Cuidado menina!

1295 Words
Brasília, 5 de Janeiro de 2016 às 06:40 Por Anne Rocha "Ele me abraça forte por trás, posso sentir o cheiro do seu perfume amadeirado, másculo como ele todo. Ele é muito mais forte pessoalmente. — Minha doce menina, esperei tanto por você, toda a minha vida! A voz dele é suave, como a brisa do mar ao tocar a minha pele sensível. Fecho os olhos para receber os seus beijos ardentes. Sua boca desliza pelo meu corpo, que arqueia de encontro ao dele instintivamente. Ele está quase lá... no ponto onde arde, onde pega fogo. — Oh, por favor — peço, e ainda não sei pelo que estou pedindo. Ouço ao longe alguém gritar: — Corre, Anne! Corre! Tento discernir de quem é a voz, mas é difícil enquanto ele está com a boca passeando pelo meu corpo inteiro. Não consigo pensar direito, apenas sentir. — Foge, Anne! — a voz insiste. Acho que conheço essa voz. É o meu pai." Pulo na cama, assustada e chateada. Mas que droga! Até nos meus sonhos o meu pai estraga os meus momentos íntimos. Pego o meu celular. Coloquei a foto do Marcelo Augusto como papel de parede. Olho para ela mais uma vez, tentando decifrar aquele olhar. Como uma garota pode se apaixonar por uma foto e meia dúzia de palavras? Também não entendo. Ele não ficou mais online nos últimos dias. Sinto saudade... Perdi a conta de quantas vezes me peguei olhando aquela única foto, relendo suas palavras: "se você fosse minha..." Como seria ser dele? "Sonha, Anne, não custa nada", minha anjinha interior adverte. Ela é uma chata. — Estraga-prazer — resmungo. --- Por Khalid Shall Às 08:30 — Está tudo certo para hoje à noite! — Kléber fala ao entrar no meu escritório. — Gastei uma boa quantia com a Beatriz, uma das amantes do homem. Ela vai avisar quando ele chegar no apartamento dela. Vai ser moleza... Disse que ele sempre dispensa o segurança assim que sobe. — Hmmm... E o que faremos com a moça? — pergunto, pensativo. — Não mato mulheres, a não ser que elas tentem me matar! — Ela falou que vai viajar com a grana que eu lhe dei — Kléber afirma. — Você já deu o dinheiro? — Sim. O que há com você? Não poderemos voltar para dar o dinheiro a ela. Seria tolice. Está lento hoje, chefe? — Espero que você não esteja sendo rapidamente incompetente — digo, irritado. — O senhor espera no local. Te entregamos o homem para que possa concluir o trabalho... — Certo. Bata antes de entrar da próxima vez — olho em direção à porta para que ele se retire. Não gosto de mudanças de última hora. Nunca são uma boa opção. Quando elaboro um plano, faço-o com muito cuidado e planejamento. Espero que o Kléber saiba o que está fazendo. Ligo o computador, e lá está aquele rostinho belo me olhando, toda meiga, toda esperta... Anne: Trabalhando muito, Senhor Mandão? Marcelo: O necessário. Anne: Aposto que é um desses empresários que trata m*l a secretária. Marcelo: Não tenho secretária, mas, se tivesse, só a trataria m*l se ela me pedisse. E o faria com muito prazer... Anne: Quem faz o seu café? Marcelo: Não tomo café, mocinha. Curiosa, hein? Anne: Muito. Você é tão misterioso. Marcelo: Fica melhor me chamando de Senhor... Anne: VOCÊ ficaria melhor fazendo muitas outras coisas, e, no entanto, não estou exigindo nada. Marcelo: Atrevida! Droga! Pare com isso, menina. Anne: Você não sabe o quanto. Marcelo: Cuidado, menina! Levanto da cadeira confortável e começo a andar pela casa. Preciso arejar a mente. Solto um pouco a gravata, jogo água no rosto e me olho no espelho. Preciso fazer a barba. Embora a maior parte do meu trabalho seja feita atrás de um computador, gosto que as pessoas que trabalham comigo me vejam sempre bem-arrumado. Afinal, minha imagem influencia diretamente no respeito delas por mim. "Alguém que não cuide de si mesmo não terá cuidado com seus colaboradores." Sigo para a garagem. Alexandre me segue de longe. Eu realmente queria ficar um pouco só, para pensar no que fazer com aquela mocinha atrevida. — Senhor Khalid — Alexandre me chama. — Precisa de algo? Penso um pouco. Ando em volta do carro. O homem torna a falar. — Está tudo bem? — O que acha desse carro? — pergunto. — Muito bonito, senhor. Um carro para passear com a namorada, levá-la ao parque, ao cinema e para dançar. É bom demais dançar agarradinho, conversinha ao pé do ouvido... Namorada? Que loucura. Não tenho essa permissão. Mas a imagem de Anne imediatamente me vem à mente. Menina endiabrada. — Apaixonado, Sr. Shall? — Pela vida, Alexandre. Chega de falar, homem... --- Por Anne Rocha Às 21:00 Meu pai tirou o dia todo para ficar comigo. Como o meu aniversário está próximo, ele me levou para passear no shopping. Fiz compras, fomos ao cinema, assistimos a um filme de ação juntos, coisas que só fazemos em ocasiões especiais. À noite, fomos jantar no meu restaurante favorito. É um restaurante que serve um único prato, um pedaço de carne com batatas fritas, uma salada chique e um molho maravilhoso. O mais legal é que você pode comer o quanto quiser de batatas fritas. Eu amo esse lugar. Mas, quando começamos a comer, o celular do meu pai tocou. Ele disse que teria que ir embora e que eu deveria terminar o jantar, pois o motorista ficaria me esperando lá fora para me levar para casa. — Mas, e o senhor? — perguntei, referindo-me ao carro. — Vou de táxi. E, Anne... Não esqueça de pedir a sobremesa. E ele se foi numa pressa só, esbarrando nas pessoas. Meu pai vive assim, nervoso, preocupado, ansioso, por causa do trabalho. Mas meio que me acostumei com isso. Ele ama o que faz, e eu tenho muito orgulho da sua coragem. É necessário muita coragem para arriscar a própria vida pelos outros. Terminei minha refeição sozinha, voltei para casa e para o meu notebook. Mensagens não lidas. É dele! Meu coração até acelerou. Marcelo: Pare de falar com desconhecidos na internet!!! Anne: Tenho muita relutância em seguir ordens, senhor desconhecido! Marcelo: Será um prazer te ensinar bons modos. Anne: É uma ameaça ou um convite? Marcelo: Não me provoque, senhorita. Anne: Te provocar se tornou a minha atividade favorita. Marcelo: Vou ter que sair agora. O dever me chama. Vá dormir! — Tchau pra você também — resmunguei para mim mesma, emburrada. Mas que droga! Será que ele está pensando em me afastar? Ou não quer que eu fale com outras pessoas além dele? Será que está com ciúmes? Escolho a segunda opção. Olho para a tela do meu celular e lembro das palavras do meu pai: "os homens são uns animais". Procuro por algo no Marcelo que prove que o meu pai está certo. Releio todas as nossas conversas e não encontro nada. Ele é educado comigo, de certa forma contido, como se não escrevesse tudo o que pensa. Nem se compara com os outros caras com quem converso. Relembro do sonho que tive com ele, e um arrepio me percorre a espinha. Foi apenas um sonho, Anne. De qualquer forma, o desejo de ser ao menos beijada por esse homem só aumentou. Minha anjinha interior se manifesta. Claro que ela acha que um homem como ele não se contentaria com um beijo. Pois que não se contente. Minha diabinha interior dá cambalhotas de alegria. Se for para me perder naqueles braços, que eu me perca. Se for para correr perigo com aquela boca invadindo todas as partes sensíveis do meu corpo, eu aceito. Anne: Eu aceito me perder no seu mundo misterioso! Aperto "Enter" e vou dormir.
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