— Cansei de fingir que não sinto. Que não te olho como um homem olha uma mulher que deseja. Cansei de lutar contra isso.
Ela encostou-se na parede, a respiração presa.
— Você é o tipo de homem que gosta de ter tudo sob controle, Leonardo. Eu não sou parte desse tipo de jogo.
Ele se aproximou devagar. Sem tocar, mas invadindo o espaço dela com a presença quente e dominante.
— Não é um jogo. Com você… eu não sei jogar.
O silêncio pesou. As palavras pairaram entre eles como eletricidade.
E então… o beijo aconteceu.
Forte. Urgente. Como se ambos segurassem aquilo há tempo demais.
As mãos dele foram para a cintura dela. As dela, para o colarinho da camisa. Os corpos se pressionaram, a parede testemunha de algo que eles não podiam mais evitar.
Eles se afastaram por um segundo, ofegantes.
— Isso... não devia estar acontecendo, sussurrou Renata, os olhos ainda fechados.
— Mas está. E você quer tanto quanto eu.
Ela o olhou.
— E amanhã? Vai fingir que nada disso existiu? Vai me tratar como mais uma funcionária?
Leonardo hesitou.
— Eu não sei como lidar com o que você me faz sentir.
Ela se afastou, o olhar firme.
— Então aprenda. Ou me perca.
E sem esperar resposta, abriu a porta. Ele entendeu. Saiu. Mas antes de cruzar a entrada, virou-se:
— Isso não acaba aqui, Renata. Você me tirou do eixo… e agora eu não sei mais viver no lugar onde você não está.
Sozinha no quarto…
Renata deitou na cama, o coração a mil.
O beijo foi real.
Mas o medo também.
Porque o que sentia por Leonardo Salles estava crescendo rápido demais… E ela sabia que por trás daquele homem havia mais segredos do que ele deixava transparecer.
E no fundo, ela sentia…
Isso não era só desejo. Estava virando algo muito mais perigoso.
O jantar daquela noite era em um restaurante luxuoso à beira do Sena. Leonardo e Renata chegaram juntos, impecáveis. Mas algo neles havia mudado. O olhar, o silêncio... o peso do beijo da noite anterior ainda pairava entre os dois.
Na mesa, estavam dois investidores franceses e uma mulher loira, elegante, com um sorriso sedutor e olhar afiado. Ela falava com Leonardo em francês fluente, com uma i********e que incomodava Renata.
Renata sorriu educadamente, mas ficou atenta. Quando a mulher estendeu a mão e se apresentou, o nome fez o coração de Renata dar um pequeno salto:
— Isabela Moreau.
Leonardo ficou visivelmente desconfortável por um instante. Mas disfarçou.
— Isabela é... uma antiga amiga da família.
Mas Renata viu. O jeito como Isabelle tocava no braço dele. O modo como os olhos de Leonardo evitavam os dela. Havia história ali.
Durante o jantar, enquanto todos brindavam ao sucesso, Renata ouviu uma troca sussurrada em francês entre Isabelle e um dos investidores. E embora ninguém ali soubesse que ela entendia a língua, Renata compreendeu cada palavra.
“— Ainda não acredito que ele está aqui com outra. Pensei que nunca superaria a morte dela...”
“— Ele nunca superou. Só aprendeu a esconder.”
Renata congelou. “A morte dela?”
Ela manteve a expressão serena. Mas por dentro, mil perguntas surgiram.
Quem era “ela”?
O que aconteceu?
Por que Leonardo nunca falou sobre isso?
Mais tarde, no hotel
Renata entrou no quarto e jogou os saltos no chão. Sentia o peso de uma verdade que ainda não conhecia.
Minutos depois, a campainha soou. Ela já sabia quem era.
Leonardo.
— Você ouviu, não é? — ele disse, antes mesmo de ela perguntar.
— Sim. E quero saber de tudo, Leonardo.
Ele fechou os olhos por um instante, como se reviver algo antigo.
— Isabela era noiva do meu irmão. E a mulher de quem ela falou... era a minha ex-noiva. Ela morreu há três anos. Em circunstâncias que... eu nunca consegui superar completamente.
Renata sentiu o baque.
— Você ainda ama ela?
Ele hesitou. Depois, respondeu com sinceridade:
— Eu não sei se o que sinto é amor ou culpa. Mas sei que o que estou começando a sentir por você... é real.
Renata ficou em silêncio. O coração apertado. A cabeça cheia de dúvidas.
Porque agora, ela não era só a mulher que havia beijado o CEO…
Era a mulher que estava começando a se apaixonar por um homem com segredos demais — e feridas que talvez nunca tenham cicatrizado.
O voo de volta ao Brasil estava marcado para o fim da tarde. Mas a mente de Renata não conseguia descansar.
Leonardo havia passado a noite em silêncio. Depois da confissão sobre a ex-noiva falecida, ele se trancou em si mesmo. Voltou a ser o CEO distante, frio… como se o beijo, a viagem e as palavras não tivessem acontecido.
Renata arrumava suas coisas sentindo um misto de frustração e angústia. Ela queria ir embora, mas parte dela queria ficar. Ficar… por ele.
Quando desceu com a mala, Leonardo já a aguardava no saguão do hotel. Terno impecável. Óculos escuros. Máscara de CEO novamente encaixada no rosto.
— Tudo pronto? — ele perguntou, com a voz neutra.
— Depende. Estamos voltando ao Brasil... ou ao ponto zero?
Leonardo não respondeu. Mas o músculo pulsando no maxilar mostrava que a pergunta o atingira.
Já no saguão de embarque, enquanto Renata tomava um café sozinha, uma voz masculina a chamou:
— Renata?
Ela se virou devagar… e congelou.
Era Daniel.
O ex-namorado.
Aquele que partiu seu coração. Aquele que ela pensava nunca mais ver.
— Meu Deus... o que você está fazendo aqui?! — ela perguntou, com o coração disparado.
— Vim fechar um contrato. Vi você de longe e não acreditei. Paris... você sempre disse que sonhava vir pra cá.
Ela engoliu seco.
— E você sempre prometeu que viria comigo. Mas quebrou essa promessa, assim como quebrou todas as outras.
Daniel pareceu desconfortável.
— Você está bem? Está... acompanhada?
Antes que Renata pudesse responder, Leonardo apareceu ao lado dela. De repente. Imponente. Possessivo.
— Está sim. E ela está comigo.
Daniel ergueu as sobrancelhas.
— Você é o chefe dela?
— Sou o homem que está ao lado dela agora. Só isso importa.
Renata ficou em silêncio, surpresa com o tom firme de Leonardo. Mas também sentiu... proteção. E algo mais.
Daniel tentou manter a pose, mas o recado estava dado. Despediu-se com um sorriso sem graça e foi embora.
Leonardo virou para ela:
— Ele é o motivo das suas defesas?
— E a sua ex-noiva é o motivo das suas?
Eles se olharam.
Dessa vez... sem máscaras. Sem escudos.
Leonardo respirou fundo.
— Vamos voltar. Mas quando estivermos em São Paulo... quero jantar com você. Sem empresa, sem cargo. Só eu e você.
Renata encarou o olhar dele, firme.
— E se eu aceitar... você vai parar de fugir de mim?
— Se você aceitar, Renata... eu prometo começar a parar de fugir de mim mesmo.
Renata olhava pela janela, o coração mais acelerado do que a própria aeronave.
Ela estava envolvida demais. Emaranhada em sentimentos que não conseguia mais ignorar.
Mas ela sabia...
Amar um homem como Leonardo Salles nunca seria fácil.
Especialmente quando os segredos do passado ainda estavam longe de acabar.