Capítulo 07

836 Words
Raíssa 🌪️ Quando acordei de manhã, vi que o Relíquia já não estava na minha cama — como sempre. Me levantei e fui direto pro banheiro, tomei um banho gelado pra despertar de vez. Cinco horas da matina e o sol já começava a nascer. Enquanto uns ainda tavam acordando, a Cidade de Deus já tava a um milhão por hora. Vesti uma calça jeans e uma blusa de manga, passei perfume e calcei um tênis. Já tava quase na hora da minha missão. Com tudo já preparado, eu iria levar comida pro Matador. Sabia muito bem quem faria a vistoria hoje — era o Nelson. O velho é um nojo, mas tem o r**o preso com o CV. Ele sabe muito bem quem tem que fazer o dele. Saí de casa com o sol quase no alto e fui direto pra casa do Matador. Falei com os seguranças dele e entrei. O Relíquia já estava conversando com o Menor. — Bom dia, meninos! — falei, indo direto pra cozinha. Abri a geladeira, tirei o queijo e já fui colocando no pão. Voltei pra sala e o Menor me encarou sério. Fiz cara feia de volta. Já era óbvio que ele não gostava de mim. Mas não sei por quê. Eu sou um anjo — entre aspas — e não faço nada demais. Só de respirar do lado dele, ele já perde a paciência. Isso, pra mim, é t***o reprimido. Até que ele era gostosinho... mas não fazia meu tipo. — Tu é magra de r**m mermo, pô. Tá sempre comendo. — reclamou o Relíquia, e eu dei de ombros. — Os soldados já estão preparados pra te dar cobertura. — falou o Menor. Só balancei a cabeça. — Assim que eu sair da penitenciária, vou dar um giro pela cidade e só apareço na hora da missão. — avisei. Sabia que ia ter muito cu azul de olho em mim na hora que eu botasse minha cara pra ver o Matador. Até porque quem visita ele normalmente são as amantes dele. — Tu já sabe onde ir. Fica sempre com o celular e a Glock na mão. — alertou o Relíquia. — Relaxa, papai. Eu sei o que fazer! — sorri maliciosa e ele balançou a cabeça, negando. — Beijinho! — mandei um beijo pra ele. Menor fingiu limpar a garganta, e eu olhei pra ele com tédio. — Bom... — limpei as mãos. — Tô indo nessa! Menor, não precisa ficar com ciúmes, mô. Tem beijinho pra você também, fofo! — dei três tapinhas no rosto dele. Escutei ele me xingar e dei risada. i****a. Entrei na garagem, escolhi um Fiat preto, entrei, apertei o botão da garagem e saí cantando pneu. Levou quase uma hora até chegar na penitenciária. Peguei a "comida" do patrão e fui esperar na fila. Por glória, tinha pouca gente. A maioria era mulher de bandido e mãe. Muitas ali sabiam quem eu era, mas todas já estavam nessa vida — e as regras eram as mesmas. Por sorte, nenhuma tentou puxar assunto comigo. Levou uma hora pra passar na revista. Entrei. — Raíssa. — a voz do Matador saiu mais grossa do que eu lembrava. — O que você tá fazendo aqui? — Sou sua visita, chefinho! — sorri sarcástica e sentei no banco na frente dele. — Vai me dar nenhum beijinho de agradecimento? — fiz bico e ele negou. — Passou de boa? — perguntou, e eu confirmei com a cabeça. — Ótimo. Passa aí. Coloquei as sacolas com a comida na mesa e olhei ao redor. Aproveitei o tempo exato pra pegar o celular e entregar pra ele. — É impressão minha ou você tá mais gordo? — zombei, e ele me encarou sério. — É impressão minha ou tu tá mais feia? Tá afim de ficar sem esse teu muco aí? — rebateu, e fiz careta. — Toca no cabelo e eu meto bala no teu cu. — ele riu e começou a comer. — Tá muito abusadinha, né!? — reclamou, e eu fingi que nem era comigo. — Já vou logo avisando que o Diego morreu e o Menor ainda não descobriu quem foi. — falei de uma vez. Matador comeu, me encarando puto. Ainda estávamos na cadeira e ele não podia fazer nada, então teve que se contentar em bancar o pacífico — coisa que ele não é. — O meu chefe de segurança foi assassinado e só agora fico sabendo, Raíssa? — Isso foi semana passada. Ficaram escondendo o ocorrido. — dei de ombros. O tempo acabou. Me levantei pra me "despedir" dele. — Nos vemos mais tarde, chefinho. — o abracei, ele me apertou forte. — Cadê meu beijinho de despedida? — fiz bico e ele deu risada, segurando meu rosto. Ele me deu um beijo rápido e depois se afastou. — Avisa pra geral que eu vou fazer os acertos de contas quando eu sair dessa p***a. Confirmei com a cabeça, mandei um beijinho pra ele e saí rebolando.
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