Capítulo 13

652 Words
Eu estava cansada. Cansada de mensagens misteriosas. De pistas pela metade. De gente escondendo segredos. Enquanto eu corria atrás de respostas, Matador continuava atrás das grades. E aquilo precisava acabar. Agora. A sala estava cheia. Relíquia, Caveira, os gerentes e os soldados de confiança. Todo mundo me encarava, esperando uma decisão. E eu tinha uma. — Chega — decretei. O silêncio tomou conta do lugar. — Chega de correr atrás de fantasma. Primeiro a gente tira o Matador da cadeia. — E o traidor? — Caveira perguntou. — Depois eu resolvo. — Minha voz saiu firme, sem deixar qualquer espaço para discussão. — O chefe vem primeiro. Relíquia assentiu, pela primeira vez em dias. — Concordo. — Então vamos trabalhar. Duas horas depois, a mesa estava completamente coberta de mapas, fotos, horários e rotas. Tudo o que conseguimos levantar sobre a prisão e a rotina do lugar. Eu observava cada detalhe. Cada entrada, cada saída, cada possibilidade latente. — Tem uma movimentação prevista para a semana que vem — Relíquia falou, quebrando o silêncio. Levantei os olhos. — Que movimentação? Ele apontou para um ponto específico em um documento confidencial. — Transferência. Meu coração acelerou instantaneamente. — Tem certeza? — Sim. — Quando? — Quinta-feira. Olhei novamente para o mapa. Quinta-feira. Cinco dias. Tínhamos exatamente cinco dias para armar o plano e tirar o Matador das mãos do Estado. — Essa é a nossa janela — anunciei. Todos ficaram em silêncio porque sabiam o que aquilo significava. Uma transferência na rua era um momento vulnerável. Muito mais vulnerável do que tentar invadir uma prisão de segurança máxima. — Quantos carros? — um dos gerentes questionou. — Dos blindados. — Escolta? — Três viaturas. — Rota? — Ainda não sabemos. Passei a mão pelos cabelos, pensando rápido, calculando os riscos e montando a estratégia dentro da cabeça. Até que um sorriso surgiu nos meus lábios, devagar. — Eles vão mudar o caminho tradicional. Relíquia arqueou a sobrancelha. — Como sabe? — Porque nós faríamos o mesmo se estivéssemos no lugar deles. Os homens começaram a trocar ideias, táticas e possibilidades de emboscada. Mas a minha mente já estava vários passos à frente de todos na sala. Uma coisa estava muito clara para mim: eu não seria apenas a pessoa que planejou a fuga de longe. Eu seria quem estaria na linha de frente, puxando o gatilho e colocando o Matador para fora daquele carro. Quando a reunião finalmente terminou, Relíquia permaneceu no local, sozinho comigo. — Você tá colocando muita pressão em você mesma, Raíssa. — Faz parte do fardo. — Não precisa ser você no volante ou na liderança direta do ataque. Olhei bem no fundo dos olhos dele. — Precisa sim. — Por quê? Dei um sorriso sem humor nenhum. — Porque a única pessoa em quem eu confio plenamente agora sou eu mesma. Relíquia soltou uma risada baixa. — Isso foi a coisa mais Raíssa que você falou o dia inteiro. Me aproximei da janela da sede, observando o movimento habitual da favela lá embaixo. As luzes das casas se misturando, o ronco das motos subindo os becos, as pessoas circulando. O meu mundo. O meu lar. O meu eterno campo de batalha. — Eu vou tirar ele de lá — murmurei para a noite. Relíquia ficou em silêncio por um momento antes de responder. — Eu sei que vai. — Não importa quantos policiais apareçam. — Eu sei. — E não importa quantos tiros aconteçam. — Eu sei. Respirei fundo, sentindo a adrenalina pura começar a correr nas minhas veias. Era exatamente a mesma sensação que tomava meu corpo antes de uma grande guerra, antes de uma grande operação, logo antes de o caos se estabelecer. — Quinta-feira — completei, virando-me para ele. — Quinta-feira o Matador volta para casa. E, pela primeira vez desde o dia em que o vi ser levado algemado, eu finalmente tinha um plano.
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