Cayle puxou o cobertor e cobriu-se completamente, deixando apenas um tufo de cabelo cor marfim para o lado de fora.
Lucas ficou observando pelos próximos cinco minutos e para sua surpresa, o menor já estava dormindo como pedra. Ele deveria ter sido um gato na vida passada, mas ao lembrar disso, Lucas rejeitou a possibilidade. Talvez ele estivesse apenas possuído por um espírito de gato, mesmo.
Ao se aproximar, ele puxou o cobertor e deitou-se com ele, abraçando-o pela cintura.
Olhando para seu rosto de perto, o garoto realmente era um anjo. Lindo, fofo, delicado, e elegante.
Ele não iria deixar esse tesouro escapar de suas mãos, de forma alguma.
Com tais pensamentos ele também adormeceu. Já eram cinco e meia da tarde, o sol já estava se pondo no belo céu, enquanto dois homens dormiam entrelaçados.
...
No meio de seu sono, Lucas sentiu algo enrolar em seu corpo, forte e sufocante.
Ele achou que era Cayle dando-lhe um abraço de polvo, mas ao abrir uma brecha nos olhos ele viu que eram as correntes do corpo do menor.
As correntes saíram e estavam se enrolando mais e mais apertado. Era quase como vingança.
Lucas estava sentindo-se sufocado e tentou cutucar o menor, mas as correntes o transformaram em um enroladinho humano. Somente sua cabeça estava para fora.
Cayle estava absorto em seus sonhos e acabou por levar a mão até o tapa olho e arrancá-lo. Inúmeras borboletas apareceram e pousaram sobre ele e sobre Lucas.
O maior sacudia a cabeça tentando tirá-las de seu rosto, mas era tudo em vão. Aqueles insetos grudavam em sua pele como cola.
-Cayle... _sussurrou tentando acordá-lo.
O menor apenas soltou um resmungo e virou-se para ele. Lucas pensou que ele estava quase acordando e resolveu chamá-lo novamente, mas sentiu uma dor aguda no peito e seu corpo voando, enquanto seus olhos estavam fixos no anjinho na cama.
Um anjinho capaz de dar um soco de cem quilos e jogá-lo na parede.
Lucas cuspiu um bocado de sangue quando seu corpo finalmente parou no chão. Ele olhou para baixo e viu que Cayle havia socado o peito esquerdo, bem em cima do coração.
Se as correntes não estivessem lá ele já estaria morto, mas seu estado atual não é nem um pouco diferente.
Já existe uma enorme poça de sangue no chão e Lucas sente seu ritmo cardíaco diminuindo gradualmente, a ponto de ele começar a sentir frio e leves tremores no corpo, sufocando com o sangue que não parava de jogar de sua boca.
"Pelo visto não serei capaz de livrar meu pequeno das mãos daquele......" _sua consciência se foi.
...
Quando Cayle acordou já eram oito horas da noite. Ele espreguiçou-se e bolou na cama grande e confortável.
Ser rico era realmente viver melhor.
Ele tirou os cobertores e esticou novamente o corpo, dessa vez puxando o ar fortemente aos seus pulmões.
Quando ele fez isso, um cheiro metálico invadiu-o e ele rapidamente abriu os olhos. Procurando na escuridão, ele avistou um corpo caído no meio de uma poça de sangue.
Ele se desesperou e rapidamente acendeu as luzes, vendo que era Lucas quem estava naquela posição, enrolado por suas correntes enquanto o muito sangue que saiu de sua boca, agora estava seco.
Cayle rapidamente puxou o tapa olho jogado na cama e o pôs de volta, correndo até o maior e colocando-o na cama.
Com sua vontade, as correntes rapidamente se soltaram revelando um buraco feito na camisa de Lucas, exatamente no coração.
O menor rapidamente arrancou a blusa dele e viu que havia um pequeno afundar na região do golpe, enquanto a pele estava uma mistura de forte roxo, verde e vermelho. Completamente horrível.
Cayle acariciou lentamente e sentiu um fluxo de magia vindo de lá. Olhando para seu punho com muito pesar, o menor rapidamente agradeceu aos céus que suas correntes estavam jorrando energia espiritual para controlar os fracos batimentos de Lucas, senão o maior já estaria morto.
Tirando a sua própria camisa, Cayle colocou seu peito nu com o peito de Lucas e colocou a cabeça na curvatura do pescoço do maior, começando a transferir-lhe energia para curar seus ferimentos internos.
O cheiro do maior entrava em suas narinas e deixavam-no embriagado de tão bom que era. As bochechas do menor não conseguiram conter a vermelhidão que se espalhava.
Cayle só conseguiu evitar a vergonha ao ouvir uma tosse fraca ao lado de seus ouvidos.
Levantando a cabeça ele olhou preocupado para os olhos abertos e sem vida que Lucas dirigia a si.
-Cayle.... _-o maior sussurrou forçando um sorriso torto.
Era assim, ele estava sempre com um sorriso pendurado no rosto quando se dirigia ao menor.
Completamente estranho, mas atraente para o pequeno.
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