VII

1101 Words
O estandarte do Reino de Caerwyn surgiu no horizonte como uma mancha dourada contra o céu cinzento. Leões bordados em vermelho profundo tremulavam ao vento símbolo de um reino rico, antigo e perigosamente orgulhoso. Caerwyn não pedia alianças. Exigia. No grande salão do Castelo MacAllister, o emissário real aguardava, acompanhado por guardas com armaduras polidas demais para tempos de guerra. Ewan entrou sem cerimônia. — Fale — disse, sentando-se. O emissário pigarreou, claramente desconfortável por não receber honras. — Trago palavras do rei Edric III de Caerwyn. — Endireitou-se. — Sua Majestade propõe uma aliança formal… selada por laços matrimoniais como garantia de poder e sangue. Um gesto trouxe à frente um pequeno retrato pintado em madeira: uma jovem de traços delicados, cabelos claros e olhar treinado para parecer dócil. — A princesa Elowen, filha mais nova do rei Edric. Um casamento que uniria exércitos, rotas comerciais e sangue real. O salão murmurou. Duncan lançou um olhar rápido para Ewan. Aquela aliança significaria segurança imediata. Ewan observou o retrato por apenas um segundo. — Não. A palavra caiu seca. O emissário piscou, confuso. — Meu senhor… talvez deseje ouvir os termos completos. — Já ouvi o suficiente.Caerwyn pode dobrar o número de seus homens. Garantir fronteiras estáveis. Ouro. —Ewan inclinou a cabeça levemente. — E exigir obediência disfarçada de parentesco. O emissário apertou os lábios. — O rei Edric não está acostumado a recusas. Ewan ergueu o olhar, frio como o aço. — Então aprenderá. Dias depois, em Caerwyn, a resposta chegou. O rei Edric quebrou o selo com violência. — Ele recusou? — Sim, meu rei. Sem negociar. Edric riu um riso curto, ofendido. — Um príncipe de montanhas frias acha que pode rejeitar minha filha como se fosse um acordo menor? Ele se levantou, caminhando pelo salão. — Não é o casamento que ele rejeitou. — Seus olhos escureceram. — Foi minha autoridade. O conselheiro tentou intervir. — Talvez ele tema perder autonomia— — Ninguém teme Caerwyn e permanece de pé, — interrompeu Edric. Ele se virou para os mapas. — Se não aceita nossa mão… conhecerá nosso punho. A Resposta de Ewan A notícia da reação de Caerwyn chegou rápido. O conselho voltou a se reunir, tenso. — Você insultou um reino poderoso — disse Seumas, cauteloso. — Um casamento poderia evitar uma guerra. Ewan permaneceu em pé, observando o mapa. — Uma guerra evitada por submissão não é paz. — E se ele atacar? — Ele atacará de qualquer forma. — Ewan virou-se. — Reis como Edric não esquecem recusas. Apenas aguardam fraqueza. Duncan cruzou os braços. — Então por que dar a ele um motivo agora? Ewan respondeu sem emoção: — Porque eu prefiro escolher o campo de batalha. Silêncio. — Caerwyn luta com números — continuou. — Nós lutamos com terreno, tempo e mente.Eles marcham como império. Nós mordemos como lobos.— Ele apontou as rotas de suprimento. — Quando Edric vier, não virá como aliado rejeitado. Virá como homem ferido no orgulho. Levantou o olhar. — E homens feridos no orgulho cometem erros. A Promessa de Vingança Naquela noite, um mensageiro retornou de Caerwyn com uma última mensagem, curta e selada com cera vermelha. Você recusou minha filha. Eu recusarei sua paz. — Edric III Ewan leu a mensagem uma única vez. Depois a entregou à chama da lareira. — Preparem os homens — disse calmamente. — O inverno será longo. Do lado de fora, o vento uivava entre as montanhas, como resposta. O lobo havia escolhido ficar sozinho. E o reino ao lado acabara de jurar caçá-lo. O Castelo de Caerwyn despertou em ritmo de guerra. Os pátios, antes ocupados por mercadores e músicos, agora ecoavam com o choque de lanças e o trotar de cavalos. Bandeiras vermelhas com o leão dourado foram erguidas em todas as torres um aviso claro aos reinos vizinhos. O rei Edric III observava tudo do alto da muralha, mãos cruzadas atrás do manto pesado. — Ele pensa que me ofendeu e seguirá impune — disse, a voz baixa, carregada de desprezo. — Um príncipe de pedras e neblina. O general Rowan Hale, homem experiente, aproximou-se com mapas. — Os MacAllister lutam de forma irregular. Emboscadas. Terreno difícil. Edric não desviou o olhar. — Terreno pode ser conquistado. Irregularidade se quebra com números. Ele virou-se para os mapas. — Marcharemos pelo vale de Ardenfall. É largo. Bom para formação pesada. Tomaremos as vilas uma a uma, forçando Ewan a descer das montanhas. Rowan hesitou. — Ardenfall favorece avanço rápido… mas alonga nossas linhas de suprimento. Edric sorriu, confiante. — Tenho ouro suficiente para alimentar um exército duas vezes maior que o dele por um ano inteiro. Apontou para o mapa do norte. — Ewan luta como predador. Eu lutarei como império. Mensageiros partiram em todas as direções. Caerwyn convocou: Quatro mil homens de infantaria pesada, Mil cavaleiros blindados, Companhias de arqueiros mercenários, vindos do sul, e engenheiros de cerco, algo raro nas guerras das Terras Altas. Forjas trabalharam dia e noite. Novas armaduras reluziam, espadas eram abençoadas por sacerdotes. — Que vejam nosso poder antes mesmo da batalha — ordenou Edric. Ele queria vencer antes de lutar. Em um salão privado, Edric encontrou-se com a filha, Elowen. Ela inclinou a cabeça, obediente. — Ouvi dizer que ele recusou — disse ela, cautelosa. Edric estreitou os olhos. — Ele não recusou você. Recusou Caerwyn. — Talvez ele tema— — Não temo homens que se escondem atrás de pedras — interrompeu o rei. — Ele aprenderá o valor de uma coroa quando suas muralhas caírem. Elowen observou o pai por um instante mais longo do que o permitido, mas não disse nada. Rowan voltou a insistir. — Devemos avançar lentamente. Garantir suprimentos. Ewan é conhecido por atacar retaguardas. Edric ergueu a mão. — Se avançarmos lentamente, pareceremos cautelosos. — Ele caminhou pelo salão. — Quero que ele veja meu exército chegando como uma tempestade. — E se ele não vier enfrentá-lo? Edric sorriu. — Então queimaremos suas vilas até que ele seja forçado a descer. A decisão foi tomada. Quando o exército de Caerwyn finalmente marchou, o chão tremeu sob o peso das botas e cascos. Um rio de aço, estandartes ao vento, avançando confiante rumo às montanhas. Edric montava à frente, armadura ornamentada, convicto de que estava prestes a esmagar um príncipe arrogante. Ele não sabia ainda que Ewan já conhecia cada rota, cada desfiladeiro, cada ponto fraco daquela marcha. O leão avançava rugindo. Sem perceber que entrava no território do lobo. Ewan MacAllister não se preparava para deter um exército. Ele se preparava para desmontá-lo
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