Elena O salão do luto cheirava a lírios e hipocrisia. As coroas formavam um corredor até a mesa curta improvisada, quatro cadeiras como um tabuleiro de guerras que preferem a polidez. Atravessei o mármore com passos que não pediram licença. Os olhares vieram em cardume: piedade de vitrine, curiosidade com dentes, cálculo. — A exilada — comentou alguém, baixo, como se a palavra fosse um tapa de luva. — A viúva sem anel — trocou outro, esquivando o olhar. Parei diante da mesa. O velho Vitale encostou os nós dos dedos na bengala. O de olhos de vidro sorriu como quem recolhe dízimos; ao lado, um capo de têmpora grisalha fez o sinal da cruz — e guardou a mão rápido demais. — Dê-me um minuto — anunciei, e minha voz foi mais alta que as cordas do quarteto. — Eu trago fatos. O resto, podem gu

