O relógio antigo da mansão marcava sete e meia da noite. A família Cavalcante jantava sob a luz dourada dos candelabros, e o som dos talheres e taças era o único ruído que quebrava o silêncio pesado do salão. Amélie, pálida como o linho da toalha, se movia com lentidão controlada entre os lugares, servindo vinho e recolhendo pratos com as mãos trêmulas.Já era o segundo dia sem comer e embora tentasse disfarçar, o corpo começava a fraquejar.As pernas pareciam de chumbo, e a vista, por vezes, escurecia nas bordas. Ela mantinha o rosto sereno, como havia aprendido a fazer desde que chegara àquela casa.Sabia que Francesca a observava de perto, avaliando cada gesto, pronta para puni-la de novo ao menor deslize.E sabia também que Estefano, sentado ao lado da mãe, não conseguia disfarçar o de

