- Sim, agora abre, para ver se você vai gostar.
Abriu a bolsa, e logo em seguida o embrulho que estava com o biquíni, mas na verdade eu queria ver a reação dela quando abrisse o da lingerie.
- Obrigada! É muito bonito, como você sabia que a minha cor preferida é vermelho?
- Não sabia de nada, juro. - Levantei a mão direita em sinal de rendição. - Eu simplesmente achei bonito e a sua cara, foi por isso que comprei.
- Ah, sim... - Abaixou a cabeça e depois voltou a olhar para mim com um sorriso tímido no rosto. - E qual é o motivo para você ter me dado esse outro biquíni?
- Então, o motivo é que eu estou pretendendo te levar a Guarapari amanhã, e eu achei esse biquíni mais bonito do que aquele que eu te dei.
- E o meu trabalho, como é que fica?
- Lembra que sou o patrão? - Sorri enquanto apoiava os braços na mesa de madeira.
- Sim, você quer que eu falte ao trabalho amanhã?
- Exatamente, e não só trabalho, mas como também o colégio. Tem como fazer isso? Bom, se você não tiver nada importante é claro.
- Importante eu não tenho, mas eu não sei se isso é legal, sabe? Faltar colégio… E se as meninas perceberem ou descobrirem algo? - Mordeu os lábios expressando um pouco de nervosismo em seu rosto.
- Fica tranquila que isso não vai acontecer. E quanto a sua mãe, eu falo com ela. Peço até permissão para você viajar comigo. - Ri. - E por falar em viagem, como ela reagiu ontem quando eu te deixei em casa?
- Ah, ela só ficou um pouco chateada, porque eu não avisei.
- Mas você tinha que ter avisado.
- Eu sei.
- Então, agora abre o outro presente. - Comprimi os lábios, enquanto a encarava.
- E tem outro? - Seus olhos brilharam de curiosidade, e eu fiquei ansioso para ver a sua reação.
- Aham.
Ela tirou o outro embrulho da bolsa, e abriu, mas a expressão em seu rosto não foi das melhores, pois além de demonstrar claramente o quanto estava envergonhada devido ao rosto vermelho, também não demonstrou nenhum sinal de felicidade nele.
- Pelo visto você esqueceu da nossa conversa. Lembra do que eu te falei ontem, para nós irmos devagar e não apressar as coisas? Eu não posso aceitar isso, primeiro porque não somos namorados, e segundo porque ainda estamos nos conhecendo. O biquíni tudo bem, mas a lingerie não.
Colocou o embrulho dentro da sacola, e em seguida empurrou ela na minha direção.
- Desculpa se fui precipitado, mas eu gostaria que você… sei lá… resolvesse isso logo. Eu não quero ser invasivo e nem me meter na sua vida, mas você acha que esse cara realmente se importa contigo? Na segunda te deixou plantada aqui, e antes de ontem, apareceu na sua casa, e não sei o que aconteceu porque você não me disse, e assim segue… Ontem você falou que me queria por perto, e que ainda gostava dele. E com isso eu fiquei na dúvida se deveria continuar com isso ou me afastar, porque por mim, eu começaria com isso hoje, agora… Mas infelizmente não depende de mim e sim de você.
- Não se preocupe, Noah, eu vou resolver essa situação, eu só te peço um tempo, porque tudo isso que está acontecendo é bastante novo para mim. Estou ainda muito confusa com tudo, já que em hipótese alguma, eu poderia imaginar que o homem dos meus sonhos fosse aparecer magicamente na minha frente, e ainda por cima se interessasse por mim, entende?
Agora quem tinha ficado realmente confuso era eu.
- Homem dos seus sonhos? Como assim? Me explica essa história direitinho que eu não estou sabendo de nada.
- Então, pode parecer meio louco ou sei lá, mas antes de você aparecer aqui na lanchonete, eu vinha sonhando contigo.
- Sério?
Literalmente a sua revelação me deixou em estado de choque, já que eu nunca tinha ouvido falar em nenhuma história igual a essa.
- Lembra do que eu te falei ontem no carro antes de me deixar no colégio?
- Sim, mas espera! Então...
- É isso, eu sonhei com você umas quatro vezes para ser exata, e todas as vezes você não me dizia o seu nome.
- Caramba! - Ri. - Isso é muito louco e ao mesmo tempo surreal.
- É meio confuso mesmo, mas eu não estou inventando. Realmente eu sonhei com você, só que eu não imaginava que isso fosse se tornar real. A minha tia Nádia é espírita, e disse que isso pode acontecer com algumas pessoas que tem mediunidade um pouco mais aflorada, e esse foi o meu caso.
- Não acredito muito nessas coisas, mas é bastante interessante, vou pesquisar sobre o assunto. - Aproveitei que ela tinha colocado a mão sobre a mesa para tocá-la. - Então isso pode ser um sinal, sabia? Porque você começou a sonhar comigo antes de me conhecer, e no primeiro dia em que eu olhei em seus olhos, senti algo estranho, e ao mesmo tempo bom. Era como se eu te conhecesse há muito tempo, e não naquele momento, porque os seus olhos me transmitiram algo muito familiar.
Seus olhos fixaram nos meus por alguns instantes, e nós dois ficamos ali por uns segundos nos encarando em silêncio, até a Lindy resolver quebrá-lo.
- É melhor eu ir trabalhar. - Pegou o embrulho que estava o biquíni e levantou. - Muito obrigado pelo presente, eu amei. - Sorriu de forma genuína. - Com licença.
Virou as costas e em seguida meteu a mão na maçaneta para abrir a porta. Quando ela saiu, eu não consegui evitar o sorriso de felicidade, pois se a história que ela contou for realmente verdade, o destino sempre estará ao nosso favor.
Mais tarde no horário de lanche dos funcionários, eu resolvi ir até a cozinha, e chegando lá vi a minha baixinha sentada à mesa ao lado de sua amiga devorando um hambúrguer, enquanto conversava animadamente com ela.
- Patrão! Por que o senhor não aproveita e lancha aqui com a gente?
- Bianca! - Lindy a repreendeu.
- O que tem Lindy? Assim nós podemos conversar aquele assunto do aumento com ele.
Foi só ela dizer isso para Lindy arregalar os olhos enquanto lhe encarava.
- Acho que vou sentar aqui com vocês hoje. Assim nós podemos conversar um pouco.
- Claro, inclusive sobre o aumento, né? Aí! — Murmurou enquanto encarava Linndy que estava terminando de beber o seu refrigerante.
- Aqui está o seu lanche, patrão.
Clarissa colocou um hambúrguer que estava no pratinho, e em seguida perguntou:
- O senhor vai querer beber algo?
- Um suco, por favor.
- Qual sabor?
- Laranja!
- Ok!
Observei ela pegar as laranjas e cortar ao meio para logo após colocá-las no espremedor industrial, e depois de pronto colocar o copo de suco ao lado do meu prato.
- Muito obrigado, Clarissa. - Agradeci a ela logo após tomar um pouco de suco.
- Por nada, patrão.
Depois de comer o lanche, e dar boas risadas com a Bianca que não tinha papas na língua, eu resolvi ir até o caixa para ficar observando o João. Não que ele trabalhasse m*l, mas eu gostava de observar os funcionários trabalharem.
Mas o que me chamou a atenção, foi ver um rapaz não tão alto quanto eu, aproximar da Lindy que parecia estar conversando com ele. Será que ele era o tal namorado? Me questionei indo até o local, onde eles estavam.
- Olá. - Falei enquanto encarava o tal rapaz, que infelizmente reconheci ser seu namorado, devido às fotos que vi em seu i********:.
- Olá. - Ele me encarou sério e também um pouco desconfiado.
- Você é quem? - Mesmo sabendo de quem se tratava, eu resolvi perguntar.
- Ele que é o Arthur, o meu namorado. - Lindy logo se intrometeu falando quem ele era.
- Eu sei.
Continuei encarando ele, que não fazia questão de esconder a sua insatisfação ao me ver ali.
- Eu que pergunto, quem é você?
Percebi que Lindy estava estranha, enquanto intercalava o seu olhar entre nós dois.
- Sou o patrão dela.
- Ah, o famoso patrão… - Falou aquilo com um certo tom de ironia, também percebi que Lindy encarou ele com um certo desespero.
- Sim, algum problema?
- Tenho uma coisinha para falar com você.
Ele já foi apontando o indicador para o meu rosto.
- Arthur para com isso pelo amor de Deus! - Linndy continuava com a mesma expressão, enquanto apertava o braço do seu namorado que pelo visto parecia ser um b****a.
- Pode falar, fica a vontade. - Provoquei o i****a, pois a vontade que eu tinha era de jogar tudo na cara dele por deixar uma garota tão legal e bacana como a Lindy jogada para escanteio, se não quer, tem outros que queiram. E eu era um deles.
- Para de ficar em cima da minha namorada! - Exclamou irritado.
- Por favor Arthur, chega!
Ela parecia envergonhada com a situação, e ao mesmo tempo desesperada.
- Ah, então você quer isso? Eu não sei se vai ser possível. - Agora foi a minha vez de ironizar.
- Claro, você acha que é só porque ela está soltinha, que está disponível, mas não está, estou aqui. - Apertou Lindsay de lado contra o seu corpo.
- Por favor! - Ela suplicou novamente.
- Ah, eu não sabia! - Continuei ironizando.
- Eu vou meter a mão na sua cara, seu i*****l! - Vociferou perdendo o autocontrole, e depois tentou avançar para cima de mim, mas não conseguiu devido a Lindy ter segurado ele.
- Vem, i****a, quer brigar, é isso? - Provoquei novamente vendo o i*****l desvencilhar de Lindy, e o Jaime juntamente com o João se aproximar.
- Algum problema, patrão? - Jaime perguntou logo após ter mandado o João segurá-lo.
- Tira esse i*****l daqui! Agora! - Ordenei puto, já que aquele i****a tinha esgotado toda a minha paciência.
- Me solta, p***a! - Percebi que ele estava tentando se desvencilhar do João que estava segurando-o pelo braço.
- Vamos lá, rapaz.
Jaime também ajudou o João a colocá-lo para fora.
- Me solta, c*****o! - Ele se debateu feito um louco enquanto tentava se desvencilhar deles. - Se eu souber que você está tentando se aproximar dela de novo, eu quebro a sua cara, entendeu? - Ameaçou enquanto era carregado pelo Jaime e João até a calçada. - Me solta! Pode deixar que eu sei o caminho.
O i****a atravessou a rua, e subiu na moto logo após ter colocado o capacete.
- Desculpa pelo Arthur, Noah! - Liny aproximou-se de mim com os olhos cheios de lágrimas.
- Você não teve culpa de nada, meu anjo. - Falei enquanto a abraçava, e sentia as suas lágrimas molharem parte da minha camisa. - A única culpa sua, é de estar ainda com esse i*****l, sério Linndy que você gosta de um cara que não está nem aí pra você? E ainda vem no seu ambiente de trabalho procurar confusão comigo?
- Eu também não estou conseguindo entender o Arthur, juro. Ele não era assim, ele nunca foi assim, e sempre demonstrou uma certa tranquilidade, mas agora eu fiquei chocada com o que eu vi.
- Talvez ele sempre foi assim, mas nunca quis mostrar para você esse lado. - Me afastei, e logo em seguida bati levemente nos seus ombros.
(...)
Lindsay
O que o Arthur fez hoje na lanchonete, foi o cúmulo do absurdo, pois ele logo foi entrando no meu local de trabalho, e falando que queria ter uma conversa com o "meu patrão" . Na hora eu nem dei muita ideia e pedi que ele fosse embora que depois conversaríamos sobre o assunto, mas infelizmente ele não quis me escutar, e ficou ali me enchendo o saco, enquanto eu terminava de limpar as mesas dizendo que não iria aceitar uma suposta traição da minha parte que nem existia, pois em momento algum eu tive algo com o Noah. A única coisa que nós fizemos foi ter ido à praia juntos como dois amigos, e por mais que a vontade de ficar com ele ontem tenha sido inevitável, eu não fiz: Primeiro por causa da confusão que a minha cabeça estava, e segundo por não querer apressar as coisas entre nós e acabar me arrependendo depois, e além do que, ainda tinha o Arthur nesse meio todo. Quando o Noah me entregou a lingerie, confesso que senti um pouco constrangida diante daquela situação, já que em hipótese alguma, poderia imaginar que ele fosse ser tão direto ao ponto de fazer aquilo, sei que ele está muito interessado, mas o próprio tinha que entender, e ter mais um pouco de paciência, pois eu ainda teria que resolver as coisas com Arthur, que já não tinha tanta certeza se realmente gostava dele ou não, devido à forma como ele vem se comportando ultimamente.
Agora em frente ao espelho do meu quarto logo após experimentar o biquíni, comecei a olhar o meu corpo vendo que a peça tinha ficado pequena em mim. Não que eu não gostasse de usar fio dental, mas eu não sei se me sentiria confortável o suficiente usando isso para ir à praia com o Noah que com certeza já deve ter se relacionado com muitas mulheres bonitas.
Após ter tirado ele, e colocado o pijama, eu deitei na cama, e antes de pegar no sono vi uma mensagem do Arthur surgir na tela. Aff! O que será que ele quer?
"Estou passando aí na sua casa para conversarmos sobre o que aconteceu na lanchonete.
Li a mensagem revirando os olhos, pois eu não estava nem um pouco afim de discutir esse assunto com ele.
‘’Arthur eu já estou deitada e pronta para dormir, vamos deixar essa conversa pra outro dia, ok?’’
"Ok, como quiser.’’
‘’Obrigada por entender.’’
Terminei de enviar, e logo em seguida Bianca me mandou uma mensagem que dizia:
"Amiga, esqueci de te avisar, estou com os convites para a festa da Fê no sábado. Ela vai dar uma churrascada na beira da piscina, e o melhor de tudo é que vai ter vários gatinhos lá, assim você aproveita e desencana desse banana do seu namorado, pelo amor de Deus, amiga, o que ele fez na lanchonete hoje foi ridículo. Ele some e acha que o patrão está dando em cima de você, mas o que eu não entendi foi quando vi você abraçar o patrão. O que está acontecendo, amiga? Você não está se envolvendo com ele, né?
Ó sai fora dessa, porque você sabe perfeitamente bem que o homem é casado. A esposa dele não está aqui, mas os boatos dizem que sim. Fonte Fê do Rh. Boa Noite, miga! Beijinhos!’’
Ah se ela soubesse que Noah não está mais casado, e que a fonte Fê está totalmente equivocada.
‘’Bi, eu acho que vou sim, pois estou precisando me distrair um pouco, já que ultimamente a minha vida é só ficar discutindo com o Arthur, e quanto aos gatinhos, eu não estou afim de ficar com ninguém, mas não se preocupe que ainda esse fim de semana vou resolver algumas coisas com o Arthur. E tem mais, irei colocá-lo contra a parede. E sobre o nosso patrão… não se preocupe, ele só quis ser gentil comigo e pensou que o Arthur tivesse me importunando, mas isso também já foi esclarecido. Boa noite, Bi! Beijinhos pra você também.’’
Travei o celular colocando ao lado do travesseiro, e em seguida acabei pegando no sono.
Na manhã seguinte eu acordei normalmente, e quando vi mamãe abrir as cortinas do meu quarto como de costume, chamei ela para sentar na cama, já que eu teria que falar sobre o assunto de faltar aula para viajar com o Noah.
- Faltar aula, filha? Lembre-se que você está repetindo o terceiro ano. Eu só espero que você não queira, que isso aconteça novamente.
- Óbvio que não! Mas não se preocupe, que eu vou passar, já que as minhas notas estão ótimas, principalmente em matemática.
- Olha lá hein, eu não comentei sobre isso com o seu pai ainda, mas eu estou a um ponto de falar.
- Não mãe! Por favor não faça isso. Senão do jeito que ele é, é bem capaz de...
Quando eu vi a m***a que eu estava prestes a falar, acabei travando, pois nenhum dos dois poderiam saber o que estava acontecendo. Sei que é errado ocultar, mas do jeito que eles eram, seria bem capaz de irem contra, e o medo de papai impor algo ou até mesmo proibir de ver o Noah me assustava, principalmente se ele souber que o próprio é bem mais velho do que eu, e também que está em processo de divórcio com a ex mulher.
- Capaz de que, filha? - Perguntou com uma certa desconfiança.
- De nada, mãe, esqueci o que eu ia falar.
- Ah sim, e você e oArthur como estão?
- De m*l a pior, mãe, juro que eu estou a ponto de terminar esse namoro, já não estou aguentando mais.
- E isso tudo tem a ver com o rapaz? Você está gostando dele, não é? Não precisa falar nada, a sua cara está dizendo tudo.
Resolvi não dizer nada, pois em um ponto ela tinha razão. Realmente Noah estava mexendo comigo de uma forma insana, e isso era o que mais estava me preocupando no momento, já que o medo de me apaixonar por ele e quebrar a cara era grande. Então logo após vê-la sair do quarto, eu resolvi arrumar a bolsa, já que eu calculei que ele fosse passar aqui em casa o mesmo horário de sempre, mas assim que vi o celular tocar, eu fui ver quem era, e fiquei surpresa e ao mesmo tempo feliz ao ver o seu nome surgir na tela.
- Olá, bom dia, lindona!
- Bom dia, Noah! - Deitei na cama de bruços, enquanto mordia o lábio inferior. - Como você está?
- Melhor agora falando com você, e escutando essa vozinha linda.
Involuntariamente sorri feito uma boba, e suspirei escutando novamente a sua voz.
- E aí, animada pra viagem?
- Animadíssima para viajar com você outra vez.
Virei o corpo, e olhei para o teto me sentindo nas nuvens. Deus! Será que…? Não, ainda é muito cedo para isso, eu acho que está mais pra uma empolgação, devido a ele ser um homem dos sonhos de qualquer mulher, inclusive o meu.
- Sério? Adorei saber isso. Então gatinha eu estou te ligando, para avisar que eu tenho uma entrevista para fazer às dez na lanchonete aqui do bairro Gilberto, e devido a isso, eu irei passar aí para lhe buscar às onze, ok?
- Ok, sem problemas. Ficarei aqui lhe aguardando, ok?
- Sim, e eu vou ficar aqui segurando a minha ansiedade em querer estar com você novamente.
- Ah, é? Eu também estou muito ansiosa pra te ver de novo.
Mesmo que eu estivesse morrendo de vontade de dizer a ele tudo o que estava sentindo no momento, eu não podia, pois tinha que agir com cautela, visto que só fazia cinco dias que nos conhecíamos.
- Então somos dois. Beijinhos minha linda, até mais tarde.
- Até mais, gatão!
- Amei o gatão, viu? Beijinho.
- Outro.
Fiz um bico soltando um beijo, e logo após encerrei a ligação. E em seguida sai do quarto indo em direção à cozinha, onde mamãe estava sentada à mesa tomando o seu café tranquilamente, enquanto mexia no celular.
- E o rapaz irá te buscar que horas? - Perguntou logo após lagar o aparelho sobre a mesa.
- Às onze. - Falei logo após sentar na cadeira ao seu lado.
- Ah sim, e se ele vai vir esse horário, por que pediu que você faltasse aula hoje? Já não gostei disso, começou bem m*l.
- Mãe, ele só fez isso, porque quer me levar a Guarapari.
- Entendi... Você não acha que esse rapaz está indo rápido demais? De cara te leva à praia como ele fez na quarta, agora quer que você falte aula para viajar com ele. Daqui a pouco vai querer chamar você pra morar junto. Vocês se conhecem há quanto tempo?
- Cinco dias.
Peguei o prato e em seguida o pão e abri ele ao meio com a faca para após passar manteiga.
- Cinco dias! - Exclamou, e em seguida ergueu as sobrancelhas parecendo surpresa. - É, ele está bem apressadinho, e tem mais, você ainda está namorando com o Arthur. Eu sei que o rapaz está se esquivando, mas você tem que dar um rumo nessa situação. Bom, estou falando isso para o seu bem, filha. Você é muito jovem, imatura e tem muita coisa a aprender sobre a vida, inclusive sobre os homens.
- Eu sei, a senhora não precisa se preocupar quanto a isso, vou resolver a minha situação com Arthur ainda esse fim de semana, já que o meu sentimento por ele está diminuindo aos poucos, devido ao que o próprio vem aprontando, e não é só isso, mas por causa do...
- Seu patrão. - Ela completou me deixando um pouco em choque, já que eu não tinha contado nada a ela, sobre os meus sentimentos referentes a ele.
Será que isso estava tão na cara?
- Realmente não tem como esconder nada da senhora. - Ri. - Eu estou começando a gostar dele, sim. Ah, não tem como não gostar de um homem igual a ele, incrível, gentil, amoroso…
Suspirei olhando para o azulejo da cozinha, que era azul Royal, com alguns detalhes brancos.
- Só vou te dizer uma coisa, não se apaixone, e nem se apegue muito rápido a esse rapaz, vá com calma para você não se machucar, ok?
- Ok! Eu já estou ciente disso há bastante tempo, o André e o Arthur foram uma grande escola para mim.
- Assim espero.
Ela disse logo após sair da mesa, e depois que eu tomei café, fui ajudá-la nas tarefas domésticas, já que teria até as onze para fazer isso.