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1596 Words
A noite no barzinho começou com música alta, cervejas geladas e risadas que enchiam o ar. O som do violão ao fundo se misturava ao cheiro de fritura e ao barulho de copos batendo na madeira das mesas. Eu estava ali, tentando viver aquele momento, como se fosse um último suspiro antes do que viria. Mas, de vez em quando, minha mente escapava e corria de volta para a segunda-feira para o uniforme branco, as grades, e as pessoas que eu nem conhecia ainda. Minutos depois, estávamos todos no barzinho do centro. Sarah tinha chamado Lilia, Marisa, Naomi e Anna quatro colegas da residência que eu não via há um tempinho. Também vieram uns amigos do Ricardo: Renan, Maycon e Ruan. Eles sempre apareciam quando era dia de festa. Sarah, sempre falante, puxava conversa com todo mundo. Ela ria alto, batia palmas e falava comigo como se eu fosse a maior estrela da noite. — Gente, essa aqui é a Marcela, nossa futura médica de presídio! — gritava ela, empolgada, me dando um empurrãozinho carinhoso. — Sarah, para com isso… — eu ria, meio envergonhada, mas também feliz. Naomi e Lilia me abraçaram forte e disseram que eu ia tirar de letra. Anna contou de um plantão que quase virou tragédia, mas terminou em pizza e risadas. Marisa, que era mais quieta, me olhou com orgulho: — Você sempre foi a mais determinada, Marcela. Eu sei que vai dar certo — ela disse, me olhando nos olhos. Enquanto isso, Renan, Maycon e Ruan estavam numa mesa mais pro fundo, já meio bêbados, contando histórias de balada. De vez em quando, eu via Ricardo ali, rindo das besteiras deles, mas sempre lançando um olhar pra mim, um misto de cuidado e de ciúmes. Num momento em que Sarah e as meninas foram até o balcão buscar mais bebida, Ricardo se aproximou, sentou ao meu lado e encostou o braço no encosto da cadeira, me puxando mais pra perto dele. A mão dele apertou minha coxa debaixo da mesa, quente e firme. — Você sabe que não precisava ter vindo, né? — ele disse num sussurro, a voz grave, mas carinhosa. — Eu sei. Mas… eu precisava distrair a cabeça — respondi, encostando a cabeça no ombro dele. O cheiro do perfume dele me acalmava, misturado ao calor do bar e ao meu coração que não parava de bater. Ele suspirou, me olhando sério. — Eu entendo. — os dedos dele passaram de leve na minha perna, num carinho que me fez suspirar também. — Só espero que amanhã você não acorde de ressaca. Quero que comece esse novo capítulo do seu jeito… e não morrendo de dor de cabeça. Sorri e toquei o rosto dele com a ponta dos dedos, sentindo a barba áspera e a pele quente. — Eu prometo. Só hoje. Amanhã é o meu dia. Ele me olhou de um jeito que só ele sabia olhar aquele misto de ternura e desejo que fazia meu estômago dar um nó. — Então aproveita, minha doutora — sussurrou ele, com um sorriso de canto. A música trocou pra um forró animado e Sarah voltou, empolgada: — Vem, Marcela! Vem dançar! — me puxou pela mão, me tirando daquele momento tão íntimo. Eu hesitei, troquei um olhar com Ricardo, que parecia resignado. Levantei e fui, tentando me jogar na energia da festa, mesmo que por dentro eu só quisesse ficar abraçada nele ali no canto, no nosso pequeno mundo. A noite foi avançando, e eu me perdi em risadas, abraços e brindes. Naomi e Anna começaram a puxar um karaokê improvisado, enquanto Renan e Ruan pediam mais e mais cerveja. Por um momento, eu fechei os olhos e deixei a música me embalar. Amanhã tudo mudaria. Mas hoje… hoje eu era só mais uma mulher feliz, ansiosa e nervosa, vivendo um último domingo de liberdade antes de encarar a vida que eu tinha escolhido pra mim. [...] Depois de algumas horas no bar, comecei a sentir o peso da ansiedade pelo dia seguinte. Eu sabia que não poderia ficar muito tempo amanhã começaria no presídio às sete da manhã e precisava estar descansada. Antes do bar fechar, me virei para Ricardo e sussurrei no ouvido dele: — Vamos embora? Amanhã eu preciso estar cedo no trabalho. Ele assentiu, entendendo sem discutir. Parecia até aliviado por sair dali comigo. Nos despedimos de Marisa, Naomi, Anna, Renan, Maycon e Ruan, que insistiram para que eu ficasse mais, mas sorri e disse: — Não posso, gente… Amanhã é meu primeiro dia e eu quero estar descansada. — Vai brilhar lá! — Naomi gritou, erguendo o copo. Saímos do bar de mãos dadas. No carro, o silêncio foi confortável, só a respiração dele e a minha tentando me convencer de que tudo daria certo. Ricardo mantinha a mão pousada no meu joelho, apertando de leve de vez em quando, como quem me lembrava de que ele estava ali. Quando chegamos no apartamento, senti como se todo o peso do mundo tivesse caído dos meus ombros. Larguei os sapatos na entrada e joguei a bolsa no sofá. Ricardo me olhou com um semblante sério, um brilho de desaprovação em seus olhos escuros. A noite no bar, a interrupção, o jeito de Sarah… tudo isso estava em sua expressão. — Marcela, não é porque a Sarah te chamou que você precisa ir, não é? — ele disse, a voz calma, mas com uma firmeza que beirava a repreensão. — Eu sei que você gosta dela, mas às vezes ela te faz tomar decisões que não queria. Eu suspirei, sentindo a defensiva surgir. — Ricardo, para. Ela é minha amiga, e quis comemorar comigo. — Tentei suavizar o tom, mas a verdade é que me irritava ele criticar Sarah daquela forma. — É o meu dia, a minha conquista, ela só… se empolgou. Ele balançou a cabeça, mas não discutiu mais. O que ele não dizia com palavras, dizia com o silêncio e o leve franzir da testa. Mas, segundos depois, um sorriso calmo surgiu em seus lábios, embora seus olhos ainda dissessem outra coisa, um desejo contido que me deixava quente por dentro, que prometia acalmar aquela tensão. — Nervosa? — ele perguntou, chegando mais perto, a voz baixa. Assenti. — Um pouco… mas pronta também. Ele colocou as mãos nos meus quadris e me puxou devagar, como se quisesse saborear cada segundo. Senti o calor dele me cercar, o peito largo encostando no meu, e um arrepio correu pela minha espinha. — Vem cá — ele disse num sussurro, e eu me perdi ali. O beijo começou calmo, mas foi ficando mais urgente, mais profundo. A língua dele brincando com a minha, as mãos subindo pela minha cintura como se ele estivesse me redescobrindo. Arfei, sentindo meu corpo reagir, a pele se arrepiando inteira. Ele me virou pra encostar no sofá, as mãos fortes explorando cada curva do meu corpo. Meu coração disparou, e eu não conseguia pensar em nada além do jeito que ele me olhava como se só eu existisse. Quando ele mordeu de leve meu lábio inferior, um gemido escapou, e ele sorriu contra minha boca. — Eu adoro quando você faz isso — ele murmurou, a voz rouca. Minhas mãos foram para o pescoço dele, puxando-o mais perto, sentindo a pele quente sob meus dedos. Ele me empurrou levemente pra sentar no sofá e se ajoelhou na minha frente, as mãos subindo pela minha coxa, devagar, quase provocante. Eu prendi a respiração quando ele roçou o nariz na minha barriga, a boca deixando beijos molhados na pele sensível. — Eu quero você agora — ele sussurrou, e minhas pernas tremeram. Eu gemi baixo, sentindo o corpo todo latejar de desejo. Ele me puxou pra cima de novo, me sentando no colo dele, as mãos grandes segurando firme meu quadril. Eu podia sentir o quanto ele me queria o calor, a rigidez e isso me deixava ainda mais excitada. Comecei a mexer o quadril devagar, sentindo ele todo embaixo de mim, e os olhos dele se fecharam por um momento, a boca entreaberta. Ele deslizou as mãos pela minha cintura, subindo até meus s***s por cima da roupa, apertando de leve, arrancando de mim um gemido mais alto. — Você é perfeita — ele disse, ofegante, e eu senti a pele toda formigar. Inclinei o corpo pra frente, beijando o pescoço dele, sentindo o cheiro quente da pele, o gosto salgado misturado com o meu perfume. Ele arqueou o pescoço, me dando mais espaço, e eu mordi de leve, arrancando um suspiro pesado dele. Ele me deitou devagar no sofá, ficando por cima, o corpo pesado e quente pressionando o meu. Cada movimento dele era lento, profundo, como se ele quisesse me fazer perder a cabeça. As mãos dele desceram pela minha barriga, até chegar na barra da minha blusa, e ele a puxou devagar, revelando a pele arrepiada. Eu tremia de expectativa, sentindo o corpo pulsar. Ele me olhou nos olhos, como se estivesse me perguntando se podia continuar, e eu assenti, o rosto queimando. — Então fica comigo — ele disse, a voz baixa e carregada de desejo. — Fico — respondi num sussurro, o corpo implorando por mais. E naquela noite, no sofá pequeno do meu apartamento, nós perdemos um no outro sem pressa, sem interrupções, como se o mundo lá fora tivesse sumido. O toque dele, o cheiro, o gosto tudo misturado, tudo quente e úmido e perfeito. E mesmo sabendo que amanhã começava a minha nova vida, naquele instante, só existia ele. E eu.
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