CAPÍTULO 09

2081 Words
[•••] Dois dias depois, como haviam planejado, o exército estava se preparando para partir. Todas as barracas e tendas foram desmontadas e cuidadosamente organizadas nas carroças, que também carregavam todo suprimento necessário para que todos fossem alimentados e tivessem água durante semanas. As centenas de cavalos que estavam presos nos estábulos ou pastando nos campos de gramíneas voltaram para onde os seus respectivos donos estavam. O General Argon sempre ficou um pouco surpreso como aquele acampamento, que quando estava montado era assustadoramente imenso, era compactado nas carroças e num batalhão que não chegava sequer à 1/10 de todo aquele espaço ocupado quando o acampamento estava de pé. O general possuía vários batalhões espalhados pelo reino (a maioria deles com dois mil, mil ou três mil soldados), esses ficavam na supervisão de homens de confiança até que Argon os juntasse novamente. O exército era dividido em pequenas porções porque só assim conseguiriam patrulhar cada uma das fronteiras e destroçar os inimigos com rapidez. Antes de sair do forte, Argon havia mandado preparar o seu cavalo e providenciarem um para Ícarus. Ele gostava da ideia de cavalgarem no mesmo cavalo, com Ícarus sentado na sua frente com aquela b***a perfeita pressionada contra a sua virilha, mas a viagem seria absurdamente longa, além de que como o general pesava quase cem quilos de puro músculo, levar junto consigo Ícarus no mesmo animal poderia fazê-lo sofrer bastante. Já passavam das nove horas da manhã quando Argon finalmente saiu do forte, montado no seu belo e imenso puro sangue totalmente n***o. O general segurava as rédeas da sua própria montaria com uma das mãos e as rédeas do cavalo de Ícarus com a outra, pois o rapaz não sabia cavalgar direito ainda. A égua de Ícarus era uma bela turcomano branca, esguia e bem menor que o puro sangue de Argon. O delicado rapaz estava com as bochechas coradas, vestindo túnicas descentes dessa vez (Argon havia mandado providencia-las no dia anterior). Os dois haviam passado os dois dias inteiros trancafiados naquele quarto, fodendo sem parar e conversando enquanto descansavam entre uma transa e outra. A b***a de Ícarus estava tão dolorida que ele precisava conter o grunhido que ameaçava escapar da sua boca à cada passo que o cavalo dava. Mas era uma sensação um pouquinho gostosa, que fazia o seu cuzinho dolorido lembrar de tudo que havia acontecido nos últimos dias. Argon conduziu os cavalos para onde seu batalhão estava. Os homens já haviam acabado de arrumar tudo, e abriram caminho assim que viram o general, que sempre cavalgava na frente do batalhão, junto com o segundo e o terceiro no comando (Agenor e Kavinsk), ambos jovens e que tinham bastante experiência com batalhas e estratégias. Os dois também eram de certa forma conselheiros para Argon, que esperava seriamente que ambos o substituíssem quando ele morresse ou não pudesse mais ser general. Ícarus corou tanto que até as suas orelhas ficaram vermelhas enquanto ele sentia o peso daquelas centenas de olhares sobre ele. O general sabia que todos estavam comentando sobre a beleza do seu "escravo", mas praticamente nenhum dos seus soldados haviam visto Ícarus pessoalmente. E pelos cochichos que começaram a se espalhar pela multidão de homens e olhares que recebia, a aparência do rapaz fazia jus aos boatos. — Ignore. — Argon disse baixinho, olhando para Ícarus. Ele não vestia armadura pois não iriam lutar tão cedo, além de que ela era pesada, mas o General não estava vestindo apenas uma daquelas túnicas simples. Suas vestes consistiam numa espécie de colete de couro sem mangas, que também era moldada para encaixar no seu peitoral musculoso. Ele estava com sua espada embanhada ao lado do corpo, o cabelo preto preso em um coque apertado, além de estar com lustrosas sandálias de couro. Vestido daquela forma o general ficava simplesmente deslumbrante e assustador, e Ícarus não conseguia parar de encara-lo discretamente com o canto dos olhos. O exército começou a cavalgar em direção ao sul, para onde ficavam as fronteiras menos protegidas (pois não tinham cidades por perto, apesar de ter um castelo do rei à não mais de alguns quilômetros de lá). A rota que eles estavam tomando consistia em atravessar uma grande extensão de terra repleta por gramas e dunas até chegar numa gigantesca floresta do outro lado, onde iriam montar o acampamento pela primeira vez, depois iriam dar a volta ao redor da floresta e cruzar outra faixa de terreno árida, até finalmente chegarem à fronteira, onde montariam o acampamento de forma definitiva. Não demorou mais do que alguns minutos de cavalgada até Agenor e Kavinsk começarem à flanquear o cavalo de Argon, ambos ficando do lado oposto ao que o cavalo de Ícarus estava. Os dois homens pareciam ter algo entre vinte cinco e trinta anos, ambos eram negros (apesar de Agenor ter a pele levemente mais clara) e altos. — Quanto tempo até chegarmos à floresta, senhor? — Perguntou Kavinsk, enquanto Ícarus ouvia a conversa com curiosidade. — precisamos chegar lá até umas seis horas da tarde de amanhã. Hoje a noite vamos dormir nas dunas, mas sem montarmos barracas, para seguirmos viagem o mais rápido possível amanhã de manhã. — Explicou Argon rapidamente, fazendo os dois homens assentirem levemente com a cabeça. Eles continuaram conversando com o general de forma tranquila, fazendo perguntas de vez em quando, mas Ícarus resolveu não prestar mais atenção na conversa (ele não conseguia entender muita coisa), movendo seu olhar para as belas e imensas dunas que se estendiam à sua frente e desapareciam no horizonte. [•••] O batalhão só parou quando estava escuro o suficiente para não enxergarem praticamente nada que estivesse mais longe do que uns três metros. Argon anunciou que eles passariam a noite alí, então todos os soldados começaram a descer dos cavalos e acenderem fogueiras com uma velocidade simplesmente absurda. Estava bastante óbvio que eles costumavam fazer aquilo sempre. Argon pulou do cavalo e pegou Ícarus no colo, antes de colocá-lo no chão depois de um rápido e discreto beijo. O rapaz estava completamente dolorido, com sua b***a protestando à cada simplesmente movimento (o general garantiu que depois do primeiro dia de cavalgada as dores iriam diminuir). O rapaz declarou que odiava cavalgar com todas as forças, mas negou de forma rápida quando Argon sugeriu que ele subisse em uma das carroças com os suprimentos e tendas desmontadas, pois ele não queria ficar longe do general de jeito nenhum. Os cavalos eram treinados o suficiente para não saírem por aí mesmo estando completamente soltos. Argon tirou um cobertor de linho que estava dentro da bolsa de couro presa na sela do seu puro sangue, antes de entrega-lo para Ícarus, pois a noite estava bastante gélida. O jovem observou o general ir ajudar os seus homens a acender as fogueiras, usando sua espada para produzir faíscas e acender o chumaço entre os pedaços de lenha. Depois de alguns minutos, haviam dezenas e dezenas de fogueiras espalhadas pelo topo da duna (Argon havia escolhido o ponto mais alto de toda aquela região para que tivessem total visão dos arredores. E mesmo que a noite fosse absurdamente escura, ter uma visão relativamente baixa de tudo a sua volta era era melhor do que não ter nenhuma). O general sentou ao redor de uma das fogueiras e puxou Ícarus para o seu lado, para que eles conseguissem se aquecer. O rapaz se aconchegou ao lado de Argon e jogou o cobertor em cima das suas pernas, sentindo o general passar um dos braços ao redor do seu corpo delicado. m*l havia tempo para fazer comidas no fogo, então o jantar se resumiu à frutas e carne assada para todos. Todo o batalhão estava conversando tranquilamente sob a luz quente das fogueiras, rindo e compartilhando histórias com seus companheiros, e apesar de estar um pouco dolorido, Ícarus achou bastante divertido ouvir as histórias, principalmente aquelas contadas por Argon, que eram tão impressionantes que uma pessoa que não conhecesse e fama do general poderia achar que ele estava exagerando, mas Ícarus conhecia aquele homem bem o suficiente para saber que além de ser verdadeiro, sua fama sequer chegava a ser grande o suficiente para fazer jus à tudo que Argon era. [•••] O dia ainda sequer tinha amanhecido direito quando todos começaram arrumar as coisas para seguir viagem, pegando seus próprios cavalos e colocando os outros presos nas carroças. Ícarus ainda estava sonolento quando Argon o pegou no colo e o colocou em cima daquela turcomano branca. O rapaz bocejou profundamente e esfregou os olhos, agarrando as próprias rédeas (ele decidiu que ia tentar cavalgar sozinho dessa vez, até porque não deveria ser muito difícil, não?). Ver o sol nascer de cima das dunas era simplesmente magnífico, e enquanto seguiam viagem, Ícarus estava completamente hipnotizado pelos tons avermelhados, amarelados, arroxeadas e alaranjados que iam tomando contra do céu azul e completamente livre de nuvens gradativamente. Ele estava tão hipnotizado com a visão que m*l notou quando Argon puxou os arreios do seu cavalo e colocou os dois animais lado a lado. — Toma. — Disse Argon, estendendo para ele uma maçã descascada e picada em pedacinhos cuidadosamente simétricos. — Obrigado. — Ícarus agradeceu, pegando apenas metade da maçã e deixando a outra parte para aquele homem lindo, antes de começar a comer e observar o general comendo também. Como na tarde do dia anterior, Agenor e Kavinsk ficaram ao lado de Argon para conversar com ele, além de que vários outros soldados também se aproximavam para conversar também. Estava na cara que todos ali veneravam o general com se ele fosse Hades, o Deus da guerra. E além disso, a maioria dos homens que se aproximavam pareciam ser bastante legais (alguns lançavam rápidos olhares para Ícarus antes de voltarem para o batalhão que cavalgava logo atrás deles). Para a surpresa de Ícarus, sua b***a realmente estava bem menos dolorida naquela manhã, além de que cavalgar não era tão r**m quanto ele achou que seria (apesar do rapaz não fazer absolutamente nada à não ser deixar a égua conduzir por contra própria, seguindo o mesmo destino que o alazão puro sangue preto de Argon seguia). Quando os raios de sol começaram a se intensificar, Argon tirou uma capa comprida e entregou para o jovem, que apesar de não se importar em ficar sob o sol, agradeceu por aquilo, já que sua pele pálida queimava facilmente, e ele definitivamente não queria passar os dias seguintes sentindo a sua pele arder. — Ainda falta muito, Argon? — Perguntou Ícarus, tocando gentilmente o braço musculoso do general, que havia soltado o cabelo preto e longo, de modo com que as mechas meio bagunçadas caíssem ao redor do seu corpo. Sua pele estava brilhando com um pouco de suor. — Se continuarmos nessa velocidade provavelmente vamos chegar antes do anoitecer. — Explicou Argon, fazendo Ícarus soltar um grunhido de alívio, pois seriam apenas algumas horas, e talvez não demorasse muito para que as tendas fosse montadas. O jovem estava com um pouco de sede, então procurou na bolsa que estava presa na sua cela um cantil com água. Havia comida alí também, mas Ícarus estava sem fome. Ele tomou um bom gole e voltou a conversar alegremente com o general, torcendo para que ocupasse o seu tempo conversando, as horas passassem mais rapidamente. Além disso, o rapaz estava bastante focado em observar todo o caminho durante a viagem, já que apesar de ter morado em Arlant durante toda a sua vida, ele não conhecia praticamente nada do reino, pois havia ficado nos templos durante anos, apenas com outros jovens e os responsáveis por eles, estudando e aprendendo todas as que seus futuros senhores poderiam exigir (ele havia aprendido a ler, cantar, recitar poemas e tocar alguns instrumentos). Ícarus não fazia serviços braçais ou qualquer coisa que poderia prejudicar a sua aparência (ficar no sol, atividades que poderiam deixar cicatrizes ou não cuidar de forma minuciosa do seu próprio corpo). Ele não era hipócrita o suficiente para dizer que odiava os templos. Aquele lugar foi a única solução que havia para um garoto de treze anos que não tinha para onde ir ou dinheiro para sobreviver, mesmo que tivessem tirado a sua liberdade em troca disso. Uma onda de nostalgia cruzava o corpo do rapaz sempre que ele pensava nisso, e após soltar um longo suspiro, Ícarus voltou sua total atenção para o general. [•••]
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