Capítulo 31. Más Heranças

1055 Words
Bijou, South Lake Tahoe, CA — Não pode se deixar manipular por isso — dizia a distante voz do pai. — Vou marcar uma consulta ao doutor, mas ainda precisa colaborar. Franzi o cenho, abrindo os olhos para observar onde eu estava. O pai estava sentado à beira da cama com o semblante preocupado, era o quarto onde cresci. — Vou ser o melhor amigo que eu puder, se você deixar. Alguns assuntos vão incomodar, mas eu gostaria que conseguisse superar o incômodo para falar comigo. — E-eu... não queria.. ela- Os olhos lacrimejaram e eu fitei minha mão. — Foi muito forte! — Respirei fundo. Segurei forte na cama, sentindo o mesmo calor apavorante espalhar no corpo. Talvez eu tivesse catorze e a primeira experiência com Lindsay foi muito intensa. O pai ficou sério e me observou do jeito que eu já sabia ser para analisar — era seu jeito de invadir nossa mente, saber exatamente o que sentíamos. — Sentiu dor? — Ele cruzou os braços. Acabei levando a mão ao peito, tentando manter a respiração sob controle — inutilmente, a mera lembrança da sensação já me fazia sentir ofegante. O coração já ficava sobrecarregado, como eu não sabia ser possível, nem mesmo nos meus dias de exercício mais intensos — e eu pegava bem pesado! — Vocês estavam de acordo? — Ele arguiu. — S-sim... e-eu parei quando ela... pediu. — A timidez parecia que me mataria primeiro. — V-voltei... e... — Essa parte eu já sei! — Ele riu. — Foi só uma primeira experiência, pode ser que não se assemelhe daqui para frente, mas ainda seja cauteloso. — E-eu vou... tentar. — O doutor ajudará com tudo que eu não puder, mas precisará de sua confiança. Por ora, só vou dar o conselho que mais recebi na vida: não exagere! *** Despertei com a sensação de falta de ar, apesar de me sentir calmo. Respirei fundo e olhei ao redor, era meu apartamento felizmente. Natasha estava deitada ao meu lado. Consegui me comportar pela noite e manter a sono de barriga para baixo — e isso foi a causa do incômodo ao acordar. Segui ao banho. Sonhar com o pai não era tão habitual, principalmente uma memória tão distante. Terminado o banho, eu vesti uma bermuda e fui ao espelho do banheiro. A barba não foi tão abusada no crescimento, mas aparar já era uma boa ideia. Cuidei da barba para sair à academia. Não queria pensar na noite e esse era o motivo para eu me esforçar em ocupar a cabeça. Podia ser qualquer coisa, eu só não queria lembrar. Apenas duas mulheres estavam na academia do prédio àquela hora. Sorriram e acenaram, apenas lhes sorri para ter meus quarenta minutos de exercício. Saí para comprar o café da manhã e, voltando ao apê, Natasha vestia uma das minhas blusas, estava na sala com a televisão ligada, mexendo no telefone. — Pensei que tinha me abandonado... — Ela me olhou sobre os ombros e eu apenas respirei fundo. — O café... — Foi só o que consegui falar. — Ótima ideia! — sorriu, se levantando. — Ajudo. Seguimos à cozinha e ela tomou tudo para servir a mesa enquanto eu tive pouca reação. Sentei para observá-la e ela apenas retribuiu o olhar com gentileza. — Desde sempre, eu imagino... — Ela desviou o olhar de mim para falar, sentou do outro lado da mesa após me servir. — Já teve suas consultas... talvez. — Só quando era mais novo... O pai deu a ideia e eu fui. Achei que estava doente mesmo — suspirei. — No fim, nem precisei de tanta coisa para melhorar. — Qual o diagnóstico? — Soou curiosa. — Não sei — dei de ombros. — O pai disse para eu me acautelar, tentar ter uma atividade de lazer e o médico receitou calmantes, que nunca precisei usar. — Entendo... Vou falar com seu pai depois. — Ela assentiu com a cabeça. — Como está se sentindo? Eu respirei fundo para pensar o que responder. — Ehrr... bem, eu acho. — Demorou tanto que quase dormi — riu. — Só acho que exagerei e isso me faz sentir culpa. — Desviei o olhar para a refeição. — Além de culpa, uma ansiedade para exagerar de novo... só um pouco. Engoli seco e o corpo arrepiou. Suspirei e o silêncio acabou se instaurando. Não voltei ao olhá-la enquanto comíamos para conseguir manter o foco. — Já me banhei. Quer uma carona ao trabalho? — Natasha se levantou ao terminar. — Vamos com seu carro e não me incomodo em buscar a moto a pé. — É bom... Não me sinto tão bem para dirigir — assenti com a cabeça. — Às vezes me sinto... tonto... — Odeio que vá ao trabalho! — Ela riu, meneando a cabeça enquanto deixando a cozinha. — Só me dá cinco minutos antes de ir ao seu quarto. Nem lhe respondi, apenas comecei a recolher a louça para lavar. Limpei a pouca bagunça que fizemos na mesa e isso foi mais que suficiente para ela se vestir. — Imagino que não tenha o hábito de tocar uma por aí... — Natasha parou na entrada da cozinha, cruzando os braços e me olhando. — Estou enganada? — Você tem umas dúvidas... — Acabei rindo. — Estou tentando te conhecer para te ajudar! — Não. Sempre levo os conselhos do pai muito a sério — dei de ombros. — Mesmo quando mais julguei precisar, eu ainda assim evitei a masturbaçäo. — Menino... — Ela me mediu de cima a baixo, mas agitou a cabeça para falar: — Enfim, okay... se não costuma fazer, então não vou me preocupar que fará. — Não precisa mesmo. Suporto... — sorri-lhe. Segui ao meu banho. Talvez ela ter falado seja o que me fez pensar duas vezes, mas eu consegui apenas me arrumar para encontrá-la na sala. — Já pedirei que alguém observe a aproximação do meu colega — falei enquanto descíamos. — Com sorte, esse é o ano em que a mocinha volta para casa. — Gosto do otimismo, loiro! — Natasha riu. — Não é só otimismo, mas certeza que não falharemos. Conseguiria traçar um mapa dos ambientes que conheceu? — pedi. — Claro. Eu te busco à noite e mostro. — Obrigado, ruiva.
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