Capítulo 42. Um Pingo de Honestidade

1037 Words
Bijou, South Lake Tahoe, CA Nós batemos muita perna nas primeiras horas do dia. Paramos na praia para a pequena tomar seu sorvete e ver as roupas de banho e os turistas. — Uma raridade sairmos... — Sofia falou. — Verdade — ri. — Quer uma cerveja? — Hoje pode — gargalhou. Levantei para pagar a rodada. Estávamos num banco sob um guarda-sol. Ajudava para proteger a pequena do sol — no almoço, ela já estava vermelha. — O que ‘tá rolando? — Não enrolei ao voltar. — Não sei... Por quê? — Ela se fez. — Você mente mäl! — ri. — Não sei. Só estou preocupada — deu de ombros, olhando para a menina. — Estão sendo anos agitados. — Posso não ser a pessoa mais presente do mundo, mas ainda sou amiga. Pode contar comigo. Sofia abaixou a cabeça e respirou fundo. — Acho que ele está falseando bastante. Mais do que ocorreu nos últimos anos. É bem complicado, sabe? — Recaída? — Levantei a sobrancelha. — Pois é. Tem se negado a ir ao doutor, isso me deixa apreensiva. As taxas de estresse crescem e isso não é nada bom... Nem sei o que está havendo. — Complexo... arlequina. — Bastante. Sei que Levi teve problemas, mas não sei do que se trata. Fico feliz que Lucas ajude, Matheus veio também — sorriu. — Odeio quando ele negä ajuda. — Lucas é fodä também! — arfei. — No fim, é só isso. Chloe fica agitada quando temos problemas... nem sei como! — riu. — A gente não briga ou discute, mas ela ainda sente a tensão, sei lá. — Terapia para a menina! — Eu a olhei. Estava com seu bloquinho e seu lápis enquanto observando as pessoas com atenção. Ora estava desenhando, ora estava apenas olhando tudo. — Já estamos em terapia. — Sofia riu. — Chegando na adolescência, nós já estamos observando como será a puberdade... Se for como Levi, será bem difícil. — Soube que ele teve problemas. — Alguns. Felizmente, Lucas sabia como ajudar. Apresentamos a pediatra ao doutor dele e tudo fluiu até bem. Não precisou ser ativamente medicado, nem nada. — Com ela tem a TPM, ‘né!? — brinquei. Sofia acabou gargalhando e meneando a cabeça. — A nossa puberdade ainda é bem diferente. — Pois é. Fico pensando como os meninos vão lidar quando ela arrumar um namorado. — Sofia me olhou com aquela cara hilária que só ela fazia. — Vai ser terrível e, não vou negar, se Lucas me mandar matar... eu mato! — Acabei rindo. — Tudo para tentar impedi-la de viver essa merda toda. — É tenso. Nem posso falar, eu sou uma mulher feliz e realizada, mas sei o quanto é complicado... o quanto foi complicado chegar aqui. — Tem que ter nervos de ferro, arlequina. — Como! — Ela riu. — É maravilho e aflito. — Vai dar tudo certo. Lucas está tentando proteger todo mundo. Ainda não sei o que acontece, mas ele está muito preocupado e eu vou descobrir. — Acho que é algo com a mãe dele — suspirou. — Ele fala dormindo — sorriu amarelo. — Tem tido noites meio perturbadas ultimamente. Só não sei o quê. “Merda!”, foi só o que pensei comigo. — Vou descobrir... e tento ajudar! — sorri-lhe. — Obrigada. Gosto que esteja mais presente — riu. — Pode até parecer, mas eu não fico nem um pouco confortável com a sua distância. — Ih, as coisas tão mais próximas do que você imagina! — gargalhei e ela franziu o cenho. — Ignora! — Okay... — Levi está tendo problemas com a loira e você sabe, ‘né!? — Ela meneou a cabeça para negar. — Está. Ele descobriu de tudo e ela ainda está em cima dele. — Entendo. Por isso meu filho ‘tá avoado... — Ele também tem muito trabalho, mas ter a loira enchendo o saco deve estar colaborando. Sabe que eu transei com seu filho, ‘né!? — ri. — Quê!? — Ela acabou rindo mais alto. — Sim, repetiria. Só me esforço para não repetir porque Lucas pediu, mas observo a tensão. Estou bem preocupada com o que ele viveu com essa loira. — Sei que foi turbulento... — Seu semblante se chateou. — Não tenho muitos detalhes. Assim que se mudou, ele teve um período mais rebelde. — Paixão — ri. — Pois é. Espero que se curtam bem. — Ela sorriu. — Não sou de me gabar, mas criei um príncipe! — Com certeza. Merece os parabéns. — Eles são tão bons. Dá até pena, sabe? — Ela até estava olhando a menina, mas pareceu distanciar. — O mundo pode ser muito assustador e eu não posso fazer nada para proteger nenhum deles desse mundo. — Ainda podemos somar forças — sorri-lhe. — É bom ter ajuda. Obrigada de novo. — Sou uma cretina do bem! — brinquei e ela riu. A menina se aproximou da mesa, pediu mais um sorvete e nós pegamos mais uma rodada de cerveja. Demos mais atenção à pequena que já estava cansada. Mesmo sendo final de semana, a mera quebra do seu cotidiano com um passeio comigo e Sofia acabava deixando a loirinha hiperativa, muito mais extrovertida. Chloe falou de um vestido que estava costurando para mim. Acabamos voltando e eu acompanhei a pequena até seu ateliê para ver sua obra de arte. Com o investimento dos pais, ela estava progredindo bem com os desenhos. A máquina de costura mais alta ainda estava parada, aguardando... Enquanto isso, ela se mostrava hábil com a máquina menor. Era impressionante como o tempo passou e ela conseguiu ter uma infância tão inocente. Mesmo que não quisesse, não tendo participação alguma, eu ainda podia sentir uma felicidade genuína. Sem infernos e o caos, ela poderia só se queixar das vezes em que faltou o colégio e isso tirou seu sono — ruïm, mas ainda mais suave do que nossa vida. No quesito felicidade, definitivamente a loirinha me fazia sentir bem. Era símbolo de muitos sacrifícios, frutificando com uma beleza ímpar. Sonhadora e sorridente, tudo que queremos para os nossos no futuro. Ali, me vi sem arrependimentos.
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