquer aula que fosse, mas ali, olhando os olhos grandes e pidões do ex-aluno de reforço o dava sentimentos contraditórios.
Leroy fez um biquinho, escondendo as mãos nos bolsos da calça, totalmente sem jeito. Queria poder passar mais tempo com Pierre desde que o reencontrara dias atrás, contudo, por ainda não estudar ali, ficava complicado vir todo dia para a universidade. Não era novidade para ninguém que ele estava super animado para começar a universidade — não se importava que tivesse dores de cabeça nos semestres que se seguiriam.
— Tem um milkshake de café maravilhoso aqui perto — sugeriu o mais velho, vencendo a batalha interna que travava consigo mesmo, as sobrancelhas erguidas, sabendo que o maior amava qualquer coisa que tivesse a bebida mais tomada no mundo inteiro.
Thomas sorriu tão grande que pequenas linhas apareceram ao lado dos olhos, um charme totalmente dele, enquanto as pálpebras se fechavam no processo. Apesar do tamanho imenso ao qual se encontrava agora que alcançou a maioridade, ainda era um adolescente por dentro. Pierre o conhecia muito bem para saber disso e, internamente, ficou feliz por ele ter mantido sua essência.
O maior não disse mais nada com medo dele mudar de ideia, por isso, caminharam lado a lado, com o mais velho os guiando, ao que, naturalmente, uma conversa se iniciou suavemente.
Charlotte estava animada naquele início de semana, tinha achado um panfleto no meio da cafeteria universitária ao acompanhar uma amiga de sala que iria comer algo antes da aula e m*l conseguiu se segurar no lugar para compartilhar com a ruiva. Laurie riu da sua felicidade exagerada, alegando parecer uma criança que nunca tinha tido essa experiência — o que, de fato, não teve.
— Não corta o meu barato, sua chata — reclamou a morena, empurrando-a com o ombro ao que saíam do local. — Só por isso não vou te convidar para ir comigo.
Laurie fingiu uma expressão chateada, rindo logo em seguida, fazendo com Charlotte colocasse um pouco mais de força ao imitar o movimento anterior, por pouco não derrubando o salgado que segurava.
— Oh, por favor, Lottie, não faça isso comigo — choramingou falsamente, segurando o riso. — Me leva com você!
— Falsa — acusou, erguendo o queixo, emburrada.
Não se passou um segundo para que caíssem na risada, chamando a atenção daqueles que passavam por elas. Laurie intercalou as mordidas com os barulhos e olhares para a amiga, que admirava o papel colorido e chamativo. Um circo desconhecido viria para a capital, inaugurar o seu novo estilo de espetáculo — unicamente mágico, sem uso ou a***o de qualquer animal —, com direito a brinquedos e algumas relíquias do passado.
Seria a primeira vez que conheceria tal espetáculo e com a maior sorte do mundo, legalmente aprovado. Tinha que convencer a ruiva a ir consigo ou iria sozinha, sem problema algum. Sua ansiedade quase conseguiu vencer para mandar várias mensagens para Lou, porém, controlou-se, a aula acalmando-a com seu conteúdo meramente interessante naquele momento.
Mas para sua sorte, esbarrou na melhor amiga no meio do caminho para o dormitório, dando um abraço de urso surpresa nela, tão forte que caíram no chão.
— Sua louca! — gritou Louise, limpando a sujeira do joelho. — Quer me m***r do coração?
— Senti sua falta — admitiu, sorrindo estranhamente, sendo muito suspeito para a ruiva.
— Diz logo o que quer, Lottie, estou mega chateada no momento.
A morena recuou um passo, querendo olhar seu rosto e tentar descobrir o que tinha errado, sua animação indo pelo ralo com essa informação. As safiras a observaram com uma preocupação absurda.
— O que aconteceu, mon amour? — perguntou finalmente, posicionando suas mãos em cada ombro da ruiva, pronta para abraçá-la em busca de confortá-la.
— Só quero ir para cara — disse cabisbaixa, evitando encarar a amiga.
Charlotte assentiu ao pedido, seguindo-a de perto até a casa, sabendo respeitar o seu espaço. O silêncio que as acompanhou só deixou a morena mais apreensiva e preocupada. Depois da saga que foi visitar a irmã doente da ruiva, ela tinha aprendido a entender melhor a amiga e como ajudá-la em qualquer momento. Então a morena respirou fundo e, calmamente, alcançou a mão livre que Louise balançava ao caminhar, apertando gentilmente como forma de aviso de que estava ali para ela.
Lottie não viu, mas a Fontaine sorriu minimamente com o gesto, o coração aquecendo pelo conforto que sempre recebia da melhor amiga.
Foi só após o banho relaxante e demorado que Louise buscou a atenção da morena, chamando-a com um assovio que inventaram para se comunicar caso se perdessem em um lugar público — o que nunca tinha acontecido, usando para outras coisas.
Charlotte sentou na pontinha do braço do sofá, acanhada, fazendo a ruiva rir da fofura que era a amiga. Às vezes, Louise achava que não merecia a preciosidade que tinha bem a sua frente, no entanto, a morena logo a lembrava do motivo de estarem juntas.
— Desculpa por antes, ma bichette — pediu, buscando seu olhar, precisava ter essa conexão para que ela soubesse que estava falando sério.
Lottie negou com a cabeça suavemente, como se dissesse que não tinha problema, estava ali para o que precisasse, no tempo que fosse.
— É besteira, na verdade. Me sinto uma i****a por ter reagido dessa forma com tão pouco.
— Tenho certeza qu-
— Nota baixa naquele trabalho que passei dias pesquisando e fazendo o impossível para ser perfeito. — Ela bufou, negando com a cabeça. — Uma dedicação inútil.
Charlotte a encarou por cinco segundos antes de se jogar nela, colocando os braços em volta do seu pescoço, sentando-se no colo dela.
— Nunca repita isso — a morena disse seriamente perto do seu ouvido, pela posição em que estavam.
— O quê?
— Que qualquer esforço seu é inútil. Você é a mulher mais incrível que conheci na minha vida e não é porque um professor avaliou menos do que a gente esperava que temos que nos desmerecer.
Louise sorriu minimamente, apertando o abraço aconchegante. A raiva que sentia pelo ocorrido não iria embora tão rápido ou facilmente, mas ter o apoio da melhor amiga ajudava bastante. E era diferente do que recebia da família — era quase obrigação que eles fizessem isso, não sendo o caso, porém, vindo de uma pessoa querida, tinha uma outra conotação.
— Já disse que te amo hoje? — a ruiva questionou, afastando os rostos para que ela visse seu sorriso verdadeiro.
— Tem uns dias que não escuto, para ser sincera... — reclamou, fazendo drama. — Mas pode falar de novo.
— Nem um pouco convencida, ma bichette? — Louise bagunçou o cabelo da morena, começando a rir com ela.
Elas se abraçaram de novo, cada uma agradecendo por ter uma pessoa tão maravilhosa ao lado. Não tinha como negar que eram o anjo da guarda uma da outra, sempre se protegendo. Era algo de se admirar, nem todo mundo tinha alguém assim para experienciar a vida difícil, na maioria dos dias.
— Também te amo, Izzie.
No dia anterior, Charlotte perdeu a oportunidade de comentar sobre o circo, com a amiga chateada foi o que menos se lembrou no momento. Agora, observando a ruiva se arrumar para a primeira aula do dia, um sorriso brincava em seus lábios, distraindo Louise do que fazia.
— Essa roupa está estranha? — Apontou para o seu reflexo no espelho com a cabeça, virando algumas vezes de um lado para o outro.
Lottie pendeu a cabeça, analisando seriamente o conjunto. A Fontaine a encarou com uma expressão brava, sabendo que ela estava a pirraçando de propósito e mesmo assim continuou trocando de pose, para um segundo depois jogar a toalha molhada que tinha perto nela. A morena gargalhou, devolvendo com uma almofada bem na barriga dela.
— Onde vai tão arrumada assim? — perguntou, deitando de costas na cama, erguendo os braços e pernas. — É o encontro desta semana?
— Não, ainda não pensei em um lugar específico, mas vai que acontece, né? Preciso estar bonita.
Charlotte bufou, descendo os membros para levantar, andando até o seu lado. Ela tocou nos cachos perfeitamente feitos, subindo os dedos para suas bochechas, apertando-as.
— Você não precisa disso, já linda naturalmente.
Seus olhos estavam fixos um no outro, a ruiva sentindo seu rosto queimar pelo elogio, porém, sorrindo verdadeiramente pelas palavras sinceras da melhor amiga. Louise fugiu por alguns segundos do seu olhar penetrante, não sabendo o que responder.
— Ainda mais vermelha assim. — Lottie riu do constrangimento da Fontaine, achando-a fofa.
Louise empurrou fraco a morena pelos ombros, escondendo o rosto totalmente sem graça, no entanto, puxou-a para um abraço apertado, agradecendo silenciosamente por aquele momento.
— Queria poder dizer o mesmo sobre você — retrucou a ruiva, imaginando a careta que a amiga fazia naquele exato momento.
— Só por isso não vou te convidar para o programa perfeito que encontrei — disse rancorosa, saindo do abraço, um biquinho infantil desenhado em seus lábios.
Charlotte saiu do quarto saltitando, não esperando nenhuma resposta da melhor amiga, sabendo que ela a seguiria daqui a pouco. Ao chegar na cozinha, preparou um copo com leite quente, pronta para provar os croissants da nova padaria que abriu a pouco tempo, nunca tendo a oportunidade de verificar se eram bons ou não.
Louise apareceu do outro lado da bancada, olhando-a com a sobrancelha erguida em um questionamento mudo. A ruiva a conhecia o suficiente para saber que não conseguiria guardar o plano que tinha pensado — Charlotte era praticamente um livro aberto para si, por mais que tivesse dificuldades de demonstrar ou falar sobre certos assuntos.
— Muito bom, viu? — Mostrou o que comia, a boca mexendo conforme mastigava. — Vou viver lá comprando essas beldades, tanto que precisarei começar a malhar.
Um sorriso maroto permanecia em seu rosto, morrendo por dentro para contar e chamar a melhor amiga para ir consigo no seu tão sonhado circo que acabara chegar na cidade. Por que era tão difícil manter um segredo que não um? Louise apoiou os cotovelos no mármore, esperando.
— Fine! — A morena desistiu, largando o copo e o croissant na pia, chegando mais perto da ruiva, como se fosse contar um segredo, sua língua materna tomando espaço. — Um novo e inovador circo chegou à Paris e pensei em irmos conhecer, porque, você sabe, né? Nunca fui em um e seria divertido...
A Fontaine fez uma expressão confusa, não entendo muito bem o que ela estava dizendo e Charlotte percebeu, parando de falar e rindo com sua afobação. Ela respirou fundo duas vezes antes de explicar com calma para a ruiva, desejando em seu íntimo que ela aceitasse.
— Eles não maltratam os animais? — indagou, uma sobrancelha erguida em descrença. — Tem certeza?
A Roux assentiu freneticamente, a felicidade de uma criança exalando por todos os seus poros. Louise suspeitava que estavam a meros segundos da melhor amiga sair pulando pela casa inteira com a sua resposta, não tinha como negar um convite como esse, tinha?
— Que dia iremos?
Charlotte gritou, subindo a parte superior do corpo para abraçar a ruiva do outro lado da bancada, gargalhando e soltando as frases mais aleatórias que poderiam ser ditas em tal estado. Lou não se arrependeria da experiência, querendo voltar nos dias seguintes junto a ela.
Ficou combinado que iriam na quinta depois das aulas do dia, era o mais tranquilo da semana, tendo apenas uma matéria. Porém, acordaram que seria perfeito para concluírem a segunda tarefa do desafio, por isso, convidaram Pierre para ir junto. O moreno concordou de bom grado, não era como se ele pudesse recusar os desafios — sorte a dele que elas tinham bom senso e pensavam em encontros legais.
O moreno também nunca tinha ido em qualquer circo quando criança, menos ainda por meio da escola — o mesmo caso da Charlotte —, no entanto, ele não estava nem um por cento tão animado quanto a Roux, tranquilidade lhe definia, como sempre. Quer dizer, estava feliz pela oportunidade de uma noite divertida com as amigas, mas sua forma de demonstrar era sutil.
A morena saltitava ao invés de caminhar, cantarolando suas músicas preferidas, pelos corredores dos blocos, sorrindo para estranhos, conhecidos e os mais íntimos. Louise ria sempre que olhavam torto para a amiga ou saíam comentando aos sussurros com seus amigos — eram momentos como esse que a ruiva se sentia sortuda por ter alguém tão divertido em sua vida. Não era todo mundo que se divertia com as pequenas coisas da vida e Fontaine aprendeu a seguir esse fluxo com Lottie, que via o lado positivo em noventa e cinco por cento das coisas.
Quando a quinta chegou e as aulas acabaram, Charlotte passou horas em frente ao espelho tentando achar a roupa perfeita para o evento — ela não sabia que tipo de outfit eles usavam. Foi só quando Louise a ajudou, escolhendo algo simples e ainda assim bonito, que a morena aquietou. Era óbvio que estava nervosa, não sabendo bem o que esperar e, por alguns minutos, sentiu uma pequena ansiedade lhe consumir.
Não era normal que se sentisse assim, sendo animada, divertida e segura com o mundo, porém, questões familiares entravam no meio. Mesmo bem longe da sua mãe, ela conseguia lhe perturbar com os momentos em que mais deveria aproveitar. A Fontaine percebeu a mudança de humor, ficando preocupada com a mais nova. Então a abraçou fortemente, trazendo-a para seu colo gentilmente, acariciando seus fios sedosos.
Charlotte fechou os olhos, aproveitando o carinho e, ao ouvir os batimentos do coração da melhor amiga, focou no barulho sutil que ecoava para se acalmar. Não demorou muito para que conseguisse, no entanto, continuaram naquele conforto por mais algum tempo. Palavras não eram necessárias, os corpos falavam por si só, trazendo uma paz que só conheciam quando estavam juntas.
— Não acredito! — Lottie gritou, com as mãos no coração acelerado com o que via.
O trio tinha acabado de chegar ao local, as luzes piscavam por toda parte, cores vivas em todas as barracas e brinquedos que constituíam o circo. O espetáculo começaria dali uma hora e meia, então podiam aproveitar as outras atrações. Compraram os ingressos para que pudessem usufruir de tudo e estavam prontos para a maior diversão de suas vidas.
Aquele encontro seria um pouco diferente dos outros, onde teriam que fazer sozinhas com Pierre, apesar de ser o segundo, não era proibido nem nada. O moreno se sentia à vontade com elas, aproveitando cada oportunidade e interação para aprender um pouco sobre si mesmo, além delas. Em coração, tinha plena certeza que seria uma experiência marcante em muitos sentidos, mas não como algo r**m ou prejudicial.
As amigas passaram longe da roda gigante, tendo um pouco de medo de altura e ficarem presas por minutos não era o ideal. O Renaud não insistiu, tendo certa aversão também, preferindo os mais tranquilos. Por essa razão, procuraram os menos cheios e ainda assim divertidos — o estande de patinhos foi o primeiro, Louise não conseguiu acertar, porém, Charlotte e Pierre compensaram ganhando por ela.
Agora, a ruiva caminhava com um pinguim bem grande debaixo do braço, a morena tinha um leão pequeno e todo roxo nas mãos e Renaud carregava um coração todo brilhante, que mudava de cor quando o acariciava — sendo um presente da Roux, já que ele tinha dado o seu para a Louise. Eles tinham sorrisos nos rosto, criticando o moço da banca, certos de que ele dificultava as coisas.
O próximo destino foi a barca do pirata, onde criaram coragem para enfrentar seus medos aos poucos. O moreno ficou no meio, na penúltima fileira — a mais distante do meio. O frio que abraçou a boca do estômago de cada um foi o diferencial naquele brinquedo. Charlotte e Lou se agarraram em cada braço do Pierre, gritando forte cada vez que o lado onde estavam subiam, cada vez mais alto. Eles não sabiam como não tinham perdido as pelúcias, mas estavam lá — e inteiros — quando saíram, as pernas tremendo, no entanto, o sorriso cada vez maior.
Não deixaram de ir em nenhum outro brinquedo ou banca — menos aquele —, tirando proveito de completamente tudo e ainda tinha o show de mágica, contudo, era o que menos pensavam. Na montanha russa, tiveram que ir duas vezes, uma vez ao lado do moreno cada uma, o que não acharam nada r**m, querendo mais quinze oportunidades de irem. O minhocão, o disco dance e a roda samba também pediram bis, suas cabeças rodando como nunca, mas sem pedir para sair em nenhuma delas — a diversão era tão boa, que, mesmo Louise que já tinha conhecido um circo antes, não queria sair dali nunca.
As barraquinhas de comida foi deixadas para depois, antes de irem embora — não seria nada vantajoso se fizessem isso agora. Contudo, era cada cheiro maravilhoso e tentador, ficando difícil resistir ao impulso de experimentarem.
Quando começaram a chamar para o show, a multidão se juntou para seguir o caminho para a entrada da maior barraca do circo. Eles caminharam com passos curtos para não esbarrarem em ninguém, rindo e conversando aleatoriedades, no entanto, Charlotte parou de repente, ficando para trás. Assim que Louise e Pierre notaram sua falta, buscaram pela morena com os olhos antes de andarem até ela, que olhava fixamente para algo.
— O que aconteceu? — a ruiva questionou, tocando-a no ombro, achando que tinha alguma coisa errada, como mais cedo.
— Está tudo bem, Lottie? — Renaud se pronunciou, também ficando preocupado.
Contudo, o sorriso que a Roux mantinha em seus lábios dizia o contrário, seus olhos brilhando em expectativa. Os outros dois seguiram seu olhar, visualizando a relíquia mais preciosa de todos os tempos — uma photobooth intacta e em perfeito estado quase que escondida. Charlotte se virou para eles, alargando ainda mais os cantos da boca em um convite mudo.
Os três concordaram simultaneamente, correndo até a cabine iluminada, ajeitando-se como dava no espaço pequeno — mas sem reclamarem em nenhum momento. Aquela experiência estava realmente acontecendo, agora não era somente o desejo que via nos filmes — a recordação daquele dia, do encontro ficaria para sempre guardada.
A primeira sessão foi com caretas, a pedido da morena — os olhos vesgos, a língua para fora e as mãos apertando a bochecha. A segunda foi mais séria, como se estivessem tirando foto para a identidade — queixos para cima, ombros para trás e barriga para dentro, em homenagem ao querido Pierre. A terceira foi uma mistura entre as anteriores, saindo realmente uma junção de diversão e seriedade. No entanto, na última, eles m*l perceberam que tinham apertado o botão, deixando tudo muito espontâneo — as duas pensaram a mesma coisa quando se penduraram no pescoço do moreno, os sorrisos do trio sendo genuinamente os mais felizes.
A mágica aconteceu antes mesmo deles entrarem na grande barraca do show, na verdade, a noite inteira tinha sido magia pura. Os três criavam um laço a cada segundo que passava, sendo tão natural quanto pudesse ser, a felicidade de estarem juntos compartilhando momentos incríveis como nunca imaginaram antes. Independente do acontece no final do desafio, seria muito difícil perderem o que conquistaram.