Vincenzo Quando Elena me entregou o mapa tirado do armário das casulas, a cidade mudou de eixo. Porta azul atrás do palco, porão duplo, janela de carga entre 10 e 14h, caixas rotuladas de “Velas – Fundação São Gabriel” e, dentro, galões com o 27 carimbado. O padre Orsini, pálido como cal, confirmou: o orfanato era entreposto. A palavra ficou batendo na testa como um relógio que não aceita ser ignorado. — Tem crianças lá — Elena disse, com a voz que sabe medir a dor sem sucumbir a ela. — Primeiro tiramos os pequenos, depois a lata. Eu cuido do salão e do palco. Você corta o porão. As suas palavras se cravaram em mim como uma lei ancestral. Havia força em sua delicadeza e um propósito em seu afeto; é assim que amo. Ordenei: que desviassem rotas, silenciassem ambulâncias e limpassem placas

