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Mesmo que o descanso de dois dias incluísse o general também, ele pouco se importava com isso, pois ficar dois dias inteiros sem fazer nada era praticamente uma tortura. Não que ele gostasse da guerra ou algo do tipo. A verdade é que quando você passa mais da metade da sua vida convivendo com ela, a única coisa que pode fazer é se adaptar a ela e sobreviver.
Argon dormiu dois minutos depois de deitar naquele sofá que m*l cabia o seu corpo, mas ele já havia dormido em lugares tão ruins que aquilo alí poderia ser considerado um paraíso. A última coisa que o general viu com seus olhos levemente abertos foi o pequeno Ícarus engatinhar pela sua cama e se enrolar nos cobertores que haviam alí, pois apesar de ter um clima escaldante durante o dia, Arlant era gélida durante toda a noite. O general não conseguiu deixar de sorrir, pensando naquele rapaz lindo à poucos metros de distância. Ele não se considerava um homem com um caráter totalmente pleno e certo (Argon já tinha matado centenas de pessoas e torturado prisioneiros de guerra), mas fazia o que podia quando via claramente o que era certo. E o certo daquela situação era, sem sombra de dúvidas, libertar Ícarus. Argon achou que nenhum escravo ou servo deveria servi-lo daquela forma, pois apesar de conhecer muito bem qual o tipo de fama ele tinha por todos os lugares, em questão de aparência ele não era... Muito atraente. E além de não ser atraente, Argon definitivamente, com toda certeza que havia sobre a terra ou sob o céu, não era um estuprador.
O general era um homem experiente, mas em todas as vezes que havia fodido (sejam homens ou mulheres), tinha absoluta certeza de que o seu parceiro também queria aquilo.
Já era pouco mais de seis horas da manhã quando Argon acordou, encontrando Ícarus completamente enrolado no cobertor, fazendo dele uma espécie de casulo apertado e engraçado. Seu rosto descansava nos travesseiros do general e seus cabelos claros eram um emaranhado de cachos um pouco bagunçados. A expressão do jovem era ainda mais serena e delicada quando ele estava dormindo, com seus traços suaves e bonitos completamente relaxados. A boca do rapaz era pequena e rosada, ela estava levemente entreaberta, enquanto ele inspirava pelo nariz e expirava pela boca.
Argon se aproximou da cama e ergueu a mão para tocar aqueles cachos que eram de uma mistura curiosa de castanho claro, loiro e ruivo, podendo ficar mais perto de uma dessas três cores dependendo da luz. Os cachos eram absurdamente macios, e assim que os dedos do general os tocaram, o rapaz ronronou baixinho, como se fosse um gato manhoso. Argon soltou um suspiro e imaginou o medo que aquele rapaz havia sentido quando descobriu que seria "dado" à ele. Que um homem como ele seria o seu "dono" dali para a frente.
Em silêncio, Argon saiu do cômodo e foi procurar alguma coisa para comer na cozinha, que não ficava muito longe dali, para então ir para os seus habituais treinos que fazia durante a manhã. Ele sabia que praticamente todos os seus homens ainda estavam completamente bêbados, de ressaca ou ainda dormindo depois de longas fodas, mas sabia que encontraria pelo menos uma dúzia deles prontos e esperando por ele para que pudessem treinar juntos. O general apreciava o esforço daqueles soldados que estavam praticamente brigando entre si para ver quem iria treinar primeiro com ele, mesmo que fossem nos dias de folga e mesmo que fossem derrotados em poucos segundos.
Quando chegou na gigantesca cozinha, Argon puxou um jovem guarda que estava andando pelo corredor pelo braço. O rapaz aparentava ter uns vinte anos, tinha uma pele marrom clara um pouco mais escura que a do próprio Argon. Ele arregalou os olhos com surpresa quando reconheceu o homem que o estava levando em direção cozinha.
— Quero que leve isso para o meu quarto. — Explicou o general, colocando uma travessa de madeira nas mãos do rapaz e começando a empilhar várias comidas aleatórias em cima dela. Ele não gostava de coisas doces, mas presumiu que Ícarus gostaria, então colocou alguns pedaços de bolo e docinhos pequenos que ele sequer sabia o nome.
— C-certo, General. — Disse o jovem guarda, olhando para o homem à sua frente com admiração. Depois de um olhar mais detalhado, Argon presumiu que aquele rapaz fosse um arqueiro, pois alguns dos seus dedos eram enfaixados (provavelmente por causa das farpas das flechas).
— Já comeu, soldado? — Perguntou Argon, vendo o outro olhar de relance para a comida da gigantesca mesa da cozinha, onde alguns servos reais e cozinheiros estavam empilhando ainda mais comida, provavelmente porque o rei ainda estava alí no forte, já que a comida de todos os soldados, guardas, servos e arqueiros eram exatamente a mesma. Argon franziu o cenho ao lembrar que enquanto aquela quantidade absurda de comida estava sendo feita apenas para uma pessoa, centenas de homens lá fora comiam exatamente a mesma ração sem sabor todo santo dia.
— Ainda não...
— Vá deixar isso aqui no meu quarto e volte para comer alguma coisa aqui na cozinha. A comida que estão fazendo aqui não é suficiente para dezenas de guardas, mas chame os seus amigos para vir comer também.— Argon disse, e após lançar um olhar maligno para todos os servos que estavam presentes do outro lado da cozinha, o general tinha certeza absoluta de que ninguém iria tentar impedir quando os homens chegassem para comer. E além disso, havia tanta comida ali que Argon duvidava que Érato sequer fosse notar se faltasse metade daquela mesa.
— Obrigado, General. — Confirmou o rapaz. Argon fez que sim levemente com a cabeça e pegou duas maçãs grandes para si mesmo, então começou a andar para fora da cozinha, pretendo sair do forte e começar sua série de treinamentos e exercícios matinais.
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Ícarus soltou um gemido baixinho quando começou a recobrar a consciência. Ele tinha total ciência de que havia dormido por muito tempo, mas mesmo assim não queria deixar aquele casulo confortável e delicioso em que estava. A cama macia em que ele estava deitado estava competindo seriamente com o cobertor para ver qual era o mais confortável e quentinho. E além disso, tudo ali tinha um cheiro delicioso, másculo, cítrico e almiscarado, que fazia Ícarus querer ficar deitado ali para sempre.
O rapaz não sabia como descobrir as horas pela posição do sol no céu, mas os raios fortes e quentes que entravam pela janela eram um bom indicativo de que no mínimo já eram umas dez horas da manhã. Ele sentou na cama e viu que havia uma travessa enorme cheia de comida no canto do colchão, do lado oposto ao que ele estava. Ícarus soltou um suspiro e corou um pouquinho. Argon deveria ter saído cedo e mandado levarem comida para ele.
Ícarus engatinhou até o outro lado da cama, pouco se importando se aquela metade de cima da sua roupa havia deslizado e caído ao redor da sua cintura. O rapaz ergueu a mão e pegou um pedaço grande de bolo, recheado com o que parecia ser uma espécie de geleia de tâmaras. Depois da primeira mordida, Ícarus não conseguiu evitar o gemido de puro prazer que escapou dos seus lábios, enquanto o gosto simplesmente delicioso explodia na sua boca. A comida nos templos não era r**m, mas aquilo alí simplesmente era maravilhoso.
Depois de acabar com o primeiro pedaço de bolo, Ícarus olhou atentamente para a bandeja, tentando decidir quel seria sua próxima vítima. O rapaz comia pouco e com certeza não iria comer sequer 1/5 de tudo que havia ali, por isso tentou decidir o que parecia ser o mais gostoso antes de enfiar tudo na boca.
O rapaz ficou andando pelo quarto e tentando bisbilhotar, mas sem bagunçar, todas as coisas daquele lindo general que não saia da sua cabeça por um segundo Sequer. E além disso, ele ficou jogado naquela cama metade do tempo, enrolado nos cobertores e sentindo o cheiro bom que emanava dele. Ícarus não havia recebido ordens de ficar alí no quarto, mas resolveu optar por não sair mesmo assim, pois ele não conhecia direito aquele lugar e as pessoas que estavam alí.
Já passavam das doze horas quando o rapaz finalmente ouviu passos se aproximarem do quarto e a porta ser aberta. Ícarus soltou um pequeno suspiro quando Argon entrou no quarto, ele estava completamente sujo de terra e suado, com seu corpo gigantesco e moreno praticamente brilhando com a umidade. O rapaz sentiu um arrepio quando o olhar do general recaiu sobre ele, então ele percebeu que ainda estava sem aquela parte de cima da sua roupa, deixando à mostra o seu dorso delicado, os m*****s rosados e a cintura fina.
— Vejo que já comeu. — Argon indicou levemente com a cabeça para a travessa, que embora ainda tivesse bastante comida, claramente estava sem algumas coisas.
— Sim. Obrigado. — Confirmou Ícarus, levantando da cama e corando um pouquinho ao perceber que deixou o cobertor e os travesseiros completamente bagunçados em cima dela. O rapaz deu um passo na direção do general, tentando ignorar o calor que estava presente nas suas bochechas e ia até as suas orelhas.
— Vou tomar um banho, depois posso levar você parar ver o forte, se você quiser. — Sugeriu Argon, caminhando até o guarda-roupas para pegar uma túnica limpa. Arlantianos não usavam calças ou roupas em excesso como acontecia em Arandônia. As pessoas de Arlant gostavam de preservar a cultura do seu reino e não mudaram muita coisa nos últimos séculos.
— P-posso ajudar você com o banho, senhor. — Ícarus gaguejou, sentindo os seus m*****s rosados ficarem duros com o simples pensamento. Era comum que nobres e pessoas importantes tivessem servos que os ajudassem nos banhos, e Ícarus ficou com um pouquinho de ciúmes ao constatar que talvez outras pessoas seriam quem fossem ajudar o general no banho, e ele definitivamente não queria isso.
— Não preciso de ajuda para tomar banho, Ícarus. Não sou um nobre, e definitivamente posso me levar sozinho. — Argon falou sem qualquer arrogância na voz, antes de rir baixinho. O som rouco e gostoso reverberou pelo quarto e fez Ícarus soltar um suspiro, tentando controlar o próprio corpo, cuidadosamente contido.
— Desculpa, senhor...
— Me chame de Argon, Ícarus. E já falamos sobre isso, não? Você não é mais um escravo ou servo. Está livre. — Argon disse, retirando do guarda-roupas uma túnica azul escuro dobrada.
— Por favor, sen... General Argon. Quero ir com você — disse o mais novo, suplicando com o olhar. Argon abriu a boca para protestar, mas seus olhos focaram naqueles olhos esverdeados e luminosos, antes de descer pelo corpo esguio, pálido e bonito do menor. O general sabia que deveria protestar, pois agora Ícarus era um homem livre e só não poderia ir embora ainda porque isso poderia causar complicações para o Reino, o rei, para ele e para o próprio Argon.
— Tudo bem, Ícarus. — O general soltou um suspiro. Se o rapaz queria ir com ele, não teria m*l algum, não é? Além disso, talvez Ícarus também quisesse tomar um banho também. Argon não sabia desde que horas o rapaz estava trancafiado ali dentro, pois desde que ele havia chegado no quarto ontem à noite (umas nove horas) até agora (já passava do meio-dia), o rapaz havia ficado ali dentro sem fazer absolutamente nada, apenas encarando as paredes.
Ícarus quase saltitou de alegria, feliz por Argon ter aceitado. Ele tentou convencer a si mesmo que não estava satisfeito apenas porque iria ver aquele macho lindo e viril tomando banho logo ao seu lado, mas os pensamentos não soaram muito convincentes, até porque cada pelo do seu corpo estava eriçado e formigando sem parar.
— Vou pedir para trazerem roupas para você. — Disse o general, antes de começar a andar para fora do quarto. Ícarus engoliu em seco e começou à seguir aquele homem gigante e musculoso, tentando controlar a sua respiração rápida e exitante, enquanto lançava-lhe olhares discretos por cima dos ombros, sem conseguir evitar fazer isso. Quando soube que finalmente seria tirado do templo e dado à alguém, o rapaz ficou triste e receoso, pensando que iria parar mas mãos de algum homem m*****o que só queria f***r com ele e mantê-lo perto por sua aparência, mas o destino o levou direto para Argon, um homem generoso, justo e absolutamente deslumbrante, que poderia tê-lo libertado, mas estava capturando o seu coração.
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