O presídio vira zona de guerra. Facção rival tenta tomar o comando interno. R.P. tá no meio da linha de frente e precisa decidir: se ele morrer, Bruna fica sozinha… mas pra sobreviver, ele pode ter que se sujar mais do que nunca. E do lado de fora, Bruna recebe uma proposta de aliança — mas o preço é entregar sangue.
02h12 – Presídio Bangu 1, Ala D
Um grito corta a madrugada:
— "REBEEEEEEEELIÃO!"
Luzes se apagam. Portas abertas à força.
Início do caos.
Detentos da facção rival começam o ataque. Fogo nos colchões, briga de facão, pancada seca no concreto.
Jorjão puxa R.P. pra um canto:
— "Os cara tão vindo com tudo. Ou cê lidera ou cê morre."
R.P. se joga sobre um dos rivais, desarma ele com frieza.
— "Esse presídio tem dono. E não vai ser hoje que vocês vão tomar!"
Gritos, correria.
Fumaça cobre os corredores.
Guaritas em silêncio: guardas acuados.
08h00 – Morro do Vidigal
Cabelo liga pra Bruna.
— "Tá rolando rebelião. O patrão tá no meio. Se ele não tiver vivo até o fim do dia..."
Silêncio.
— "...você pode ser o próximo alvo. Porque vão culpar você por ter amolecido o coração dele."
Bruna desaba, mas respira fundo.
— "Eu preciso fazer alguma coisa."
10h37 – Botafogo, cobertura de político influente
Bruna chega, chamada por uma mulher elegante:
Helena Duarte – assessora de deputado e antiga aliada da PM.
— "Você quer que ele saia vivo? Então escuta com atenção."
Helena entrega uma pasta.
— "Tem um dossiê aí dentro. Envolve seu pai, a polícia e uma milícia com rastro dentro da cadeia. Se isso vaza... a rebelião é sufocada e R.P. ganha proteção imediata."
Bruna arregala os olhos.
— "Você tá me pedindo pra ferrar meu próprio pai?"
— "Tô te dando a chance de salvar o amor da sua vida. Decide: sangue ou liberdade."
12h15 – Presídio
R.P. sangrando no braço, cercado.
Respiração pesada.
Pega o rádio improvisado:
— "Se eu cair hoje, quero que saibam que morri homem.
Mas se eu levantar... ninguém mais me derruba."
Ele corre pro meio do pátio.
Grita alto:
— "AQUI QUEM MANDA AINDA SOU EU!"
Silêncio.
A maioria recua.
Os olhos brilham — a rebelião treme.
Bruna, sentada na beira da cama, com o dossiê na mão.
Chorando. Tremendo.
O telefone toca.
É Helena:
— "Vai soltar ou vai calar?"
Corte seco:
Fumaça sobe no presídio.
No morro, os fogos estouram.
Em algum lugar entre a justiça e o amor... Bruna decide.
O amor dela por R.P. agora tem nome, rosto e consequências. Ao expor o sistema, ela mexe com cobras adormecidas — e o veneno começa a se espalhar. Coronel Álvaro se vê encurralado, e o Brasil inteiro assiste ao começo de uma guerra entre pai e filha, verdade e mentira… justiça e sobrevivência.
06h00 – Estúdio de jornalismo independente
Bruna entrega a pasta pra jornalista Marina Paiva, conhecida por derrubar figurões com uma única matéria.
— "Aqui dentro tem tudo. Milícia, tráfico, PM e os podres do meu pai."
Marina segura o material, séria.
— "Você tem certeza disso, Bruna? Depois que isso for ao ar, não tem volta."
Bruna responde sem piscar:
— "Eu já passei do ponto de volta."
11h30 – Televisão, ao vivo
“Acaba de ser divulgado um dossiê explosivo envolvendo o coronel Álvaro Mendes, chefe da Polícia Militar do RJ. O material aponta conexões com grupos paramilitares e corrupção dentro do sistema penitenciário.”
Vídeo mostra transações, áudios, ordens frias.
Imagens de violência encoberta.
E no fim: a assinatura digital de Bruna Mendes.
14h00 – Quartel da PM
Coronel Álvaro assiste à TV em silêncio.
Rosto trêmulo. Mandíbula travada.
Um major entra:
— "Comandante... o senhor precisa se pronunciar."
Ele explode:
— "Minha filha me traiu. Minha filha se vendeu pra um bandido.
Mas se ela pensa que vai destruir meu nome… eu acabo com a vida dela antes."
18h00 – Presídio, Ala Médica
R.P., deitado, curativo no ombro, assiste tudo pelo rádio pirata.
Jorjão entra correndo:
— "Ela fez, patrão. Ela detonou tudo. O nome do pai dela tá até no Fantástico."
R.P. sorri. Um sorriso doído.
— "Ela jogou a vida fora... por mim."
— "Ela jogou pelo amor. Agora é você que tem que retribuir."
22h15 – Morro do Vidigal
Cabelo encontra Bruna escondida numa casa abandonada.
— "O coronel mandou te buscar. Mandou ‘uns cara’ do Bope atrás de você."
— "Então me mata logo, Cabelo. Porque eu não volto."
Ele segura no braço dela:
— "Se você morrer, ele vence.
E o patrão perde tudo que ainda dá força pra ele aguentar lá dentro."
Helena liga pra Bruna:
— "Seu pai vai ser afastado. Mas a guerra começou. O sistema quer sua cabeça.
Você vai ter que sumir por um tempo."
Bruna olha a cidade pela janela, o Cristo iluminado lá longe.
Sussurra:
— "Por ele… eu enfrento o inferno."
Corte para R.P., na cela, escrevendo algo no papelão do colchão:
“Se ela sobreviveu por mim… agora é minha vez de viver por ela.”
Bruna agora é procurada pela própria polícia, caçada como bandida. Do outro lado das grades, R.P. precisa se aliar a quem ele jurou destruir — tudo pra proteger a mulher que virou o seu único motivo. O amor deles tá vivo… mas o mundo quer enterrar.
04h10 – Zona Oeste, beco estreito
Bruna de mochila nas costas, capuz cobrindo o rosto.
Cabelo dirige um carro velho.
— "Tem helicóptero sobrevoando tudo. Os cara tão te caçando como se fosse traficante."
Bruna respira fundo.
— "Se for pra morrer, que seja sendo quem eu sou. E eu sou dele."
08h30 – Presídio – Setor de Isolamento
R.P. sentado diante de um homem velho, cabelos grisalhos, olhos frios.
É Fumaça, ex-chefe da antiga facção rival. Foi ele quem quase matou R.P. anos atrás.
Fumaça acende um cigarro.
— "Nunca pensei que ia te ver aqui pedindo ajuda."
R.P. segura o olhar.
— "Não é por mim. É por ela."
— "A princesinha da PM? Que agora é fora da lei? Bonito isso."
R.P. responde:
— "Ela queimou tudo por mim. Agora eu preciso garantir que ela viva."
Fumaça sorri torto.
— "Você sabe que meu preço não é baixo."
— "Eu pago com o que eu tiver."
— "Até com sua alma?"
Silêncio.
— "Até com a alma."
11h50 – Litoral Sul
Bruna e Cabelo escondidos numa casa de pescador.
Ela toma café preto, mãos trêmulas.
Cabelo entrega um envelope.
— "Passaporte falso. Nome novo. Vida nova.
Mas se você atravessar essa fronteira, nunca mais volta."
Bruna balança a cabeça.
— "Não vou a lugar nenhum enquanto ele estiver lá dentro."
Cabelo respira fundo.
— "Então se prepara pra guerra, menina. Porque agora…
você não é mais filha do sistema. Você é inimiga dele."
16h00 – Presídio
Guarda entra apressado:
— "Rodriguinho! Transferência marcada. Vão te levar pra Campo Grande amanhã. Cadeia de segurança máxima."
Jorjão arregala os olhos.
— "É armadilha. Campo Grande é território deles."
R.P. fecha os punhos.
— "Então vamo antecipar o jogo. Se querem me enterrar... vão ter que cavar fundo."
Bruna escreve uma carta, lágrimas caindo sobre o papel:
“Se meu coração é fora da lei, então que ele bata até o último disparo.”
Enquanto isso, Fumaça sorri no escuro da cela.
O jogo mudou.
E agora o coração deles é a arma mais perigosa do Rio.