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No dia seguinte, Ícarus acordou meio zonzo, rolando naquela cama macia até o outro lado dela, se enrolando nos cobertores quentinhos e cheirosos. Ele estava completamente pelado, e tinha total ciência de que seu corpo estava meio dolorido depois da noite intensa de ontem, quando ele e Argon fizeram tantas coisas sujas e simplesmente perfeitas. Mesmo que ainda estivesse com os olhos fechados, Ícarus sentiu o seu rosto esquentar com a lembrança, fazendo o seu corpo inteiro formigar e o seu cuzinho dolorido latejar em resposta, sensível depois das fodas de ontem.
O rapaz abriu os olhos rapidamente ao perceber que aquele macho gostoso não estava mais ao seu lado, então ele se lembrou de que o general gostava de acordar cedo, junto com o raiar do sol, para treinar e fazer exercícios com os soldados. A tenda estava um pouco escura porque os lampiões estavam apagados e a entrada fechada, mas pelos pequenos e fortes raios de sol que entravam por umas frestas no teto, o dia já estava bem claro lá fora.
Ícarus sentou no colchão e se espreguiçou lentamente, sentindo o seu corpo dolorido e satisfeito formigar em resposta, mas definitivamente era um formigamento bom e o fazia lembrar de cada estocada bruta, cara beijo, cada toque. Ícarus lambeu os lábios e percebeu que eles ainda estavam um pouco inchados, além de todo o seu dorso pálido, as coxas e a sua b***a estavam repletas de pequenos chupões e mordidas. O rapaz soltou um silvo baixinho ao lembrar do que aquele homem safado gostava de fazer com a língua na sua b***a.
Eles fizeram o possível para serem silenciosos e não se lambuzarem por completo de g**o, mas apesar de estar sentindo a sua pele limpa, Ícarus sentiu o seu interior pegajoso, cheio com a p***a daquele macho. O jovem precisava de um banho, mas depois de dar alguns passos incertos para fora da cama e perceber que apesar de dolorido, seu buraquinho estava fechado e então não o g**o do seu macho escorrer para fora até que eles fossem tomar banho no riacho.
Ícarus vestiu a túnica simples e curta, percebendo que o tecido só escondia cada uma das mordidas e chupões por um milagre. Argon havia dito na noite passada que ele poderia sair da tenda sem problema algum, sem precisar se importar com os soldados ou algo do tipo (todos andariam na linha com o general por perto, e seus homens definitivamente não eram do tipo que tentariam alguma coisa sem permissão). O jovem ajeitou os cachos claros com as mãos, antes de calçar as sandálias e andar em direção a saída da tenda.
Assim que colocou os pés fora daquela enorme barraca, foi como se a calmaria e o silêncio estivessem confinados lá dentro, pois o acampamento em plena luz do dia era um lugar completamente agitado, onde conversas altas, risadas, gritos e o som de espadas se chocando ecoava por todos os lugares, além de que dezenas de soldados andavam entre as tendas tranquilamente, cuidado das suas próprias funções e afazeres. A maioria dos homens lançava para Ícarus apenas um olhar surpreso (provavelmente por vê-lo alí fora), antes de seguirem normalmente seu caminho. O jovem ficou agradecido imensamente por isso, e era como se quase já o tivessem vendo como um deles, e não um escravo. Quase.
— Hey. — Uma voz masculina disse, fazendo Ícarus dar um pulinho para a esquerda e olhar rapidamente por cima do ombro, dando de cara com Kavinsk segurando duas canecas de café, ambas estavam tão quentes que uma fumaça espessa fluía das duas. O soldado colocou uma das canecas nas mãos do rapaz antes que ele pudesse responder.
— O-obrigado. — Agradeceu Ícarus, fazendo Kavinsk confirmar levemente com a cabeça e tomar um pequeno gole da sua própria caneca. Tanto Kavinsk quando Agenor pareciam ser bastante legais (Ícarus desconfiava seriamente que os dois estavam juntos, pois olhavam um para o outro exatamente como o jovem olhava para Argon. Além de que eles dividiam a mesma barraca e eram absurdamente atenciosos um com o outro).
— O general está treinando lá no centro do acampamento. — Disse Kavinsk, então Ícarus confirmou e começou a seguir o soldado, que caminhava entre as barracas com rapidez, desviando dos outros homens e indo em direção ao centro de toda aquela movimentação, de onde vinham a maioria dos gritos, tintilares metálicos e risadas. O homem também pegou uma porção de pão e carne seca para o mais jovem enquanto eles caminhavam, fazendo Ícarus começar a comer instantaneamente, agradecendo de boca cheia. O clima da manhã ainda estava um pouco frio, apesar de raios quentes de sol já começassem a esquentar todo o acampamento.
Quando finalmente chegaram naquele espaço circular vazio no centro do lugar, Ícarus arregalou os olhos quando começou a acompanhar a luta maluca que estava se desenrolando na sua frente. Kavinsk o conduziu através dos outros soldados que estavam na borda da arena improvisada, para que assim eles conseguissem ver melhor.
Argon estava lutando contra nada menos que quatro soldados de uma vez, vestindo aquela armadura bonita (mas sem o elmo e as manoplas), empunhando uma espada enorme e prateada que parecia pesar cinquenta quilos. Ícarus observou, completamente maravilhado, enquanto o general derrubava dois homens de uma vez só, jogando-os no chão com a força do seu corpo enorme e aproveitando que ainda estavam caídos para lutar contra os outros dois. A cena era completamente impressionante, sequer parecendo ser real. O jovem não conseguia acreditar que um corpo gigante daquele poderia ser tão rápido daquela forma, tão rápido que seus olhos m*l acompanhavam os movimentos.
Ícarus engoliu em seco quando percebeu que a força dos golpes da espada de Argon poderia partir um homem ao meio como se ele não passasse de uma folha de papel. A força que o general colocava nos golpes era tão grande que a espada soltava um zumbido ao cortar o ar com aquele velocidade simplesmente absurda. Mas Argon tomava cuidado para não machucar nenhum dos seus homens. Ele estava apenas se defendendo dos ataques de espada e lançando os homens de cara no chão, mas sem usar a própria espada contra o corpo dos soldados.
— Geralmente os soldados apostam sobre os resultados. — explicou Kavinsk, também analisando a luta. Ícarus olhou ao redor e percebeu que nenhum dos homens estava apostando dinheiro, como o homem n***o e bonito ao seu lado havia dito.
— por quê não estão apostando, então? — o jovem voltou sua atenção para aquela batalha impressionante, tomando outro gole do seu café e comendo o pão.
— Ninguém quer perder dinheiro apostando contra o general. Todos já sabem qual vai ser o resultado de qualquer batalha que ele participe. — Explicou Kavinsk, dando de ombros. Ícarus assentiu e voltou a atenção para a luta, tão hipnotizado por aquele homem gigante e assustador que sequer notou quando Agenor se aproximou e ficou ao lado do outro homem.
— Se você está impressionado com isso, Ícarus, deveria ver ele numa batalha de verdade, sem se conter ou se preocupar com a ideia de machucar os seus oponentes. — Explicou Agenor, fazendo o jovem arregalar os olhos só de pensar nisso.
Se daquela forma como estava lutando agora Argon estava se contendo, durante uma batalha real ele deveria ser um verdadeiro deus da destruição, destroçando dezenas de homens em um piscar de olhos. O pensando fez Ícarus ficar meio nervoso, porque além de assustador, era bastante perigoso para lutar contra centenas de soldados inimigos, onde qualquer deslize ou erro de cálculo poderia custar a sua vida. Mas o jovem se tranquilizou ao voltar sua atenção para aquela luta que se desenrolava na sua frente, pois nenhum homem jamais seria capaz de derrotar aquele homem lindo que estava logo ali.
Ícarus não fazia ideia de onde o general tirava tanta energia para fazer aqueles movimentos, mas constatou que era justamente por causa disso que ele tinha aquele físico escultural.
— E-ele faz isso todo santo dia? — Perguntou o jovem, lançando um olhar rápido para os dois homem ao seu lado (ele arregalou levemente os olhos e quase deu um pulinho de alegria quando percebeu que as suas suspeitas definitivamente estavam certas, pois os dedos de Agenor estavam tocando de forma discreta os de Kavinsk, que eram de um tom de n***o levemente mais escuro que os seus).
— Todo dia desde o nascer do sol até pouco mais das dez horas, mas as vezes ele passa a maior parte do tempo apenas ensinando golpes novos e supervisionando a luta de outros soldados. — Explicou Kavinsk.
— Acho que as vezes ele se cansa de humilhar a gente e resolve apenas ficar vendo. — Agenor riu, voltando sua atenção para a luta. Ícarus seguiu seu olhar e percebeu que os outros homens que estavam lutando contra Argon também eram ótimos lutadores, mas que não estavam no patamar do general. Os quatro soldados estavam completamente sujos de terra, pois a areia das dunas grudava nas suas peles suadas. Não demorou mais do que alguns minutos para os quatros saírem mandando e praguejando da arena, deixando Argon sozinho. O general chamou outro grupo de soldados para se juntarem a ele, então mais quatro homens entraram na arena empunhando as suas espadas.
Ícarus poderia ficar vendo aquela luta por horas a fio, e após lançar um rápido olhar para aquela multidão de soldados ao redor da arena, ele percebeu que, com toda certeza, não era o único. Todos alí simplesmente veneravam Argon, e tinham orgulho de ter ele como seu general assim como Argon tinha orgulho do seu exército.
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Já eram quase onze horas quando Argon apareceu na tenda, completamente suado e visivelmente um pouco cansado, apesar de bem menos do que deveria para alguém que passou horas sem descansar por um segundo sequer. Ícarus passou a última hora ajudando alguns cozinheiros à fazer o almoço (ele descobriu que haviam mais de dez tendas encarregadas da comida, pois seria impossível apenas uma cuidar do toda a comida do acampamento).
— V-você é humano? — Ícarus exclamou quando viu o general entrar na tenda. O general sentou numa cadeira e começou a desatar as fivelas da sua armadura, então o jovem foi até lá e começou à ajudá-lo com eles, sentindo calor emanar daquele corpo gigantesco.
— Sim, acho que sim. — Argon riu e retirou a armadura por completo, colocando-a encostada na mesa (ele tinha o costume de poli-la depois que o suor estivesse secado, para assim ficar mais fácil tirar os grãos de terra, mas ela estava tão suja que ele resolveu que só uma bela lavagem no riacho daria jeito). — Vi que você está se enturmando com os soldados. O que achou deles? Alguém te incomodou?
— Todos foram gentis e parecem ser gente boa. — Ícarus respondeu e deu de ombros, o que claramente era verdade. Quando se ofereceu para ajudar com a comida, os soldados ficaram um pouco surpresos, mas depois de alguns minutos começaram a agir como se o rapaz fosse qualquer outro soldado, o incluindo nas conversas e lhe dando tarefas.
— Bom. — Confirmou Argon, levantando da cadeira e colocando sua espada encostada na parede também. As mechas longas e escuras dele estavam úmidas e perderam boa parte do volume.
— Vamos tomar banho? — Sugeriu Ícarus, tocando o braço musculoso e moreno do general, que entrelaçou os dedos delicados e pálidos do paz com os seus, que possuíam pequenas cicatrizes, principalmente nas palmas e nos nós dos dedos.
— Vamos. — Confirmou ele, que estava se controlando para não beijar Ícarus, pois ele estava completamente sujo e suado. E apesar de saber que Ícarus não iria se esquivar ou algo do tipo, ele achou melhor fazer isso quando estivesse limpo.
Argon pegou a sua armadura do chão e empilhou as roupas sujas dos dois em cima dela, que também precisavam ser lavadas, enquanto Ícarus pegava uma pequena cesta com sabão, sabonetes, escovas e loções de cabelo, antes que os dois começassem a andar para fora da tenda e seguirem em direção a floresta, cruzando o acampamento movimentado.
A tenda de Argon ficava à apenas uns cinquenta metros da floresta, então os dois conseguiram chegar até a linha das árvores em menos de um minuto, ficando protegidos do sol escaldante pelas copas das árvores altas e tropicais.
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