A noite caiu sobre a mansão Cavalcante com o mesmo peso de sempre. Os corredores silenciosos, o som distante do vento batendo nas janelas e o relógio antigo marcando as horas pareciam ritmar o poder e a frieza daquela casa. Estefano estava em seu quarto, sentado diante da lareira apagada, a mente longe dali talvez na praça, talvez no olhar de Amélie Pérez. Mas a porta se abriu lentamente, sem que ele tivesse tempo de esconder o que sentia. Francesca entrou sem bater. Usava um vestido escuro, o colar de pérolas refletindo a luz fraca do candelabro. A expressão era severa, fria, calculada. — Seu pai está furioso, — disse ela, fechando a porta atrás de si. — E, sinceramente, eu também estou. Estefano suspirou, cansado. — Imagino o motivo. Francesca se aproximou com passos lentos. —

