Capítulo 35 – Mesa Curta

1526 Words

Vincenzo O armazém vazio cheirava a madeira velha, sal seco e a promessa de um desastre calculado. Eu escolhi este lugar porque os ecos não traem e as paredes aprenderam, com o tempo, a ouvir sem repetir. Uma única lâmpada pendurada por fio gasto fazia a luz oscilar como um relógio cansado — perfeito para lembrá-los de que o tempo, aqui, é meu. A mesa curta estava posta no centro: quatro cadeiras, tampo nu, sem toalha, sem flores, sem desculpas. Marcos ficou à minha direita, cruza-braços de pedra e olhos de inventário. Do lado oposto, três homens: dois capos que sabiam calar, e o terceiro — o que eu chamara pelo nome que temos para os que precisam ouvir a própria sentença. Ele se sentou com o cuidado de quem confia demais no próprio teatro. Têmpora grisalha, o rosto de quem já fez o sin

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