Capítulo 09

1212 Words
Depois de ter resmungado incansáveis vezes, Cayle aproximou-se do sofá e deitou-se adormecendo rapidamente. Ele não era doido de deitar na cama de Lucas, mesmo que ele não estivesse lá. -Tão fofo... _Lucas sussurrou bebendo um pouco de café, deixando de lado a imagem de Cayle e se concentrando nos negócios que precisava resolver. Depois que ele terminou seus afazeres ainda era meio-dia pois ele tinha trazido Cayle para sua casa no momento das aulas. Ele foi até o menino e afagou seus cabelos claros e macios, acordando-o. O pequeno abriu os olhos lentamente e se espreguiçou, esticando os belos e delicados dedos de seus pés, fazendo Lucas sorrir por causa da fofura. Ele parecia um filhote de gato se espreguiçando. -Ei, acorda pequeno. Vamos sair para almoçar. _o maior disse ajudando um Cayle desconfortável a levantar. -Que horas são? _ele perguntou com um semblante sério. -São doze horas. Vou te levar para comer em um delicioso restaurante barato. O frango de lá é maravilhoso! _falou empolgado. -Eu tenho que trabalhar. _Cayle disse levantando-se depressa, evitando olhar para o desdenhoso Lucas atrás de si. -Você não precisa trabalhar. Eu já disse, você é minha posse agora, então cuidarei de você. Não precisa mais se preocupar com nada. Você terá um cartão novo para gastar o tanto que quiser, comprar roupas novas, sapatos novos e comer o que quiser. _falou se aproximando do menor e afagando seus cabelos. -Eu não quero depender de você. Eu quero voltar para a casa aonde eu vivi os últimos momentos da minha mãe, aonde eu sei que minhas coisas guardadas há anos estão lá, e até o gato que sempre vai lá comer. Quero correr como um desesperado para ir para meu trabalho de meio período, chegar em casa cansado e estudar. Eu... eu quero me esquecer. _falou com lágrimas nos olhos. _Eu quero ficar tão atarefado para tentar esquecer que ela estava morta na banheira de casa, para ficar tão cansado ao ponto de dormir como pedra e não sonhar com ela. Você não entende, seu merda! _exclamou frustrado. Lucas olhou para Cayle surpreso pelo que ele tinha dito. Sorrindo de forma gentil e afetuosa, ele aproximou-se e envolveu o pequeno em seus fortes braços, trazendo sua cabeça para seu peito, para que ele pudesse se acalmar ouvindo as batidas calmas de seu coração.  -Eu sinto muito pelo que aconteceu com você. Deve ser muito assustador viver sua vida com a lembrança de que uma pessoa amada morreu e que mesmo assim você deve continuar vivendo a sua rotina independente disso. _Lucas falou transbordando de emoção, como se ele já tivesse vivido isso inúmeras vezes. Cayle fungou deprimido, mas por alguma razão o peito de Lucas lhe fazia sentir seguro e confortável. -Mas eu estou aqui. _o maior falou chamando a atenção do pequeno que levantou os olhos. _Eu não vou deixar você voltar para aquela casa para não se sentir assombrado e também vou fazer com que todos os seus dias sejam divertidos ao ponto de você só ter a mim em sua mente, e eu me tornarei seu porto seguro. Pode confiar em mim para o que precisar, eu sempre estarei aqui para você. _falou com um sorriso doce. Cayle sentiu que Lucas estava fazendo um juramento com aquelas palavras. Era algo tão verdadeiro que ele sentiu medo de acreditar. -Como posso confiar em um estranho que colocou uma coleira em mim? _Cayle perguntou irônico tentando dispersar o ar afetuoso que se instaurava.  Lucas soltou uma risada calorosa e isso fez Cayle corar até as orelhas. Era uma risada muito boa de se ouvir. -Vem, vamos almoçar. _o maior falou entrelaçando os dedos com os de Cayle, fazendo ele ruborizar ainda mais. -As pessoas vão pensar que somos um casal gay.... _ele disse tímido. -Que seja! Tudo que eu quero é ser muito gay com você! _ele disse afagando a bochecha vermelha de Cayle, puxando-o para sair da casa. O menor estava com vergonha, porque por mais que ele não se sentisse gay, ele não podia negar que Lucas atraía seus olhos. Eles passearam pelas ruas de mãos dadas, enquanto alguns olhavam tortos e outros sorriam animadamente. Cayle não conseguia sequer levantar a cabeça de vergonha. Eles comeram em um restaurante barato -se comparado aos que o rico Lucas estava acostumado, e foram passear pelas barracas de frutas. Cayle soltou-se de Lucas e tentou andar e ver as coisas por conta própria, mas a cada metro afastado do maior a coleira que estava coberta por um cachecol em seu pescoço se apertava mais. Quando ele se afastou oito metros, ele não conseguiu mais resistir e caiu no chão desmaiado com falta de ar. Lucas que estava observando e esperando a hora em que o pequeno iria desistir da liberdade e voltar para ele, se surpreendeu e correu para pegá-lo em seus braços. Por estarem perto, a coleira se afrouxou e o ar pôde entrar nos pulmões de Cayle, fazendo seu rosto clarear um pouco da vermelhidão. O maior praticamente voou para casa e chamou seu médico particular que morava nos fundos. O doutor pediu para que ele tirasse a coleira e assim o fez, mas ao ver o pescoço alvo do garoto manchado de roxo por causa de sua brincadeira, ele sentiu uma facada no coração. O médico examinou e colocou o fraco Cayle no soro e saiu de lá, deixando os dois a sós. Três horas depois Cayle acordou sentindo-se confortável. Suas costas estavam em algo macio e sua cabeça era leve. O cheiro que entrava em suas narinas era agradável e algo quente encostava em seu rosto. Ao abrir os olhos lentamente, ele viu que Lucas estava abraçando-o deitado ao seu lado em sua cama. Com essa visão ele rapidamente lembrou do que tinha acontecido e uma raiva súbita desse cara ao seu lado encheu seu coração e ele sem dó nem piedade chutou Lucas para fora da cama, ouvindo um baque com o corpo dele no chão. -Ai, o que foi pequeno? Eu acordei você? _Lucas perguntou preocupado, fazendo a raiva de Cayle subir ainda mais. -Seu desgraçado, você queria me matar?! _exclamou irritado. -Eu sinto muito! _Lucas ajoelhou rapidamente ao lado de Cayle, segurando sua mão. _Eu sinto muito mesmo, eu fui um completo i****a, eu não deveria ter feito algo assim com você! _ele disse com olhos lacrimosos, fazendo a raiva do menor se dispersar rapidamente com tal pedido de desculpas. Ele levantou a mão até o pescoço e percebeu que estava sem a coleira. Seus olhos brilharam olhando para Lucas. -Você me deixou livre? _perguntou surpreso. -Ãhn? Não, não, eu só tirei a coleira do seu pescoço para não lhe machucar e comprei uma ainda melhor. _ele falou sorrindo ao se levantar e alisar a panturrilha direita de Cayle. _Eu coloquei uma tornozeleira em você, desse jeito não te machuca. _ele disse sorrindo amplamente, com uma cara que dizia: "rápido, me elogie pela minha inteligência superior! ". Cayle olhou para ele com olhos faiscando de raiva, mas rapidamente voltou ao normal e suspirou.  Como ele poderia esperar algo de bom vindo de um louco? _ele se perguntou olhando com pena para Lucas, fazendo o maior sentir um calafrio na espinha ao tentar compreender os pensamentos do menor. ^3^~
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