O peso do destino

1287 Words
Capítulo 9 – O Peso do Destino Marina acordou com o corpo dolorido, os olhos pesados e a mente atordoada. Quando abriu os olhos, estava de volta à sua casa, em sua cama, como se o que acontecera no templo fosse apenas um sonho distante. Mas não era. O altar ainda estava gravado em sua memória, a luz, a presença de Ethan… tudo havia sido real. Ela podia sentir no fundo da alma que algo tinha mudado, que ela havia cruzado um limite, mas o que exatamente isso significava? O que aconteceria a partir dali? Ela se levantou, tentando dissipar a sensação de desorientação, e se olhou no espelho. Seus olhos estavam avermelhados, como se tivesse chorado durante a noite, mas não se lembrava de ter dormido. Ela m*l conseguia processar o que acontecera no templo, a sensação do mar tocando sua alma, do próprio oceano respondendo ao seu chamado. Era como se tivesse sido transportada para um plano além da realidade, onde as leis do mundo físico não se aplicavam mais. Marina sentiu uma mistura de empolgação e pavor. Havia algo maior em jogo agora, algo que ela não compreendia totalmente, mas que, de algum modo, tinha a sensação de que estava prestes a se revelar. E uma coisa estava clara: ela não poderia mais voltar atrás. ⋅•⋅⊰⋅•⋅ Nos dias seguintes, Marina se manteve isolada, com a mente a mil. Pensava nas palavras de Ethan — ou, pelo menos, naquilo que ela acreditava ser ele. “O que você pede está além do que pode ser dado.” Essas palavras a martelavam constantemente. O que ele queria dizer com isso? O que significava, de fato, o sacrifício necessário para que ela pudesse trazê-lo de volta? Ela revisitou o livro antigo, tentando entender mais sobre o ritual da transgressão, mas parecia que a cada página que virava, as respostas ficavam mais distantes. O que o texto não dizia era o mais importante: o verdadeiro preço a ser pago. Tudo parecia sugerir que existia um limite — algo que Marina teria que atravessar sem saber o que encontraria do outro lado. Foi quando ela começou a notar mudanças sutis ao seu redor. A princípio, eram coisas pequenas: o vento parecia mais forte quando ela estava perto do mar, as ondas batiam com mais intensidade contra a areia, como se estivessem reagindo à sua presença. Mas, à medida que o tempo passava, ela começou a perceber algo mais profundo. Algo estava acontecendo. Não era apenas o mar que estava mudando. Era ela mesma. Ela sentia uma conexão mais forte com o oceano do que nunca, como se estivesse aprendendo a falar sua língua secreta. Ela sabia que a jornada estava apenas começando. Mas ao mesmo tempo, a sensação de que algo muito grande estava prestes a acontecer a consumia, e o medo daquilo que ela poderia descobrir a paralisava. ⋅•⋅⊰⋅•⋅ Na manhã do quinto dia após a sua visita ao templo, Marina decidiu voltar à praia. Algo dentro de si a impelia a retornar, como se houvesse uma chamada invisível que ela não podia ignorar. O vento estava mais forte naquele dia, e o mar parecia mais agitado, mas, ao mesmo tempo, havia uma calma profunda que ela não conseguia explicar. Ela caminhou até a beira da água, sentindo a areia fria sob seus pés. O som das ondas era agora uma melodia familiar, um eco daquilo que ela mais desejava ouvir. Ela fechou os olhos, respirou fundo e falou, como se as palavras saíssem naturalmente de seus lábios: “Ethan… eu sei que você está lá. Eu sei que há algo mais para nós, algo que nem o tempo, nem o mar podem apagar.” Ela esperou, os olhos fechados, a mente focada apenas no som do oceano. Mas nada aconteceu. O vento continuou a soprar, as ondas continuaram a quebrar contra a praia, e o mundo parecia seguir seu curso, indiferente às suas palavras. O desespero começou a tomar conta de Marina novamente. Seria tudo em vão? Ela estava apenas se iludindo? Foi quando ela ouviu uma voz, suave e distante, mas ainda assim, inconfundível. “Marina…” Ela congelou, o corpo inteiro tenso. A voz de Ethan. Ela olhou ao redor, mas não viu ninguém. O mar estava calmo agora, a brisa leve, mas a sensação de sua presença era inegável. A voz dele veio novamente, mais clara desta vez, e o som parecia vir diretamente do oceano. “Você não pode voltar atrás, Marina. O caminho que você escolheu é irrevogável.” O coração de Marina disparou. As palavras dele, o tom de advertência, tudo a fez tremer. Ela sabia que estava prestes a perder mais do que apenas uma parte de si mesma. “Ethan, por favor… eu não posso viver sem você,” ela implorou, com lágrimas nos olhos. “Você não pode me deixar assim, sem uma explicação.” A água se agitou à sua frente, e uma figura começou a surgir entre as ondas, tímida no início, mas logo mais clara. Era ele. Ethan, ou ao menos, o que restava dele. Sua figura estava distorcida, mais translúcida do que humana, mas seus olhos — aqueles olhos — estavam fixos nela, com uma dor imensa. “Você não entende, Marina,” ele disse, sua voz agora mais forte, mais definitiva. “O que você pede é impossível. O mar cobra o que é dele, e o preço é muito alto.” Ela deu um passo à frente, sentindo o peso das palavras dele em sua alma. “Eu não ligo para o preço. Eu não ligo para o que isso vai custar. Eu só quero você de volta.” Ethan balançou a cabeça, um gesto triste. “O que você deseja não pode ser concedido. O mar não traz de volta o que foi levado. Ele toma, e leva para sempre.” Marina sentiu uma dor profunda em seu peito. Era como se as palavras dele fossem lâminas afiadas, cortando sua esperança, sua vontade. Mas, ao mesmo tempo, ela sabia que não podia desistir. Ela se aproximou da água, seu coração palpitando, e falou com mais intensidade. “Eu não acredito nisso. Eu não acredito que o mar seja tão c***l. Eu sei que existe uma maneira de trazê-lo de volta. Você… você ainda está aqui. Eu sei que você não me deixou, Ethan. Eu sei.” A água começou a se agitar, e uma força invisível empurrou Marina para trás, fazendo-a cair na areia. As ondas batiam com tanta força agora que ela sentia como se o mar estivesse tentando afastá-la. Ela se levantou, lutando contra a pressão, seus olhos fixos na figura de Ethan, que parecia desaparecer à medida que as ondas se erguiam. “Eu não quero que você se perca nesse caminho, Marina,” Ethan disse, sua voz agora quase inaudível. “Você não sabe o que está pedindo.” Ela estendeu a mão em direção a ele, desesperada. “Não vá! Por favor, não vá. Eu… eu posso fazer qualquer coisa. Eu farei qualquer coisa para trazê-lo de volta.” Mas, antes que ela pudesse dizer mais, Ethan se desfez nas ondas, como se fosse feito da própria água, e desapareceu. O mar se acalmou instantaneamente, e Marina ficou ali, sozinha, na praia, sentindo o peso de suas palavras ecoando em sua mente. O que ela não sabia era que, ao desafiar o oceano e o destino, ela estava prestes a fazer uma escolha que mudaria sua vida para sempre. Ela sabia que nada mais seria o mesmo. Mas ela também sabia, de alguma forma, que essa era a única escolha que restava. Ela não poderia mais voltar atrás.
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