Helena O mar não dormiu esta noite. As ondas batiam nas rochas com raiva, e o vento uivava como se tivesse voz. A casa inteira tremia, mas o fogo, dentro da lareira, permanecia firme — aceso, calmo, observando. Sentei diante dele, o diário aberto no colo. As palavras de Selena queimavam na página como feridas vivas. Eu lia e sentia cada uma dentro do peito, como se não estivesse apenas lendo — mas lembrando. “Dante e eu fomos fogo. E quando o fogo acabou, restou o mar. Mas o mar também arde, se o amor for forte o bastante.” Fechei o diário e encostei a testa nas mãos. Havia algo errado dentro de mim. Uma presença, uma lembrança que pulsava nas veias. E o mar… o mar me chamava pelo nome errado. “Selena.” A voz veio da praia, misturada com o rugido das ondas. Levantei, instin

