CAPÍTULO 04

2138 Words
[•••] Ícarus foi levado pelos guardas e enfiado dentro de um quarto espaçoso e organizado pouco depois do pôr do sol. Ele engoliu em seco ao ver a porta ser fechada logo atrás dele, antes de os guardas o lançassem um último olhar desejoso (não podiam tocar nele, mas nada os impediam de olhar abertamente). O jovem sabia que a porta estava apenas encostada, mas tinha um senso de autopreservação bom o suficiente para saber que não deveria tentar escapulir sorrateiramente para fora dalí. Argon Lykaius. Esse era o nome do homen que havia ganhado o duelo final e consequentemente o ganhado também. O rapaz havia ouvido a conversa dos guardas que estavam do lado de fora do pequeno quarto em que ele estava sendo mantido antes. Eles conversavam de forma animada sobre como esse Argon havia derrotado o outro oponente em questão de segundos, jogado-o no chão como se não fosse nada (Ícarus desconfiava que esses boatos eram completamente exagerados). Além disso, toda pessoa naquele continente já havia ouvido falar pelo menos umas cinco vezes do grande general de Arlant. Segundo os boatos, esse homem parecia ser descendente do próprio Hércules, incrivelmente habilidoso com qualquer arma e praticamente impossível de ser morto. O homem andava com um alvo ambulante nas costas, porque a maioria dos inimigos de Arlant achavam que bastava se livrarem do general para todo o reino se desestabilizar. Ícarus engoliu em seco, tentando aceitar o fato de que finalmente iria servir o propósito para qual foi treinado durante os últimos anos. Escravos ali em Arlant eram bem tratados, mimados e cheios de riqueza, e a beleza do jovem fez com que ele tivesse sido justamente treinado para servir alguém importante ou da realeza. O jovem tinha se mantido cuidadosamente virgem, porque segundo o mestre dos escravos no templo onde ele havia morado nos últimos anos, isso o faria ter ainda mais prestígio no futuro. A verdade é que Ícarus não sabia ao certo o que achar daquilo. muitos jovens (homem e mulheres) se voluntariávam a servir a realeza, dando em troca de um pouco da sua liberdade uma chance de ter uma vida minimamente confortável, pois para aqueles que não tinham um título ou dinheiro, a vida era bastante dura em tempos de guerra, e Arlant e Arandônia definitivamente sempre estavam em guerra. O rapaz soltou um suspiro e analisou o quarto ao seu redor. Havia uma cama gigantesca em um dos cantos, um divã cuidadosamente coberto com um cobertor grosso e um guarda-roupas de madeira de cerejeira não muito grande. Também haviam uma janela na parede de pedra ao lado da cama, possibilitando uma bela visão das florestas que haviam logo depois de algumas enormes dunas. Ícarus sabia que centenas de soldados estavam acampados do lado do forte, mas pressupôs que eles estavam do outro lado da construção, já que não estava vendo absolutamente ninguém lá embaixo. Ícarus sentou no divã, ajeitando as suas roupas delicadas e curtas de um tecido fino e branco, que deixava seus braços e pernas completamente à mostras, além de boa parte do seu dorso. Escravos costumavam sempre vestir poucas roupas, mas o rapaz agradeceu internamente por as suas pelo menos tamparem as suas intimidades, e além disso, sempre foi costume dos gregos vestirem roupas leves e curtas, além de que nudez não incomodava ninguém. Ícarus retirou as sandálias de couro que estava calçando e deitou no divã, que era bastante confortável. Ele esperava que pelo menos o general não brigasse com ele e nem nada do tipo por ele estar usando o divã. O rapaz estava perdido nos seus próprios pensamentos por longas horas, quase cochilando quando a porta foi finalmente aberta, fazendo-o se sobressaltar e quase pular do sofá. Um arrepio cruzou o corpo de Ícarus enquanto seu olhar recaiu sobre o homem que entrou no quarto, que também parecia surpreso ao vê-lo alí, definitivamente não esperando a sua presença no quarto. Assim que o jovem assimilou o que os seus olhos estavam vendo, Ícarus percebeu que todos os boatos que antes pareciam ser assustadoramente exagerados, faziam, com toda certeza, jus àquele homem que estava ali na sua frente. Argon deveria ter dois metros de altura e no mínimo cem quilos de puro músculo. A túnica simples que ele vestia deixava à mostra os seus braços e as pernas musculosas, além de evidenciar os ombros absurdamente largos. Sua pele era de um tom tipicamente Arlantiano, um marrom dourado que só não se tornava um n***o claro por muito pouco. Ícarus prendeu o fôlego ao encarar o rosto do seu dono, sentindo-se subitamente quente por dentro. Argon não era um homem que poderia ser chamado de "bonito" à primeira vista, mais era o homem mais másculo, poderoso, viril e imponente que o rapaz já havia visto, e tudo nele fazia Ícarus querer ficar de joelhos e implorar por um toque. O rosto do general era anguloso, seu maxilar quadrado parecia sempre estar tensionado, além de que ele tinha o queixo com aquela pequena repartiçãozinha nele, também sendo totalmente livre de barba. Os lábios dele eram carnudos, mas estavam comprimidos em uma linha fina enquanto ele encarava Ícarus. Assim como a maioria dos Arlantianos, seus olhos eram castanho escuros, emoldurados por cílios curtos e negros e destacados ainda mais quando combinados com as sobrancelhas grossas e pretas (uma cicatriz fina, mas nada discreta, cruzava a têmpora e chegava até a sobrancelha esquerda, por pouco não atingindo o olho, deixando uma pequena falha na grossa sobrancelha). O cabelo dele era preto e ondulado, não chegando até os ombros por pouco. Ícarus sabia que o general tinha algo bem próximo dos quarenta anos, mas ainda não tinha absurdamente nenhum fio branco visível ou sinal se envelhecimento no seu rosto. O último traço que também chamou bastante a atenção do rapaz foi o nariz reto, grande e empinado. Ele parecia já ter sido quebrado umas duas ou três vezes, porquê apesar de estar cuidadosamente na posição certa, havia uma pequena cicatriz horizontal bem no meio da ponte. Ela era bem visível de perto, mas não o deixava menos bonito de jeito nenhum. Tudo naquele homem fez o jovem tremer levemente. Argon era o macho mais imponente e assustador que ele já havia visto, e sabia que se existisse alguém mais viril que aquele homem na sua frente, essa pessoa definitivamente não era humana. — Qual o seu nome? — Quis saber Argon, fazendo a sua voz rouca e grave ecoar pelo quarto e reverberar pelo corpo delicado do mais jovem, que sentiu os pelos da sua nuca se eriçarem. Ele estava nervoso e apreensivo até pouco tempo atrás, e apesar de continuar um pouquinho nervoso por estar na presença daquele homem gigante, o rapaz sentiu um pouco de satisfação ao saber que seria dele. — Ícarus, senhor. — Respondeu ele, levantando do divã para se ajoelhar na frente do seu mestre. Ícarus colocou um dos joelhos no chão, mas antes que terminasse de se ajoelhar, Argon o agarrou pelos ombros e o impediu de fazer isso, o colocando sentado de volta no divã. Ícarus gemeu baixinho com surpresa de forma quase que involuntária ao sentir aquelas mãos enormes, poderosas e calejadas agarrarem os seus ombros. Ele encarou o rosto do general à menos de meio metro do seu, achando completamente impressionante o fato de que cada uma das imperfeiçõezinhas na simetria do seu rosto o deixava ainda mais atraente. — É um belo nome, Ícarus. — Respondeu ele, fazendo o rapaz grunhir de satisfação ao ouvir seu próprio nome naquela voz grave do general, que retirou as mãos dos seus ombros. O mais novo observou o general se abaixar na sua frente, de modo com que ficassem da mesma altura. — O-obrigado, senhor. — confirmou Ícarus. Ele definitivamente não se achava alguém carente ou algo assim, e passou as últimas horas debatendo sobre o que deveria fazer. Ele sabia que estupro não era algo presente entre os Arlantianos (apesar de existir pessoas maldosas e asquerosas em todos os reinos), mas Ícarus sabia que teria que se obrigar à fazer coisas contra o que verdadeiramente queria, já que era um escravo. O rapaz sempre achou tudo aquilo mais parecido com prostituição do que escravidão, porque ele estava praticamente dando o seu corpo em troca do conforto de um lar, comida e riquezas. A questão era que olhando para o seu dono, Argon, à menos de um metro de distância, Ícarus esqueceu absolutamente tudo que havia repassado mentalmente nas últimas horas. A ideia de perder sua virgindade com aquele homem e ficar fazendo amor com ele diariamente atingiu Ícarus em cheio e fez o seu corpo reagir ao pensamento de forma positiva instantaneamente, talvez por causa do cheiro másculo que exalava do general. — Você está totalmente livre a partir de agora, Ícarus. Não sou um homem que mantém escravos. — Disse Argon, erguendo uma daquelas mãos enormes e acariciando a bochecha delicada do rapaz, que grunhiu baixinho e saboreou a aspereza da mão do outro. — Q-que? — Gaguejou Ícarus, sem entender nada. Ele jamais havia pensado na possibilidade de ser totalmente livre de novo, e não sabia o que faria depois disso. O rapaz não tinha dinheiro, casa ou lugar para onde ir, tudo que tinha era emprestado do templo em que os outros escravos também moravam. Ele não sabia o que pensar sobre aquilo, se ficaria feliz com a ideia ou triste por estar sendo dispensado por aquele homem impressionante. [•••] Argon praguejou ao perceber tardiamente que havia um furo no seu plano. Não havia como ele simplesmente mandar embora o jovem que havia "ganhado" daquela forma, sem mais nem menos. Isso seria considerado mais uma afronta ao rei (não que ele se importasse minimamente com isso), mas ainda mais discórdia em tempos como aqueles poderia fazer o reino virar um inferno completo, além de que boatos rapidamente se espalhariam entre os seus próprios homens. O general encarou o rosto do belo rapaz, sem saber como contornar aquilo e controlar o seu maldito corpo. Argon não era mais uma adolescente no calor da idade que não conseguia controlar o próprio p*u e ficava e******o até com o vento. Ele já era a p***a de um homem! Além de ser uns vinte anos mais velho que o delicado escravo. Ícarus (o nome combinava com ele de uma forma completamente sobrenatural), tinha uma estatura esguia e delicada, sem músculos torneados ou cicatriz. Ele deveria ter nascido em alguma cidade perto das fronteiras, onde pessoas dos dois reinos conviviam em harmonia e se relacionavam umas com as outras sem se importarem com a guerra, já que ele possuía uma pele alva de macia, cachos castanho avermelhados e dois enormes olhos verdes, de um tom impossível de ser descrito com palavras. — V-você... não me quer? — Perguntou Ícarus, pressionando a bochecha contra a palma da mão do general, que trincou os dentes e tentou ignorar o latejar insistente no meio das suas pernas. Ele disse a si mesmo que apenas estava sem f***r alguém por um bom tempo. Só isso. — Eu não gosto da ideia de impedir a liberdade de outra pessoa, Ícarus. Mas vai ser bem melhor esperamos alguns dias, para mantermos as aparências, já que eu "ganhei" você. — Argon soltou um rosnado para essa última frase. Ele odiava com todas as forças a ideia de possuir outra pessoa como se fosse um objeto. — Está tudo bem para você? Você pode ficar aqui no meu quarto durante esse tempo, terá conforto e comida, até de ser seguro para você ir embora. — Tudo bem, senhor. Obrigado. — Confirmou Ícarus depois de alguns breves segundos de exitação. Argon também lhe daria uma boa quantia em dinheiro, além de escolta-lo pessoalmente ou mandar alguém de confiança para levar o rapaz para onde ele quisesse ir (o general tinha total ciência de que ser um "bom soldado" não significava a mesma coisa que ser um "bom homem", e apesar de ter centenas de bons soldados acampando lá fora, ele não confiava em alguns deles o suficiente para deixar o pobre rapaz ir embora sozinho sem qualquer proteção). Uma emoção que Argon não sabia identificar cruzou os olhos esverdeados do rapaz, como se ele quisesse falar alguma coisa e estivesse se segurando. — Você já comeu hoje a noite, Ícarus? — J-já sim, senhor. — Ótimo. Você pode dormir na cama, eu fico com o sofá. Estou um pouco cansado. Nosso reino venceu mais uma batalha hoje. — Disse o general, abrindo um pequeno sorriso de orgulho, o que fez Ícarus sorrir de volta automaticamente. — Obrigado, senhor. — Pode me chame de Argon, Ícarus. — O general disse, vendo o outro assentir levemente com a cabeça logo em seguida. [•••]
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD