A manhã nasceu fria, mas clara. Quando deixaram os aposentos reais, o castelo já estava desperto. Criados cruzavam os corredores, soldados trocavam turnos, o dia seguia seu curso rígido como sempre seguira sob o reinado do Lobo. O desjejum foi silencioso, porém diferente. Não havia gelo. Também não havia palavras demais. Ewan observava Rowena com atenção aberta, sem se esconder. Ela percebeu. Fingiu não perceber. Quando terminaram, ele foi o primeiro a se levantar. Os conselheiros ainda estavam à mesa. Criados aguardavam ordens. O salão parecia conter a respiração. Então Ewan fez algo que ninguém ali jamais vira. Ele caminhou até Rowena. Sem pressa. Sem dureza. Parou diante dela e, num gesto calmo, ofereceu o braço. — Caminhe comigo — disse, a voz firme, mas sem o peso da orde

