Lia O céu está aberto. Não há fronteiras entre as estrelas e o mar — tudo é o mesmo espelho de luz. Acordo com a sensação de que o tempo finalmente parou de correr. Ou talvez tenha se cansado de tentar me alcançar. Já não sinto o corpo como antes. A pele é ar. O sangue é fogo. O coração é mar. E, no entanto, ainda sou eu. “O amor é o que sobra quando nada mais é necessário,” sussurra o vento. Respiro fundo. O ar entra em mim e sai carregando memórias que não são só minhas. Cada respiração é uma lembrança do mundo, cada batida é um pedaço de tudo que já amei. Fecho os olhos. E ouço — o som mais simples e mais antigo do universo: um coração batendo. Mas não é o meu. É o de todos. Caminho pela praia. A areia brilha como ouro líquido. Cada passo que dou deixa uma marca qu

