Acho Que Te Pertenço

1355 Words
Ívyna Baranov O eco suave dos nossos passos ainda pairava pelo corredor quando Viktor me pegou nos braços. Meu corpo se enrijeceu por um instante, surpresa, mas não resisti. A sensação de estar nos braços dele era estranhamente segura, mesmo sabendo o quanto podia ser perigoso confiar assim. O perfume amadeirado que o envolvia subiu pelo meu nariz, misturando-se ao calor que sentia no peito, e eu me permiti relaxar apenas um pouco. — Confia em mim — ele murmurou, com o olhar firme, quase pedindo que eu acreditasse. E, por algum motivo inexplicável, eu confiei. Entramos no quarto. O click da porta fechando atrás de nós parecia ter isolado o mundo inteiro. A luz suave pintava sombras delicadas nas paredes, fazendo tudo parecer mais íntimo, mais seguro. Ele me colocou devagar sobre os pés, mas ainda segurando meu corpo junto ao dele. O calor da sua presença preenchia o espaço entre nós, e eu podia sentir meu coração acelerando sem controle. As costas roçavam na madeira da porta. — Ívyna… — murmurou, quase um sussurro, e seus olhos não desviaram dos meus. — Você não faz ideia do quanto eu esperei por este momento, não imagina o quanto eu te quero. Não pude responder. Apenas o encarei, os lábios levemente entreabertos, a respiração curta. Viktor se aproximou mais. Cada centímetro de distância que ele diminuía fazia minha respiração falhar, fazia minha mente girar. Então, sem aviso, ele encostou os lábios nos meus. Encostou o corpo no meu me deixando presa entre seus braços e a porta. O beijo foi delicado, quase tímido, mas carregado de intensidade. Senti minhas mãos instintivamente procurarem o seu rosto, e ele permitiu, deixando que eu me prendesse ao calor da sua presença. Não havia pressa, nem força — apenas o toque perfeito de alguém que sabia exatamente como me atingir sem machucar. Meu corpo todo respondeu, sem que eu entendesse direito quando as mãos apertaram um pouco a cintura. O coração batia alto, as pernas fraquejavam, e uma sensação de pertencimento, confusa e deliciosa, crescia dentro de mim. Ele se afastou apenas o suficiente para observar minha reação, e eu me peguei sorrindo, surpresa com o quanto isso me afetava. — Não precisa parar agora, está tudo bem... Eu quero, eu te quero...— admiti, quase sem ar. — Finalmente — disse ele, com um leve sorriso, aproximando a testa da minha. — Eu também quero você. Viktor segurou minhas mãos e as levou aos lábios dele, beijando a pele da minha palma com delicadeza. Cada gesto era uma promessa, uma migalha de carinho que parecia preparar o terreno para algo maior. — Você é linda, tão linda e preciosa, minha querida— disse, os olhos percorrendo cada detalhe do meu rosto. — Cada vez que te olho, vejo algo que me surpreende. Aquelas palavras me atingiram como se tivessem sido gravadas na minha pele. Eu sentia uma mistura de medo e desejo, uma vontade confusa de me afastar e, ao mesmo tempo, me entregar completamente. Viktor parecia perceber cada hesitação minha, cada sussurro do meu corpo, e não tentava forçar nada. Apenas estava ali, presente. Ele se inclinou novamente, beijando meu nariz, depois minha bochecha, e finalmente meus lábios mais uma vez. Cada toque era mais longo, mais firme, mas ainda suave, como se me ensinasse a me permitir sentir. Minhas mãos passaram pelo braço dele, sentindo a força e a segurança que emanava de seu corpo. Sentindo cada músculo tensionado. Sentindo meu corpo queimar em resposta. — Estou completamente apaixonado por você... Não minto. Senti meu peito apertar com a intensidade da entrega em sua voz, só não disse o mesmo por estar muito afoita. Nunca tinha me permitido algo assim. Nunca tinha beijado alguém com tanta consciência, tanto cuidado, tanta emoção. Viktor parecia um porto seguro, mesmo com tudo que eu sabia sobre ele, mesmo com o medo que ainda morava dentro de mim. Ele me carregou novamente, desta vez mais próximo, como se pudesse ler cada hesitação e cada dúvida no meu corpo. Colocou-me sobre a cama com cuidado, mantendo minhas mãos nas dele, e a proximidade era tão elétrica que cada respiração compartilhada parecia incendiar o quarto. Subiu na cama e se encaixou entre as minhas pernas, dei espaço, eu o queria assim, perto. Queria tudo. — Ívyna… — ele murmurou, a voz baixa e profunda. — Eu sei que tudo começou de uma forma torta, me perdoe por isso… mas eu não sou apenas isso. Quero que você saiba, quero que sinta, que há algo real aqui, que a partir daqui tudo será real. Senti minhas barreiras começarem a ceder. Cada palavra dele, cada toque, cada gesto, minava lentamente as muralhas que eu havia construído ao redor do meu coração. E, pela primeira vez, não me importei de me sentir vulnerável. Ele se inclinou mais uma vez, a testa colada à minha, o sorriso tocando os olhos dele. — Eu poderia te dizer que você era a peça que faltava em minha vida, mas seria clichê… Prefiro que sinta isso por conta própria. E eu senti. Senti quando ele segurou meu rosto com delicadeza, inclinando-se para me beijar novamente, mais profundo, mais próximo, mas ainda com aquela ternura que me fazia querer me perder nele. Era como se cada beijo, cada toque, cada sussurro estivesse construindo algo novo dentro de mim. Quando nos separamos, por apenas um instante, Viktor permaneceu com as mãos em meu rosto, olhando nos meus olhos. — Você não precisa ter medo de mim — disse, quase como se estivesse revelando um segredo. — Nem de tudo que sinto por você. E, pela primeira vez, aceitei que talvez não houvesse motivo para medo. Que sentir não significava fraqueza, e que se apaixonar não precisava ser um erro. — Eu… — minha voz saiu em um sussurro, quase imperceptível. — Eu não sei o que dizer. — Não precisa — respondeu ele, os dedos ainda traçando linhas invisíveis na minha pele. — Só me deixe cuidar de você. Do meu jeito. do jeito que sei que merce. Senti um arrepio subir pela minha espinha. Viktor, de forma silenciosa, segurava meu mundo nas mãos e eu, pela primeira vez, deixei que alguém tivesse esse poder sobre mim. Ele me puxou para mais perto com a mão firme em minha coxa, o beijo voltou, dessa vez acompanhado de risos leves. Cada gesto, cada olhar, cada toque reforçava a sensação de que estávamos sozinhos, isolados do mundo, mas completamente conectados um ao outro, como se nada importasse além disso, alem desse momento só nosso. A sensação era intensa, delicada e preciosa. Eu podia sentir meu coração se abrindo, cada batida preenchida por algo novo, algo que eu não conseguia nomear. Viktor estava ali, tão perto, tão presente, e ainda assim, cada gesto dele parecia calcular o limite exato entre me conquistar e me respeitar. E isso me deixava segura. Quando o beijo terminou, ele se afastou apenas o suficiente para me olhar nos olhos, ainda segurando meu rosto com firmeza. Respirei fundo, sentindo o calor do corpo dele sob o meu, a segurança no toque e a intensidade no olhar. Pela primeira vez, pensei que talvez pudesse me deixar levar. Que talvez o sentimento que crescia em mim não fosse errado. Levei as mãos até a camisa preta que usava, ele ganiu baixinho e me deixou a tirar. A lancei para longe da cama. Observei o corpo dele de pertinho, cada músculo tensionado, e o cheiro da pele quente me inebriava. — Acho que te pertenço — a voz baixa, quase um sussurro. — Pertence, é minha esposa, é minha— disse ele, e o sorriso dele iluminou o quarto inteiro, embora seu tom de voz fosse dominante, era a primeira vez que escutava ele assim. E naquele instante, enquanto ele mantinha meu rosto entre as mãos e nossos lábios se encontravam mais uma vez, eu deixei que tudo viesse: o medo, o desejo, a esperança. Tudo. Pela primeira vez, eu me permiti sentir, me permitir confiar e me entregar, não à obrigação, nem ao medo, mas àquilo que estava crescendo entre nós.
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