Preso

1241 Words
O presídio vira zona de guerra. Facção rival tenta tomar o comando interno. R.P. tá no meio da linha de frente e precisa decidir: se ele morrer, Bruna fica sozinha… mas pra sobreviver, ele pode ter que se sujar mais do que nunca. E do lado de fora, Bruna recebe uma proposta de aliança — mas o preço é entregar sangue. 02h12 – Presídio Bangu 1, Ala D Um grito corta a madrugada: — "REBEEEEEEEELIÃO!" Luzes se apagam. Portas abertas à força. Início do caos. Detentos da facção rival começam o ataque. Fogo nos colchões, briga de facão, pancada seca no concreto. Jorjão puxa R.P. pra um canto: — "Os cara tão vindo com tudo. Ou cê lidera ou cê morre." R.P. se joga sobre um dos rivais, desarma ele com frieza. — "Esse presídio tem dono. E não vai ser hoje que vocês vão tomar!" Gritos, correria. Fumaça cobre os corredores. Guaritas em silêncio: guardas acuados. 08h00 – Morro do Vidigal Cabelo liga pra Bruna. — "Tá rolando rebelião. O patrão tá no meio. Se ele não tiver vivo até o fim do dia..." Silêncio. — "...você pode ser o próximo alvo. Porque vão culpar você por ter amolecido o coração dele." Bruna desaba, mas respira fundo. — "Eu preciso fazer alguma coisa." 10h37 – Botafogo, cobertura de político influente Bruna chega, chamada por uma mulher elegante: Helena Duarte – assessora de deputado e antiga aliada da PM. — "Você quer que ele saia vivo? Então escuta com atenção." Helena entrega uma pasta. — "Tem um dossiê aí dentro. Envolve seu pai, a polícia e uma milícia com rastro dentro da cadeia. Se isso vaza... a rebelião é sufocada e R.P. ganha proteção imediata." Bruna arregala os olhos. — "Você tá me pedindo pra ferrar meu próprio pai?" — "Tô te dando a chance de salvar o amor da sua vida. Decide: sangue ou liberdade." 12h15 – Presídio R.P. sangrando no braço, cercado. Respiração pesada. Pega o rádio improvisado: — "Se eu cair hoje, quero que saibam que morri homem. Mas se eu levantar... ninguém mais me derruba." Ele corre pro meio do pátio. Grita alto: — "AQUI QUEM MANDA AINDA SOU EU!" Silêncio. A maioria recua. Os olhos brilham — a rebelião treme. Bruna, sentada na beira da cama, com o dossiê na mão. Chorando. Tremendo. O telefone toca. É Helena: — "Vai soltar ou vai calar?" Corte seco: Fumaça sobe no presídio. No morro, os fogos estouram.  Em algum lugar entre a justiça e o amor... Bruna decide. O amor dela por R.P. agora tem nome, rosto e consequências. Ao expor o sistema, ela mexe com cobras adormecidas — e o veneno começa a se espalhar. Coronel Álvaro se vê encurralado, e o Brasil inteiro assiste ao começo de uma guerra entre pai e filha, verdade e mentira… justiça e sobrevivência. 06h00 – Estúdio de jornalismo independente Bruna entrega a pasta pra jornalista Marina Paiva, conhecida por derrubar figurões com uma única matéria. — "Aqui dentro tem tudo. Milícia, tráfico, PM e os podres do meu pai." Marina segura o material, séria. — "Você tem certeza disso, Bruna? Depois que isso for ao ar, não tem volta." Bruna responde sem piscar: — "Eu já passei do ponto de volta." 11h30 – Televisão, ao vivo “Acaba de ser divulgado um dossiê explosivo envolvendo o coronel Álvaro Mendes, chefe da Polícia Militar do RJ. O material aponta conexões com grupos paramilitares e corrupção dentro do sistema penitenciário.” Vídeo mostra transações, áudios, ordens frias. Imagens de violência encoberta. E no fim: a assinatura digital de Bruna Mendes. 14h00 – Quartel da PM Coronel Álvaro assiste à TV em silêncio. Rosto trêmulo. Mandíbula travada. Um major entra: — "Comandante... o senhor precisa se pronunciar." Ele explode: — "Minha filha me traiu. Minha filha se vendeu pra um bandido. Mas se ela pensa que vai destruir meu nome… eu acabo com a vida dela antes." 18h00 – Presídio, Ala Médica R.P., deitado, curativo no ombro, assiste tudo pelo rádio pirata. Jorjão entra correndo: — "Ela fez, patrão. Ela detonou tudo. O nome do pai dela tá até no Fantástico." R.P. sorri. Um sorriso doído. — "Ela jogou a vida fora... por mim." — "Ela jogou pelo amor. Agora é você que tem que retribuir." 22h15 – Morro do Vidigal Cabelo encontra Bruna escondida numa casa abandonada. — "O coronel mandou te buscar. Mandou ‘uns cara’ do Bope atrás de você." — "Então me mata logo, Cabelo. Porque eu não volto." Ele segura no braço dela: — "Se você morrer, ele vence. E o patrão perde tudo que ainda dá força pra ele aguentar lá dentro." Helena liga pra Bruna: — "Seu pai vai ser afastado. Mas a guerra começou. O sistema quer sua cabeça. Você vai ter que sumir por um tempo." Bruna olha a cidade pela janela, o Cristo iluminado lá longe. Sussurra: — "Por ele… eu enfrento o inferno." Corte para R.P., na cela, escrevendo algo no papelão do colchão:  “Se ela sobreviveu por mim… agora é minha vez de viver por ela.” Bruna agora é procurada pela própria polícia, caçada como bandida. Do outro lado das grades, R.P. precisa se aliar a quem ele jurou destruir — tudo pra proteger a mulher que virou o seu único motivo. O amor deles tá vivo… mas o mundo quer enterrar. 04h10 – Zona Oeste, beco estreito Bruna de mochila nas costas, capuz cobrindo o rosto. Cabelo dirige um carro velho. — "Tem helicóptero sobrevoando tudo. Os cara tão te caçando como se fosse traficante." Bruna respira fundo. — "Se for pra morrer, que seja sendo quem eu sou. E eu sou dele." 08h30 – Presídio – Setor de Isolamento R.P. sentado diante de um homem velho, cabelos grisalhos, olhos frios. É Fumaça, ex-chefe da antiga facção rival. Foi ele quem quase matou R.P. anos atrás. Fumaça acende um cigarro. — "Nunca pensei que ia te ver aqui pedindo ajuda." R.P. segura o olhar. — "Não é por mim. É por ela." — "A princesinha da PM? Que agora é fora da lei? Bonito isso." R.P. responde: — "Ela queimou tudo por mim. Agora eu preciso garantir que ela viva." Fumaça sorri torto. — "Você sabe que meu preço não é baixo." — "Eu pago com o que eu tiver." — "Até com sua alma?" Silêncio. — "Até com a alma." 11h50 – Litoral Sul Bruna e Cabelo escondidos numa casa de pescador. Ela toma café preto, mãos trêmulas. Cabelo entrega um envelope. — "Passaporte falso. Nome novo. Vida nova. Mas se você atravessar essa fronteira, nunca mais volta." Bruna balança a cabeça. — "Não vou a lugar nenhum enquanto ele estiver lá dentro." Cabelo respira fundo. — "Então se prepara pra guerra, menina. Porque agora… você não é mais filha do sistema. Você é inimiga dele." 16h00 – Presídio Guarda entra apressado: — "Rodriguinho! Transferência marcada. Vão te levar pra Campo Grande amanhã. Cadeia de segurança máxima." Jorjão arregala os olhos. — "É armadilha. Campo Grande é território deles." R.P. fecha os punhos. — "Então vamo antecipar o jogo. Se querem me enterrar... vão ter que cavar fundo." Bruna escreve uma carta, lágrimas caindo sobre o papel: “Se meu coração é fora da lei, então que ele bata até o último disparo.” Enquanto isso, Fumaça sorri no escuro da cela. O jogo mudou.  E agora o coração deles é a arma mais perigosa do Rio.
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