De volta a realidade

1386 Words
Lis e o ex-noivo viveram cada segundo do tempo que tiveram juntos, as refeições, dormir, assistir a filmes bobos, conversar e todas essas coisas que fazem parte da cumplicidade que se constrói ao longo do tempo. Talvez o segredo estivesse justamente em nunca terem desistido dessas coisas. - Por que demorou tanto para me dizer sim, Lis? Estavam abraçados quando Pablo fez a pergunta e a garota simplesmente não entendeu. - Do que está falando? Há muito tempo, quando se conheceram e Lis o encarava só como um nerd bom de cama ele confessou o que sentia. Estavam fazendo amor, na sala dos computadores do condomínio, foi depois de uma discussão, ela queria ir embora, voltar para estrada e ele queria ficar. Lembranças... - Se sair por essa porta não precisa voltar, vou seguir minha vida, Lis e você vai curtir seu caminho. Pode escolher superar o que aconteceu e ficar comigo, eu te amo, juro que ninguém, nunca mais vai te fazer mαl, mas se escolher reviver esse inferno, vai ser sozinha. Ela voltou, era a primeira vez que ouvia alguém dizer que a amava, prostitutas não costumam ser amadas, só usadas, Pablo era diferente, não a olhava como vítima, nem como culpada, só como mulher. Fizeram amor de um jeito calmo, diferente, até aquele dia ela sempre controlou cada movimento, naquela tarde ele a fez dele, não como um homem que toma o prazer, mas como alguém que conduz a mulher que ama. Pablo afastou o teclado antes de colocar a mulher sobre a mesa e abrir suas pernas. - O que está fazendo? - Xiu, sabe o que estou fazendo. Pablo falou pouco antes de passar a língua na a******a de Lis. - Vou fazer você minha e vai gostar. Entendeu encrenqueira? Ela fechou os olhos, dessa vez não porque queria escapar e sim porque queria sentir, o corpo reagiu aquelas palavras e aos toques a empurrando em um precipício de prazer que a fez gemer ainda mais alto, ele a trouxe para um abraço e falou em seu ouvido. - Casa comigo, encrenqueira? Só teve a resposta muito tempo depois, quase dez anos acumulando o medo da rejeição, colecionando anéis de noivado e esperando que ela desse qualquer indício de que o queria. Quando ele narrou parte do dia em que a pediu em casamento ela se lembrou, não do pedido, mas da emoção que sentiu. Foi quando descobriu que o que tinham não era só troca de prazer, que não estava disposta a partir se não fosse com ele, que tinha medo de perdê-lo... Não respondeu, para ela o medo de se entregar, naquela época, era tão mais forte do que qualquer sentimento que provavelemente a mente apagou essa parte. Os dias que Ming ficou no Brasil foram como férias, Lis quase conseguiu esquecer a realidade e viver. Não era a normalidade, gostaria de poder sair, passear, tinha adorado o clima do México, o jeito alegre das pessoas. Sentia como se quisesse mostrar ao mundo o que ela e Pablo eram juntos. - Um dia quero voltar aqui com você. Pablo lembrou do que ouviu de Ming ainda no condomínio do Brasil. “...Nunca entendi o que faz uma mulher como Lis se apaixonar por um frouxο como você. Não é nada! Só um bostα brincando de enfiar o pαu em qualquer lugar para compensar o fato de ser só um aleijado de merdα.” - Não tem mesmo vergonha de ser vista com alguém, assim? - Tenho um orgulho imenso de ser vista ao lado de alguém como você, Nerd. Você é o homem que eu amo, mas além disso é inteligente, lindo, gentil, honesto e bom de cama. O que mais uma mulher pode querer? As palavras de Lis o fizeram pensar em imagens muito mais doces, fazia quase um ano e tinham escolhido juntos um par de alianças e um aparador para ela. Assim que chegaram a uma sorveteria ainda no Rio de Janeiro ela mostrou a mão para a atendente. - Estou noiva! VOU ME CASAR! Pablo acabou rindo sozinho com a memória e beijou a garota, sempre a achou linda, mas para além dessa beleza física que bastava olhar para perceber, ele conhecia um lado de Lis que ninguém mais teve acesso. Ela era meiga e doce em um ponto quase infantil, no entanto era algo que ela mantinha escondido a maior parte do tempo, preferia sustentar a imagem de mulher independente e fria, por isso dificilmente as pessoas a encaravam como alguém que também precisava de ajuda, sempre a procuravam quando tinham um problema para resolver, mas quando era Lis que estava com medo, todos a deixavam por conta própria, afinal, ela sempre dava conta. O problema não era conseguir, era a que preço. E ser forte por tempo demais é exaustivo, o único lugar em que ela podia recarregar as baterias e ser ela mesma era com Pablo, mas dessa vez, até isso foi arrancado dela. Cada palavra da garota era verdadeira, tinha orgulho do homem ao seu lado, não apenas porque ele era o homem mais incrível que ela já tinha conhecido, mas principalmente porque ele sempre a enxergou. O problema é que o sonho nunca dura para sempre, foram informados de que Ming tinha saído do condomínio a tarde, o que significava que este estaria de volta ao México ainda naquela madrugada. - Precisa convencê-lo a ficar, Lis, se voltarem para China não vou conseguir me aproximar. - Vou dar um jeito, só fica calmo, sei como manter o Ming na linha. Não perguntou como ela faria, odiou ouvir e detestou ainda mais o que imaginou, só respirou mais fundo e tentou esquecer. Repassaram todos os detalhes, o que fariam e de que forma, já era noite quando ela tentou ir embora. Pablo a segurou. - Não tem mesmo nenhuma chance de a gente ir embora, boxeadora? - Sabe tanto quanto eu que não chegaríamos nem na fronteira e se tivéssemos muita sorte, passaríamos o resto da vida escondidos como ratos, seu filho seria o primeiro alvo de Ming e em pouco tempo iria me odiar. - Nunca vou odiar você, mas tem razão. Pablo queria acreditar que podiam escapar e provavelmente conseguiriam, mas viver fugindo, colocar as pessoas que amava em risco, incluindo Noah era um preço alto demais. Tinha tudo pronto, podia ver e ouvir cada canto do hotel, inclusive o quarto que Lis ocupava, essa parte ela não sabia, não quis que ela ficasse apreensiva, então omitiu. Já Lis conhecia os detalhes do que tinha acontecido no condomínio e o porquê o marido precisou ficar mais tempo do que o planejado, preparou internamente um teatro de esposa preocupada e zelosa. Ming conversou com os seguranças, aparentemente a esposa tinha o esperado pacificamente como prometeu, com exceção do dia em que se encontrou com o mexicano achava que nada tinha fugido ao esperado. Ouviu a conversa editada por Pablo e se sentiu feliz pelo que ela disse. "Estou começando a gostar dele, acho que pode dar certo." Entrou no quarto tranquilo, havia recuperado os campos de papoulas no Afeganistão, os custos aumentariam com a exclusão do trabalho das crianças e pagamentos de salários a médias americanas, mas ainda teriam lucros. Lis estava esperando por ele, então comprou um colar riviera em ouro branco e diamantes, queria agradá-la e pensou que ficaria linda na peça. Encontrou Lis usando um vestido preto de veludo em estilo oriental, justo ao corpo e com pequenos detalhes prateados, os cabelos soltos. Ming sentiu o peito aquecer com a visão, por um instante pensou que aquela situação poderia ser diferente, considerou o que ouviu de Dragón, talvez se pudessem se conhecer de verdade, fora de um acordo lembrou de quando conheceu Rachel, estavam apaixonados, mas a Tríade não permitia que ele se casasse antes do irmão, estava disposto a pagar pelas dívidas do pai da garota, mas Wan gostou de receber a namorada de Ming como prêmio. Aceitou, não era como se pudesse fazer ou falar qualquer coisa, por isso tinha tanto carinho pelo sobrinho e apesar de estar com Pablo aquela noite, ele não permitiu que ela tomasse nada que pudesse feri-la. Deve um devaneio por um segundo antes de fechar a porta atrás de si. "Estou fazendo a mesma coisa com você não estou?"
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