Capítulo 33. A Vida dos Outros...

1026 Words
Al Tahoe, South Lake Tahoe, CA — Estou me separando... Vou voltar para minha casa. — Van falava enquanto eu dirigia. — A filha da putä sumiu... — Confesso que senti pena ao ouvi-lo. Para o meu azar, o parceiro do dia era o Van. — Sumiu... como? — Olhei-lhe de soslaio. — Sumiu! — arfou. — Notifiquei. Está foragida por tentar matar o pequeno. Ele está em casa. Consegui uma babá... Meu pai está voltando da Alemanha. — Sinto muito por isso. — Obrigado pela ajuda, Levi. Apesar do meu incômodo, foi um dia de trabalho tranquilo. Pouco conversamos, eu ainda não estava confortável com isso, mas ele era extrovertido demais. Sempre foi o mais comunicativo de nós dois — mesmo com isso, ainda se conteve bastante e isso ficou bem claro. Não tivemos mais atrito e isso foi bom. Consegui solicitar a colaboração do perito na operação que tinha em mente. Seria um pouco extraoficial e ele não se incomodou com a ideia. O major ainda seria comunicado, mas apenas no momento certo. O objetivo não era resgatar um colega, mas resgatar um civil — e o perito parecia ser como eu. Isso facilitou o contato. Com sua ajuda pronta, eu só precisaria me encontrar com Natasha para estipularmos nossa linha de ação no resgate. Saindo do trabalho à noite, havia um burburinho pelo caminho até a garagem e Natasha estava sentada no capô do meu carro — causando os cochichos. Vestida no catsuit, fumava seu cigarro de pernas cruzadas. Ao me aproximar, eu apenas tirei seu cigarro para apagar, apontando a placa que avisava “Não fume”. — Nossa, senhor certinho! — Ela revirou os olhos. — Vamos! — Estendi-lhe a mão para ajudá-la a descer. — Veio sem moto hoje? — perguntei. Ela aceitou a ajuda e desceu. — Sim, preciso de carona — riu. Assenti com a cabeça, rindo. Passei na lixeira para jogar os restos de seu cigarro, ignorando as reclamações que ela fazia, e lhe abri a porta do carro. — Poderia fingir que se importa com a lei — falei ao entrar no carro. — Como estamos com o mapa? — Na minha casa. Consegui expandi-lo um pouco com algumas poucas informações que comprei hoje — falou, me olhando. — Pode deixar. Não fumo mais aqui. — Obrigado! — Dei partida para seguirmos. — Como foi o dia? — Razoável. Van fala muito, foi meu parceiro por hoje — dei de ombros. — Lindsay sumiu no mapa... Deixou ele e o garoto... Está foragida. — Eita! — Ela gargalhou. — Que mulher maluca. — Pois é... Falei com o contato no DP. Vamos observar pela semana e, com fé, a operação vai longe! — Ela precisará de proteção, já pensou nisso? — Sim — assenti com a cabeça. — Há uma guerra de influência em curso. Publicizar o caso é muito perigoso, mas também muito favorável... — N-não está pensando em- — A idade da vítima colabora para um maior sigilo no caso até a segunda ordem. Precisamos da ajuda do seu cliente para fazer isso acontecer. Programa de proteção à testemunha deve bastar... — Tsc, você está louco! — Ela riu. — Não. Com uma vítima surgindo, provavelmente vamos nos mover para termos agentes. O contato pode levar a notícia ao major, aumentando essas chances... — Hmm... Vocês vão se expor demais... não!? — Duvido. Nem eu sei quem é agente infiltrado aqui e quem não é — dei de ombros. — Falando não só dos meus homens, mas de homens corruptos também. — Estamos no escuro, mas o cenário não é ruim... — Soou pensativa. — Entendo. Vale a pena o risco. Se incomodaria de encontrar o meu cliente? — Não tenho problemas... Só mantenha, por favor, a discrição quanto ao meu trabalho no Exército. Sou apenas um policial californiano... — De boa... — Ela deu de ombros. A viagem até seu apartamento foi tranquila. Na sala, o mapa estava estendido na mesa de centro. A cartolina ocupava toda a superfície da mesa. — Infelizmente, não consegui nada concreto quanto ao suposto subsolo, mas comprei tudo que pude sobre a instalação e tudo está aí. — Ela falou. Segui ao mapa para observá-lo. Era um ambiente extenso. O térreo tinha a diversão pública, mais casual: uma boate entre dois clubes de strippers. — Por que delinear diferentemente? — Eu a olhei, apontando a linha pontilhada que ela colocou para dividir a boate de ambos os ambientes. — A boate é separada desses dois ambientes por um vidro grosso. Até onde sei, essa parede se retrai. — Ela apontou para baixo. — Desce. O que acaba reiterando a ideia de haver um subsolo sendo usado. — Já lidou com o lugar aberto? — Fui numa social fechada há um tempo e as paredes não estavam de pé, sabe essas orgias bem doidas de rico? — sorriu de canto de boca. — Foi fodä! — Foco, ruiva! — ri, apontando ao mapa. Ela acabou rindo, mas se ajoelhou ao meu lado. Apontou os elevadores e passou a primeira cartolina ao lado para eu ver a segunda parte do mapa que exibia os quartos dos dois andares superiores. — Cuidei de separar também o estacionamento. — Ela mostrou a terceira cartolina. — Também é o primeiro andar, às costas do edifício. — Por que separou? — Vi esquisitices no estacionamento quando investiguei. Tem quatro elevadores, incluindo um enorme elevador de carga. — Ela apontou no mapa, mais perto da saída. — O ambiente é proposto para receber caminhões bem grandes. O teto é muito alto. — Se chega mercadoria viva... — Se recebem dessa forma, é num ponto fácil de se ver. Claro, fácil num sentido bem figurado — riu. — Às costas, não tem nada... — Peguei o telefone para checar o mapa e, dali ao sinal de vida mais próximo, era um quilômetro de mato e água. — Um bom ponto para fazer merda... — Sem dúvida. — Respirei fundo, meneando a cabeça. — Enfim, isso ajudou. Já sei o que fazer e como vou entrar. Só precisa me ajudar a sair.
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