CAPÍTULO 27 — COCHICHOS NA QUEBRADA
Larissa
Eram quase dez da noite do terceiro dia quando desci a ladeira. Leão na frente com a moto no neutro, farol iluminando a rua principal, eu atrás a pé porque pedi pra ele descer empurrando pra esticar as pernas. O cansaço pesava em cada osso, mas o ar fresco de SP amenizava o calor abafado do escritório.
Só que tinha outro fardo me esperando no caminho: os olhares e cochichos.
Perto do mercadinho do Seu Manoel, duas mulheres encostadas no muro, conversando baixo. Quando passei, a voz diminuiu, virou aquele zumbido de mexerico.
— Olha lá... é a irmã daquela que arrumou dívida com o dono do morro — uma delas falou achando que eu não ouvia. — Diz que sobe todo dia pro escritório do Rafael. O que será que uma garota direitinha do asfalto vai fazer lá em cima toda noite, hein?
Senti sangue subir pro rosto. Cerrei punho dentro do bolso do moletom - o dele - e continuei rápido. Não podia arrumar confusão na quebrada. Minha prioridade era minha mãe.
Só que Leão ouviu.
Leão freou a moto, tirou capacete e olhou pras duas.
Leão: — Tá com tempo pra fofoca, Dona Cida? Porque se tiver, amanhã cedo eu te chamo lá no escritório pra você fazer a conta que a contadora aqui tá fazendo. Já que cê tá tão interessada na rotina dela.
As duas se calaram na hora, rosto vermelho. Uma entrou pra dentro.
Continuei andando, coração batendo forte. Não era vergonha, era raiva. Raiva de ser exposta, de ser julgada, de estar pagando conta que nem era minha.
Quando empurrei o portão de zinco, luz fraca na sala. Mãe já deitada no quarto, mas a Bia tava na cozinha. Tinha voltado hoje à tarde, depois de 2 dias sumida com medo da Vila Nova, com xícara de café frio na frente e celular na mão, olhos vermelhos.
Assim que me viu tirando tênis enlameado, pulou da cadeira.
Bia: — Lari... que horas são? Por que demorou tanto? Cê tava onde?
Joguei bolsa na mesa com baque abafado, paciência estourando.
— Tava pagando a SUA conta, Bia! Era exatamente isso que tava fazendo — falei baixo, rasgado de raiva pra não acordar nossa mãe. — Enquanto você fica entocada no celular depois de sumir 2 dias com medo, eu passo dia costurando no Bom Retiro e noite trancada na biqueira fazendo contabilidade do Rafael pra abater na dívida que VOCÊ estourou! E ainda tenho que ouvir fofoca na rua porque sua dívida virou novela na quebrada!
Bia recuou, olhos marejados, assustada.
Bia: — Desculpa, Lari... juro que não queria sobrar pra você. Tentei arrumar jeito de pagar, mas os caras não dão mole, e...
— Não fala nada — interrompi, mão erguida, nó na garganta de esgotamento. — Só me faz um favor: cala a boca, vai dormir e nunca mais gasta o que a gente não tem. Porque se nossa mãe descobrir o preço exato que tô pagando pra salvar sua pele, quem vai ter um treco de verdade vai ser ela.
Deixei Bia sozinha na cozinha, cabeça baixa chorando em silêncio, e fui pro meu quarto. Joguei na cama sem trocar de roupa, encarando teto escuro, sabendo que amanhã a rotina infernal recomeçaria. E que agora a quebrada inteira tava contando quantas vezes eu subia pro escritório dele.
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NOTA DA AUTORA:
SOCORRO! O Leão defendendo a Larissa? Eu shippei Leão + Larissa de amizade agora! 😂❤️
Meninas, quem nunca passou por isso de ser julgada sem saberem da história toda? A Bia voltou e a fofoca começou!
Comenta aqui: você mandaria as fofoqueiras calarem a boca ou fingia que não ouviu igual a Lari? Vou responder TODO MUNDO nos comentários hoje!
E deixa o LIKE + MOEDINHA porque no 28 o Rafael vai ouvir o que falaram dela na rua e... ah, vocês vão ver o lado possessivo que ainda não viram! 🔥