O caminho da busca

1451 Words
Capítulo 7 – O Caminho da Busca Marina acordou antes do amanhecer, com os olhos ainda inchados de tanto chorar e a mente completamente agitada. Ela sabia que tinha tomado uma decisão, mas não sabia como seguir adiante. A leitura daquela passagem, que ela tinha encontrado no texto antigo, ainda estava gravada em sua mente. “Aqueles que pertencem ao mar ouvem a voz daqueles que amam.” Ela queria acreditar que aquilo era real. Queria acreditar que a ligação que ela sentia com Ethan fosse forte o suficiente para trazê-lo de volta. Mas como? Como alguém poderia atravessar um oceano e alcançar um ser que não pertencia mais a este mundo? As dúvidas e os medos a assombravam, mas não havia volta. Ela não iria se permitir desistir dele. Aos poucos, os raios de sol começaram a iluminar a cidade, e Marina se levantou. Mesmo com a dor no peito, ela se vestiu rapidamente e saiu de casa. O mar estava lá, como sempre esteve, mas naquele dia parecia mais distante do que nunca. As ondas batiam na praia com força, como se zombassem de sua tentativa de achar respostas. Mas ela não poderia se deixar abalar. Marina caminhou pela areia, respirando fundo. Era o primeiro passo para algo que ela não sabia como definir, mas sabia que precisava fazer. Ela não sabia onde encontrar as respostas, mas tinha uma certeza: o mar tinha algo para lhe dizer. ⋅•⋅⊰⋅•⋅ Nas semanas seguintes, Marina se dedicou completamente à sua busca. Ela passava cada minuto livre pesquisando mais sobre lendas, histórias e qualquer informação que pudesse ajudar. As páginas da internet estavam cheias de textos sobre criaturas marinhas, mitos e lendas antigas, mas nada parecia dar a ela uma direção concreta. Ela procurou até mesmo por antigos rituais de comunicação com o mar, mas nada parecia funcionar. Ela não sabia exatamente o que estava procurando, apenas sentia que, de algum modo, a resposta estava ali, entre as palavras e os segredos esquecidos, esperando ser descoberta. Cada pesquisa se tornava mais profunda, mas também mais frustrante. Nada concreto. Apenas histórias, como se fosse tudo um grande enigma impossível de ser resolvido. Certa tarde, em uma das livrarias mais antigas da cidade, Marina encontrou um livro empoeirado, escondido em uma prateleira no fundo, quase como se o destino tivesse lhe mostrado aquele local. O título era simples, quase irrelevante: “Os Caminhos do Mar: A Verdade Não Contada”. Ela o pegou, sentindo a capa áspera sob seus dedos, e ao abrir as primeiras páginas, o texto parecia ainda mais estranho do que as lendas que já conhecia. O livro descrevia uma prática ancestral de uma civilização perdida que, segundo a lenda, havia feito pactos com seres marinhos. O pacto prometia poder, mas também exigia sacrifícios. A ideia central era que, de alguma forma, aqueles que estavam conectados ao mar podiam ser chamados de volta, mas o custo seria alto demais para ser pago por qualquer mortal. O coração de Marina disparou. Ela estava ficando cada vez mais próxima de entender alguma coisa, ou ao menos isso parecia. As palavras falavam sobre rituais que envolviam o sacrifício de algo valioso, de um ser querido. Não apenas de coisas materiais, mas de algo mais profundo, que só poderia ser revelado durante o ato de invocação. Ela leu até o fim, absorvendo as palavras como se fosse a última chance que teria. “O sacrifício será uma decisão irrevogável”, dizia o texto, “mas se a alma que chama for pura, a conexão com o ser perdido será restabelecida.” Marina fechou o livro com um estalo. Sentiu o peso daquelas palavras, mas ao mesmo tempo, uma chama de esperança começava a se acender dentro de si. Ela sabia o que aquilo significava: ela teria que fazer algo que jamais imaginaria, algo que testaria seus limites e, talvez, sua própria sanidade. Mas se isso significasse trazer Ethan de volta, ela estava disposta a qualquer coisa. ⋅•⋅⊰⋅•⋅ Naquela noite, Marina foi até a praia novamente, o livro firme em suas mãos. Estava decidida. Se o mar realmente tivesse o poder de devolver Ethan, ela faria o que fosse necessário. Ela se sentou na areia, respirando fundo. As ondas quebravam suavemente, como se estivessem esperando. O céu estava claro, a lua cheia iluminando a vastidão do oceano à sua frente. O mar parecia calmo, mas Marina sabia que ele escondia mais do que deixava transparecer. Ela começou a recitar as palavras do livro, hesitante no começo, mas com mais confiança à medida que falava. O som da sua voz se misturava com o ruído do mar, criando uma atmosfera tensa e misteriosa. A cada palavra, ela sentia que estava se conectando a algo muito maior, algo que ela não conseguia compreender completamente. “Eu chamo por Ethan,” ela sussurrou, “aquele que pertence ao mar. Se a nossa ligação for forte o suficiente, que ele retorne a mim.” O vento aumentou de intensidade, trazendo consigo um cheiro salgado mais forte, como se o oceano estivesse respondendo ao seu chamado. O coração de Marina batia mais rápido, seu corpo tremendo. Ela não sabia o que estava fazendo, mas sabia que não podia parar. O livro falava sobre uma conexão profunda e pura. E a sua ligação com Ethan, embora breve, era intensa e verdadeira. As ondas começaram a crescer, batendo com mais força contra a praia. Marina olhou para o mar, vendo algo se formar na água à sua frente. Era como uma figura, uma sombra que dançava entre as ondas, ainda distante, mas cada vez mais próxima. O ar ao seu redor parecia eletrificado, carregado de energia. Marina não sabia se estava imaginando, mas algo parecia estar realmente acontecendo. Ela viu a figura se aproximar e, quando as ondas finalmente a trouxeram para mais perto, ela quase não acreditou no que estava vendo. Era Ethan. Ele apareceu, de alguma forma, em sua forma etérea, como uma figura sem peso, flutuando na água, com os olhos fixos nela. Não era uma visão clara como a de um ser humano, mas sim algo que transbordava de uma energia indescritível, como se ele fosse parte do próprio mar, mas ainda assim presente ali com ela. “Ethan…” Marina sussurrou, os lábios trêmulos, as palavras quase impossíveis de acreditar. Ele a olhou, mas não disse nada. A expressão dele era triste, mas havia uma suavidade no seu olhar, algo que fez o coração de Marina se apertar ainda mais. “Você… você voltou?” ela perguntou, os olhos brilhando de esperança, mas também com o peso da dúvida. Ethan parecia hesitar, flutuando sobre as águas. Sua forma era indistinta, quase como se fosse feito da própria espuma do mar, mas seus olhos estavam ali, fixos nela. “Eu não pertenço mais a este mundo,” ele disse, sua voz como o som suave das ondas, mas ainda assim cheia de uma dor inconfundível. “O que você está fazendo é impossível.” Marina sentiu as palavras dele atravessarem seu peito como uma faca. Mas não desistiu. Ela não podia. Ela tinha que tentar. “Eu não vou desistir de você,” disse ela, com mais firmeza. “Eu sei que há um jeito. Eu sei que você ainda pode voltar.” A figura de Ethan parecia vacilar, como se estivesse lutando contra algo maior do que ele. O mar ao seu redor se agitava, e o vento aumentava. A conexão entre eles estava ali, mas ela era frágil, como uma linha tênue que poderia se partir a qualquer momento. “Você não entende,” ele respondeu, sua voz agora mais distante. “Este não é o meu lugar… não mais.” Marina estendeu a mão, desesperada. “Não! Você tem que voltar! Nós… nós pertencemos um ao outro. Eu não posso viver sem você, Ethan!” Mas ele começou a desaparecer, se dissolvendo lentamente nas ondas. “Desista, Marina,” ele disse, sua voz ficando cada vez mais fraca. “Eu… eu não posso voltar.” O mar tomou a última parte de sua figura, e, de repente, ele estava completamente desaparecido. O oceano ficou em silêncio, como se nada tivesse acontecido. Marina caiu de joelhos na areia, seu corpo tremendo com a intensidade do que acabara de acontecer. Ela tinha falhado. A conexão que acreditava ser real, que esperava que fosse suficiente, se desfez como as ondas se desfazem na praia. O mar estava em silêncio novamente, mas dentro dela, uma tempestade rugia, sem fim. Ela não sabia como continuar, mas uma coisa era certa: ela não desistiria. Ela faria de tudo para trazer Ethan de volta.
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