Agora você está me mostrando outra coisa.
- Qual? - Perguntei curiosa.
- Que você é bem carinhosa, e eu amei isso.
Ergui um pouco o rosto para olhá-lo, e depois virei o corpo para o lado vendo uma de suas mãos, pousar na minha cintura.
- Você também é carinhoso e muito gentil.
Ele continuou me olhando, só que dessa vez o seu olhar era mais sério e me analisava com uma certa precisão.
- Lindy, eu posso te fazer uma pergunta?
- Aham, quantas você quiser.
- Você realmente está disposta a largar o seu namorado para ficar comigo? - Ual! Fiquei em choque com a sua pergunta! Jamais em hipótese alguma, imaginaria que ele fosse me colocar contra parede tão cedo. - Sabe por que eu estou perguntando isso? Porque do jeito que as coisas estão caminhando entre nós dois, não vai demorar muito para acabarmos nos envolvendo mais a fundo, entende? E eu preciso saber se realmente quer ficar comigo ou não?
- Bom, eu não vou negar que nesse momento eu ainda estou confusa com tudo que está acontecendo, e não vou mentir para você que eu ainda sinto algo pelo Arthur porque no fundo sim. Talvez esse tenha sido o motivo para eu ter voltado na minha decisão de terminar com ele ontem à noite. Desculpa estar te falando isso, mas eu só quero jogar limpo com você, da mesma forma que está fazendo comigo.
- Espera! O seu namorado esteve na sua casa ontem à noite? - Perguntou com uma leve curiosidade em seu olhar.
- Sim, mas antes de entrar em casa eu nem sabia que ele estava lá. Bom, estou falando isso devido ele ter as chaves da qual eu tinha dado uma cópia a ele logo no início do nosso namoro.
- Entendi...
- Então eu posso continuar com o assunto?
- Claro, eu quero escutar o que você tem a me dizer. - Bateu de leve no meu joelho.
- E também não irei ocultar, que eu estou muito balançada em relação a você. - Falei aquilo sem pensar nas consequências se ainda era certo ou não tocar no assunto.
- Isso é um sinal de que você quer ficar comigo?
- Não foi isso que eu disse, bom eu estou muito dividida, entende? No fogo cruzado pra falar a verdade. Entre a cruz e a espada.
Percebi o seu peito subir e depois voltar ao normal, provavelmente ele deveria estar digerindo tudo o que eu tinha acabado de falar.
- Então você ainda gosta do seu namorado?
- Aham. Mas eu não quero ficar longe de você, entende? Tô gostando muito de tudo que está acontecendo, e é por isso que eu quero ir te conhecendo aos poucos, já que só tem três dias, e ainda é muito cedo para eu tomar uma decisão. Concorda comigo?
- Concordo. Eu sei que estou querendo apressar as coisas, por estar muito a fim de você, mas eu entendo que você tem que resolver algumas coisas primeiro com o seu namorado, e mediante a tudo eu realmente estou feliz em saber que causo alguma coisa em você. - Pousou a mão sobre o meu ombro. - Gatinha vamos lá, já vai dar cinco horas. - Ele disse olhando para o relógio.
- Mas já? Nossa, a hora passou tão rápido!
- Passou sim, como um foguete. - Riu.
Assim que levantamos, ele colocou a camisa, e depois fomos caminhando juntos até o quiosque para eu me trocar.
- É incrível como você fica linda vestindo qualquer roupa. Até esse uniforme de colégio.
- Você é muito exagerado!
- Não sou nada. - Me analisou novamente por alguns segundos. - Ficou toda vermelhinha.
- É, esqueci de passar o protetor. - Fiz uma leve careta. - Você também está bem vermelho. - Riu.
- É inevitável eu ir à praia e não ficar vermelho. Mesmo passando protetor, é que eu sou muito branco.
- É verdade, brancão. - Ri.
- Gatinha! - Aproximou-se de mim, me abraçando. - Abraçar pode né? - Perguntou acariciando minhas costas.
- Pode. - Respondi também fazendo o mesmo com ele.
(...)
Noah
No dia seguinte, acordei no mesmo horário de sempre às cinco e quarenta da manhã, para fazer a minha caminhada matinal, já que daqui a pouco eu iria buscar a Lindy para leva-la ao colégio. E no caminho de volta ao prédio, eu comecei a pensar na conversa que tivemos ontem na praia. Sei que fui um pouco precipitado, mas eu tinha que colocá-la contra a parede para saber se realmente estava certo sobre o seu interesse ou não, já que antes da conversa, ela só dava sinais e não falava nada, mas ontem eu fiquei aliviado ao saber que ela está começando a sentir algo por mim, e também triste por saber que infelizmente o seu namorado ocupava um lugar em seu coração. É, estou com sorte de milhões como diz Christóvão, e infelizmente no quesito relacionamento eu não estava tendo tanta sorte como nos negócios. No entanto, o tempo irá dizer, que se for para ser vai ser. Porém senão, nem sei o que irei fazer, já que será impossível encontrar uma mulher igual a Lindsay.
Passei pela portaria, e cumprimentei o porteiro, logo após entrar no prédio, e depois fui em direção ao elevador já que eu estava demasiadamente cansado para ir de escada. Alguns minutos mais tarde, logo após tomar um banho e colocar a minha típica roupa de trabalho, eu peguei a chave do carro, e saí para buscá-la. Quando estacionei o veículo em frente a sua casa no horário combinado, que foi as 6:30, vi ela caminhar até o portão linda como sempre, e com um belo sorriso no rosto.
- Bom dia, minha linda!
Eu disse vendo ela abrir o portão e quando a própria se aproximou do carro, observei que o seu rosto estava bem vermelhinho, mas eu não podia falar nada, já que o meu não estava muito diferente disso.
- Bom dia! - Riu. - Você também ficou com o rosto bem vermelho.
- Também. - Ri - Da próxima vez que fomos, não podemos esquecer de passar o protetor.
- E vai ter próxima vez? - Perguntou com o cenho franzido. Com certeza ela estava duvidando da minha palavra.
- Claro que vai, não só a próxima, como muitas. Entra aí, boneca.
Observei ela rodar o carro e entrar. Ao se acomodar pude ver que o seu rosto estava com um pouco de maquiagem, então eu logo saquei que ela queria esconder algo das amigas, que se percebessem com certeza a encheria de perguntas.
- E aí já tomou café? - Perguntei logo após dar um beijo no seu rosto.
- Tomei.
- Tem certeza, não está mentindo para mim? - Estreitei um pouco o olhar enquanto a encarava. - Olha lá hein.
- É sério, acredita, mamãe praticamente me forçou a sentar à mesa para tomar café com ela.
- Então tá, vou acreditar em você. - Apertei a pontinha do seu nariz, e logo em seguida liguei o carro.
(...)
Depois de ter deixado ela em frente ao colégio, e visto a própria correr feito um foguete para dentro, eu resolvi dar as caras na lanchonete Gilberto Machado, já que lá costumava funcionar pela manhã e fechar às seis da tarde. Diferentemente do centro que só funcionava na parte da tarde. Depois de ter conversado e também esclarecido algumas pendências de trabalho com o Guilherme que queria contratar mais dois funcionários, eu voltei para o apartamento, pois ficaria trabalhando e resolvendo algumas coisas do restaurante pelo notebook, como a reunião que eu teria às dez por vídeo chamada com dois de nossos fornecedores do restaurante de Meaípe, e também o Christóvão que iria participar conosco já que agora ele estava lá.
Por volta do meio-dia, eu peguei a chave do carro e desci para buscá-la, e de lá ficar o restante do dia na lanchonete do centro, sendo que também tinha algumas pendências a serem resolvidas com o Jaime, inclusive as obras que seriam realizadas para repará-la, já que a própria estava um pouco decaída como o Christóvão havia dito, mas ao estacionar o carro em frente ao colégio da Lindy alguns minutos depois, meu sangue ferveu ao ver que um i*****l estava cercando ela que claramente parecia irritada e querendo fugir do cara que acabou segurando em seu braço, e aquilo foi o motivo para eu sair do carro, pois eu daria um chega para lá nesse i****a.
- Larga ela agora, seu i*****l! - Vociferei logo após me aproximar deles.
- Quem é você? - O i****a ainda teve a audácia de me encarar de cima a baixo com um certo desdém.
- Não te interessa! - Fui ríspido, já que ver aquele i*****l agarrando ela e sacudindo não tinha me agradado em nada.
- Então é assim né Lindsay, já está abrindo as pernas para outro Zé mané. Seu namorado sabe disso?
- O que você tem haver com a minha vida, André? Acabou! Entendeu? Me deixa em paz!
Vê-la nesse estado, tinha me deixado ainda mais nervoso e preocupado, pois ela não contou a história de que tinha um ex que não aceitava o termino da relação, e no fundo eu entendia, já que a Verônica estava fazendo o mesmo comigo, só que agora graças a Deus ela tinha dado uma trégua.
- Não escutou o que ela disse? Acabou! Deixa ela em paz! E escuta só, se você importunar - la como estava fazendo agora, esqueço que é aluno desse colégio, e te quebro no meio entendeu? - Ameacei.
- Fique sabendo que eu não tenho medo de você, i****a. - Ironizou, e aquilo me deixou profundamente irritado.
- Pois deveria, porque eu te quebro em questão de segundos. Você não é páreo para mim, garoto, pode até achar que é, mas não... Vamos, Lindy! - Segurei no seu braço e antes de caminhar com ela até o meu carro disse: - Já está avisado. - Adverti apontando o indicador na direção dele e depois segui com a Lindsay até o veículo.
- Você está bem? - Perguntei todo preocupado logo após entrarmos no carro.
- Sim, melhor agora depois de ver a forma que me defendeu do André. Obrigada, meu herói!
Novamente me surpreendi quando ela me abraçou e depois deu um beijo no meu rosto.
- Não precisa agradecer, minha linda, te ver ali toda vulnerável à mercê daquele i*****l, despertou algo primitivo dentro de mim, e uma enorme vontade de protegê-la.
- Você é incrível! Desculpa não ter te falado sobre isso, é que eu não gosto muito de tocar nesse assunto.
- Sem problemas, eu deduzi que vocês já tivessem tido algum envolvimento. Eu entendo você, porque infelizmente a Verônica também não aceitou muito bem, e de vez em quando fica me perturbando. Mas graças a Deus ela deu uma trégua.
Automaticamente desci o olhar, e parei em suas pernas, vendo que ela estava vestida com um shortinho de coton.
- Para de ficar olhando a minha perna. - Me advertiu.
- Eu nem reparei que você estava usando esse shortinho, mas não fica griladinha, que eu fiquei bastante satisfeito com o que eu vi ontem.
Sorri malicioso ao lembrar dela só de biquine. Na hora eu tinha ficado de p*u duro.
- Eu aposto que nessa sua cabecinha estão se passando mil coisas.
- Com certeza, não sabe quantas... - Pisquei vendo ela sorrir em seguida.- Vamos lá. - Assentiu. - Se quiser quando chegar lá pode tomar um banho no banheiro que tem no escritório.
- Melhor não, eu não quero que o povo de lá fiquem especulando algo depois.
- Tudo bem, lindona, como você quiser.
Como a lanchonete ficava a três quadras do seu colégio, ela pediu para que eu parasse o carro na padaria. Então eu fiz observando ela sair e caminhar até a avenida principal em que ficava a lanchonete. Assim que parei o carro no mesmo lugar de sempre, que era ali perto, a vi conversar com a Bianca, enquanto ambas riam. Passei por elas e as cumprimentei, mas não deixei de piscar disfarçadamente para Lindy que com certeza deveria ter ficado toda sem graça. Quando entrei no escritório, vi que Jaime estava sentado mexendo em algo no computador.
- Boa tarde, patrão! - Ele disse levantando da cadeira.
- Boa tarde, Jaime!
Deixei a pasta que trouxe para resolver algumas pendências com ele referente ao orçamento das obras na poltrona que tinha ali, e depois pedi que sentasse na cadeira de secretária sem rodinhas.
- Noah, amanhã é a entrevista com a funcionária que você pediu para contratar. A Fernanda me ligou e disse que marcou para às dez da manhã lá na lanchonete do bairro Gilberto.
- Ah sim… Falei com ela que eu mesmo irei fazer essa entrevista, é que eu gosto de conhecer quem vai trabalhar para mim.
- Entendi…
- Então Jaime, vamos conversar sobre os orçamentos das obras, ok?
- Sim, patrão.
Depois de conversar, e ver que nós tínhamos o suficiente no caixa para iniciar com as obras, Jaime saiu dali e foi resolver algumas coisas com o nosso contador, pois iniciaremos as obras ainda esse mês. Após ter visto algumas planilhas dos lucros mensais da outra lanchonete, eu resolvi sair pois eu iria até o shopping sul, comprar outro biquíni para presentear a minha gatinha, que era super sexy, já fiquei imaginando ela usando-o.
- Opa! - Acabei encontrando ela logo após ter saído do escritório.
- Ah, eu só estou indo ali na cozinha entregar essa bandeja a Clarissa. - Falou, e logo seguida olhou para o chão, e eu me dei conta, de que ela tinha ficado sem graça.
- Tudo bem, fique a vontade, lindona.
- Ok! Então eu vou indo, com licença.
Notei que ela estava querendo se esquivar, mas eu entendia o medo que ela tinha, de que as pessoas dali descobrissem algo, com certeza deveria ser por causa do seu namorado.
- Ei, Lindy. - Segurei no seu braço, ao ver ela fazer menção para sair.
- O quê? - Virou um pouco o pescoço, seguido de uma mordida que ela deu no canto do lábio inferior. Cassete! Essa garota realmente sabia me provocar de um jeito que me deixava louco.
- Preciso muito te perguntar uma coisa.- Disse por fim, vendo ela ficar de frente para mim.
- Que coisa? - Franziu as duas sobrancelhas.
- Você já foi a Guarapari?
- Uma vez, mas eu não me lembro direito, já que era bem pequena.
- Ah sim...
- Por que a pergunta? - Ela pareceu bastante curiosa, e eu não quis falar ainda, até comprar o biquíni e entregá-la.
- Por nada, morena. Agora deixa eu ir lá, pois eu irei resolver umas coisinhas, daqui a pouco eu estou de volta.
- Ok, e eu entregar essa bandeja na cozinha e voltar ao trabalho né. — Ela Sorriu enquanto levantava a bandeja que era de alumínio.
- Claro, vai lá. - Pisquei, e logo após vi ela virar as costas, e seguir até a cozinha.
(...)
Já no shopping, eu entrei em uma loja de biquínis que se chamava Magia do mar, e perguntei à vendedora se ela tinha um biquíni tamanho p do modelo que eu havia visto.
- Temos, sim.
Olhei para a peça e vi que ela me agradou bastante, já que eu estava imaginando Lindy vestida com essa peça.
- E também temos esse mesmo modelo, só que na cor rosa. - Ela continuou dizendo enquanto me mostrava a outra peça.
- Eu vou ficar com esse vermelho, já que me agradou bastante.
- Ok! É para presente?
- Sim. - Respondi vendo ela embalar, e colocar na sacola da loja. Antes de passar o cartão, eu perguntei a ela se tinha alguma lingerie.
- Então nós temos esse modelo. - Ela me mostrou dois que eu não tinha gostado muito, e depois tirou outro do pacote do qual era perfeito, pois eu já comecei a imaginar ela vestida nele.
- Perfeito! Vou levar esse aqui. - Apontei para a peça, e a vi colocar no saquinho, e depois de embrulhar, por junto com o biquíni.
- Muito obrigado! Volte sempre. - Ela agradeceu logo após eu ter realizado a compra.
- Por nada, obrigado você, tchau tchau.
Após sair da loja, eu caminhei até o estacionamento do shopping, e pensei se eu estava fazendo certo ou não de estar indo rápido demais. O biquíne, tudo bem, mas será que ela iria gostar da lingerie? Eu espero que sim.
(...)
Assim que cheguei, vi que ela estava atendendo um cliente, que ocupava a mesa dez, e também reparei que o seu cabelo balançava conforme a ventania que estava ali, e isso acabou a deixando mais linda. Meu Deus! Então para disfarçar um pouco e fazer com que as outras meninas não percebessem eu resolvi passar normalmente ali e cumprimentá-las, e depois seguir até o escritório.
Quando eu abri a porta, e me acomodei na cadeira deixei a embalagem sobre a mesa, e peguei o celular na intenção de mandar uma mensagem para que ela viesse aqui, por mim eu entregaria esse mimo a própria na frente de todos, mas para não deixá-la chateada e também constrangida, eu resolvi fazer isso no sigilo.
‘’Gatinha, tem como você dar um pulinho aqui no escritório rapidinho?’’
Resolvi manter em segredo, pois eu queria fazer surpresa para ela que respondeu de imediato.
"Então, eu estou acabando de atender o cliente. ?’’
‘’Bom, vê se a Bianca ou a Larissa, não estão atendendo, e passa o cliente para que elas possam atender.’’
‘’Ok! Eu vou ver aqui.’’
‘Tranquilo.’’
Esperei alguns segundos, e ela mandou outra mensagem.
‘’É urgente?’’
‘’Sim.’’
‘’Ok! Então eu vi que a Bi está desocupada, e passei para ela. Já estou indo.’’
‘’Beleza então, vou te aguardar.’’
(...)
- Oi. - Ela falou timidamente logo após abrir a porta.
- Sente-se, por favor. - Apontei para a cadeira vendo ela se acomodar.
- Então, eu fiz alguma coisa de errado? Que não te agradou muito? - Fui obrigado a rir já que ela estava demonstrando um certo medo.
- Não fez nada, minha linda, está trabalhando direitinho.
- Ah, sim. - Sorriu com uma certa timidez. - Bom, se não é isso, então porque me chamou?
- Chamei porque eu tenho uma coisa para você.
- Que coisa? - Perguntou curiosa, e eu empurrei a sacola na sua direção. - É para mim? - Percebi um certo brilho surgir em seu olhar.