Meu Rei

1842 Words
Lev Antony O que está pensando agora? A mente flutuava, alto, alto, tão alto. Não conseguia aterrisar os pés agora. Hey! No que está pensando? A Katana se movia, faria cortes limpos. Um golpe, talvez dois... De cima a baixo. Sangue jorrando... Ah... o ferro... O cheiro, o gosto. Eu ri... A imagem distorcida na minha mente fazendo mais sentido do que nunca. Melhor do que aspirar todo o pó, o que pude experimentar de um carregamento novo. Ainda está aí? Lev? No que está pensando? Lev? O que estamos fazendo aqui? Porque está olhando para mim desse jeito? Trocou de máscara? Porque essa é maior? Ele fez denovo? Hein, meu amor? Ele fez de novo? Mais um corte, de cima a baixo... O sangue jorrava... Mais um. Esse foi perfeito. Mas a cor do sangue, não é a mesma da dele... O cheiro é diferente. Preciso encontrar, um parecido... Preciso lembrar. Qual o nome dele mesmo? Eu esqueci? Droga droga droga. Ele significava muito... — LEV?! p***a! Meus olhos focaram, Dmitri gritou e meu ouvido fez aquele barulho agudo, apitou. Ah, a realidade... — Daqui a pouco vou pensar que está querendo fazer picadinho de carne humana. Já deu! Sou de poucas palavras, e gastar saliva com Dmitri não era uma coisa que me agradava. Na verdade. Gastar saliva com quem quer que seja, é desagradável! O meu Rei entenderia. Apenas ele me lê. Eu não preciso dizer uma palavra, ele sabe exatamente o que eu preciso, o que é bom para mim. — Chega, ok? Assinti. Me sentia... PU.TO! Ninguém tinha o sangue, o gemido, o cheiro, e o olhar dele... E eu buscava por anos... Sentia que se pulasse no mar, o acharia! Mas a polícia chegou primeiro, e ele estava boiando, em decomposição. Foi perfeito. Nunca encontraram o autor, até mesmo porque, um ex presidiário que participou de uma briga i****a de gangues, que se tornou um show de sangue, não faz diferença nenhuma no mundo. E se morreu. Para a lei. Menos um. Para mim, não era bem apenas um... Era ele, o centro de todo o universo... Quando tudo começou... Ah, verdade... O começo, foi bom. Eu era só um adolescente lidando com o bulling. Ele era o popular. Forte. Alto. Falava bem. As garotas se derretiam, e os professores o veneravam. Uma espécie de delinquente muito educado. Na verdade, com um tempo, um delinquente que sabia vestir a máscara que precisava. Uma para cada ocasião. Foi assim quando conheceu o meu irmão, se apresentou como o cara mais responsável do mundo. Minha irmã mais nova amava os passeios de cavalinho. Ele dizia: Você é lindo Lev... O mundo não concordava... Meu irmão dizia que eu precisava me defender, e se ele morresse? Quem defenderia a minha irmã? Ele dizia: se colocar uma máscara? vão te achar misterioso... Eu dizia: não ligo, todos sabem como sou... Ele dizia: na verdade, eu sei como você é! Sorriu, e me beijou. Príncipe... Meu guardião... Usei a máscara preta que ganhei de presente. Os bullings pararam, mas acho que por medo do que Andrey poderia fazer. Ele era alto, forte para um cara de dezessete anos, tinha um olhar frívolo, mas quando estávamos só nós dois, me olhava como se eu fosse algo sagrado. Eu gostava. Eu era a sua fraqueza. Eu dizia: Odeio ter um corpo feminino, não consigo pegar massa! Já tentei de tudo! Era verão... 1999... e um homem parecer uma mulher era... errado! Ele dizia: Seu corpo é lindo! Não precisa mudar, gosto assim. Mordeu meu ombro e me jogou na cama, fez coisas pela primeira vez. Fizemos coisas pela primeira vez. Andrey era tudo! Eu tinha dezessete. Ele tinha dezoito. Eu morava com meu irmão, que estava foragido da polícia. Meu irmão estava se envolvendo em bobeiras. Andrey morava sozinho. Eu sentia medo quando a casa estava cheia de homens. Sentia medo do olhar de um dos amigos do meu irmão. Senti medo quando ele me forçou. Andrey bateu com tanta força. Precisei o parar, já não bastava meu irmão sendo preso. Não ia suportar perder o centro do meu universo. Mas doía, moralmente, doía... O cara foi embora, ensanguentado. Mas eu também sangrava. As cicatrizes. Elas sangravam, o amigo do meu irmão me fez lembrar da dor que senti quando criança, quando aquela marca maldita veio como um presente. Um corte, atravessando a bochecha e abrindo o canto direito dos meus lábios. No hospital fizeram muitas perguntas. Eu me escondia. Andrey estava ali, dizendo o que aconteceu. Não foi só no hospital que me internaram. Comecei a tratar a mente. Eu deixei de falar. Falar não era mais uma opção. Andrey não se importava, ele entendia. Meu irmão foi preso, eu senti ódio. Minha irmã fugiu para a casa de um namorado... E então nunca mais a vi. Mas ele dizia: Vem, more comigo, vamos cuidar um do outro. Eu dizia: Ainda não. Ele dizia: Tudo bem. Quando estiver pronto. Algo mudou, minhas habilidades de fala. Não gostava de me expressar desse jeito. Não mais... O homem que me violen.tou voltou. Ameaçou Andrey. Disse que agora fazia parte de algo, que não estava sozinho. Me estupr.aria na frente dele. Ele dizia: sua namoradinha é uma boneca, uma bonequinha gostosa. Andrey dizia enquanto lia a carta deixada na fresta da janela: Eu o mato! Eu dizia: Está tudo bem... Eu não volto da faculdade sozinho. Meus cabelos estavam longos, batendo na cintura, num loiro tão claro e lindo. Andrey dizia: um quase albino, lindo precioso. Eu dizia: não posso me atrasar, tenho prova. Andrey sorria e puxava meus cabelos, me beijava. Metia fundo, e eu esquecia meus compromissos por alguns minutos. Perdi a prova daquele dia. Eu estava no terceiro período de Medicina Veterinária. Era verão... 2009... e um homem ter um corpo feminino ainda era m*l visto, porém já tinha um nome específico para isso. Andrey não ligava, eu era apenas um homem que não cresceu muito. Cheguei em casa numa noite dessas de muito calor, prendi os cabelos, e percebi que algo estava errado. Tinha alguém em casa. O barulho na cozinha. Eu estava desarmado. Mas a luz acendeu. E Andrey usava smooking. E eu ri. Ele estava lindo. E eu precisava montar nele. Trans.ar a noite toda. Ele dizia: Casa comigo? Eu dizia: Não podemos, o Estado não permite. Ele dizia: Fodasse o Estado, case comigo... Aqui na cozinha... Eu dizia: Sim, eu caso! Depois disso, tran.samos a noite toda. Com carinho. Desde que aquele homem tinha me tocado, andrey andava com uns caras estranhos. Eu não gostava. E então ele me levou junto. Eram alguns, e todos respeitavam as regras de Andrey. Ele dizia: estamos seguros agora. Eu dizia: não sei se gosto disso. E brigamos, feio, pela primeira vez. Mas então Andrey me lembrou os motivos de o amar com toda a minha alma quando me beijou e me fez gozar, graças a boca maldita que ele tinha. Virei seu subordinado, na verdade, eu era o segundo, o que fazia eles abaixarem a cabeça quando me via. Ganhei uma Katana. Aprendi a usar, apesar de nunca precisar matar ninguém. Larguei a faculdade. Me viciei no poder que vem fácil, no que vinha sem esforço. Meu irmão saiu da cadeia, era de uma gangue rival. Prometeu me matar. Eu o mandei para o hospital, quase sem vida. Mas... teve um ponto em que algumas coisas desandaram. Eu não era mais tão frágil assim. Andrey não era mais cuidadoso, ele sabia que eu me virava bem. As brigas aumentaram. Eu fui o primeiro a levantar a mão para ferir. Eu dizia: Meu Deus, me perdoa... me perdoa... Ele dizia: Tudo bem, eu não ligo. Eu gosto... Nos queimamos a noite inteira. Tudo era sobre poder. Até que um dia entramos em um confronto que causou mortes. Mortes sérias. Não que não fossem nunca. Mas estas foram... Muito além da conta. Andrey estava ferido, sangrava... E aquele homem me fez sentir mais uma vez que eu não era forte o suficiente. Me estu.prou na frente do meu amado, assim como tinha prometido. Passou a lâmina em meu rosto e abriu a minha cicatriz, eu gritei. Alto. Os cabelos quase platinados ficaram vermelhos pelo sangue... Sangue na neve... Sangue, meu sangue em todos os lugares. A polícia chegou, e eu corri, covarde, porque doía, porque tudo doía. Assisti pegarem o meu amor. Ele me olhou de longe murmurou: se cuida, eu te amo, eu vou voltar. Eu me encolhi em um beco escuro, abracei as pernas, senti que fosse morrer. Quando Andrey saísse de lá, eu estaria morto. Ele sofreria! Droga, nunca quis que ele sofresse... E então, um anjo... um belo anjo apareceu. Ele dizia: Como se chama? Eu não abri a boca, doía, estava rasgada. Ele dizia: tudo bem... está tudo bem agora. Vou cuidar de você. O anjo me drogou, mas disse que era para eu não sentir mais dor. Ele tinha subordinados. E todos me olhavam. Ele viu que fiquei desconfortável, mandou que saíssem. Sorriu. Disse que eu parecia uma menina. Disse que alguém lindo não deveria sofrer tanto. Cuidou de mim. Cuidou de mim como se eu fosse um carro de luxo. Era verão... 2014... Andrey saiu da prisão. Eu tinha uma missão. Era a minha missão! Doía, mas era a minha missão. Ele dizia: você está mudado, mas os cabelos vermelhos ficam bonitos em você. Ele dizia: senti saudades. Eu dizia: vem comigo. Eu devaneava. Ele segurava a minha mão. Eu ia para um porto vazio. Ele perguntou o que estávamos fazendo ali. Eu tinha uma missão, mas não disse qual. A voz na minha cabeça dizia: Mate- o, só pode haver um rei. Eu sou o seu rei agora. Eu sabia, era a minha missão, meu Rei solicitou. E quando ele me solicita, eu me desconheço. Pois tudo o que passei apagou a humanidade que eu tinha, e as dro.gas... as doces dr.ogas... me ajudavam a enterrar mais fundo ainda qualquer sentimento. E mesmo olhando o amor da minha vida agora, eu nada sentia. Tudo o que sentia era o chamado do Rei. Eram as suas ordens. Andrey dizia: Ainda está aí? Lev? No que está pensando? Lev? O que estamos fazendo aqui? Porque está olhando para mim desse jeito? Trocou de máscara? Porque essa é maior? Ele fez denovo? Hein, meu amor? Viktor fez de novo? A lâmina cantou cortando o ar. Um golpe só. De baixo para cima. Limpo. Certeiro. Golpe que nunca mais consegui fazer... Foi só aquele... O sangue me atraía, o cheiro, o gosto. Foi rápido. Ele não sofreu. Serviu de comida aos peixes. O joguei em mar aberto. — Lev? Ergui o olhar uma última vez para Dmitri... p***a de mosca fazendo zum zum zum no meu ouvido. Eu queria matar ele, mas o Rei ainda não permitiu. — Vamos agora, deixem que limpe essa sujeira. O casamento é daqui duas horas. Meu estômago revirou. Meu Rei. Casando... Uma garota... delicada. Casamento... O meu Rei... Não ficaria assim...
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