O tempo passou e, assim como a estória de amor conhecida por Yoongi e tantas vezes contada para lhe assustar, a história de amor dos lordes fugitivos virou lenda, entretanto, não tão forte para ser perpassada por milhões de anos — dois mil anos, para ser mais exato.
Na verdade, os alfas e ômegas, homens lobos ou, como mais popularmente conhecido, lobisomens foram o que se tornou uma lenda, um mero folclore na sociedade atual que era compostas apenas por betas, seres completamente normais, sem qualquer traço animal e habilidade extra. Humanos, é assim que são chamados hoje em dia.
Pois a evolução constante do ser e de suas tecnologias fizeram com que, com o passar dos anos, os instintos e habilidades animais que ajudavam — e tornavam mais forte — a versão pré-histórica dos humanos a sobreviver se extinguir. Não precisavam mais de garras ou dentes afiados; tinham armas. Não precisavam de instintos para sobreviver na natureza; construíram cidades. Não precisavam de velocidade extra; tinham carros, barcos e, mais adiante, aviões. Não precisavam de seu lado animal para ser mais forte; conheceram a força tecnológica e seus avanços.
Então, hoje em dia, a civilização ABO (alfa, beta e ômega) era desconhecida e desacreditada por quase todos. Porém, dentro de dois jovens irmãos, a lembrança ou meros fragmentos dessa civilização do passado permanecia, porém de forma adormecida — ou melhor, manifestada — apenas por uma sensação forte e, paradoxalmente, vaga e incompleta de um amor do passado.
Amor que sobreviveu à morte, sobreviveu ao tempo e agora renascia para a segunda chance tão implorada.
E essa reminiscência de exata época, esquecida por todos, aconteceu primeiramente quando, no ano de 1993, a alma do jovem lorde do antigo reino Quel'Thalas, hoje em dia conhecido como a cidade Daegu, mesmo que esta não tenha sequer a mesma condição climática de antigamente, renasce. Seu nome ainda era Yoongi, como na vida passada, sua pele era tão pálida que chegava a ficar translúcida e brilhava quando exposta a luz, ganhando assim o mesmo nome. Porém seu sobrenome era outro, um que tanto fora ansiado por si no passado: Jeon.
E com o passar dos anos, exatamente dois, o pequeno Yoongi, que m*l tinha consciência de tudo a sua volta, tomou conhecimento de um amor tão, tão forte que parecia m*l caber em seu pequeno corpo ao conhecer o seu irmãozinho, Jungkook. O seu coração bateu muito forte e, quanto mais olhava para os olhos tão pretos do novo m****o da família, sentia uma sensação de completude e um pequeno choque de bem estar tomou todo o seu corpo ao tocar os dedos minúsculos do bebê, que também parecia estar hipnotizado por si e seus olhos gateados curiosos.
Quando Jungkook nasceu, não moravam mais em Daegu. Agora estava em outra cidade, também conhecida pela alma antiga de Yoongi como Teldrassil ou simplesmente Busan, onde cresceram.
Eram irmãos inseparáveis. A diferença de idade parecia não importar para os dois; sempre estavam fazendo algo juntos, quer seja brincando, estudando, lendo ou simplesmente deitados, apreciando a companhia um do outro, enquanto escutavam alguma música que gostavam. Pois, naquele momento, enquanto crianças inocentes e livres de qualquer malícia, não tinham maldades em suas ações ou sequer pecado — só se apreciar a companhia alheia fosse um crime.
Se amavam e ponto. Queriam ficar juntos o tempo todo, pois simplesmente se sentiam bem ao lado um do outro. A percepção de que aquele sentimento que os rondava desde sempre era diferente do que acontecia com os outros irmãos só foi entendida pelos dois quando a adolescência chegou.
O primeiro a perceber foi Yoongi, porém apenas assumiu aquele desvio de moral aos dezessete, idade na qual o Jeon mais velho não conseguiu mais se autoenganar com mentiras rasas sobre a intensidade do amor que sentia pelo próprio irmão.
E por mais que tentasse lutar, não entendia... Ou simplesmente não podia aceitar aquele sentimento tão forte e proibido, que parece ter nascido enraizado junto consigo, por seu irmão mais novo. Não repudiava o amor puro por Jungkook, aquele de querer seu bem e sua felicidade. O que lhe matava aos poucos era o outro, o débil, o corrosivo desejo inexplicável por seus toques, por sua boca, por seu corpo. Então se afastou.
Foram de irmãos inseparáveis para, praticamente, estranhos que moravam na mesma casa, pois Yoongi preferiu fechar-se a arrastar o irmão naquela loucura. Puniu-se com a solidão, pois não podia contar aquele segredo que o sufocava para ninguém. Puniu-se com a saudade do corpo, mesmo que naquele corpo inferior desconhecesse essa verdade, e da alma que estava ligada à sua de forma profunda, além de ser a única que poderia lhe trazer paz em vida.
Para o mais novo dentre os irmãos as coisas não eram muito diferentes. Ele sentia tudo o que Yoongi sentia, além de um sentimento doloroso de culpa, pois percebera desde cedo que o seu jeito de amar os carinhos vindos do irmão não condiziam com a relação que deveriam ter. Sentia um amor tão forte e parecia ser algo natural — mesmo que a sociedade inteira dissesse que não —; quando estava com Yoongi, tudo parecia fazer sentido. Era reconfortante e lhe dava uma sensação estranha de nostalgia. Nunca havia tocado seu corpo nem mesmo sentido o gosto de seus lábios, então era estranho que sentisse tanta falta disso. Quando estava sozinho, costumava sentir uma essência fresca que só sabia distinguir sendo floral, mas não fazia ideia do que era, apenas que ela ativava suas lembranças sobre Yoongi.
Yoongi, de repente, lhe evitava, principalmente o contato entre seus corpos. Quase nem lembrava mais o seu cheiro para tentar compreender porque aquele lhe trazia a memória, mas, se fosse ser honesto, Yoongi estava sempre em seus pensamentos. Pensava nele dia e noite. Era uma pena que estragara a relação próxima que tinham desde a infância — ou era isso que pensava.
Nunca fora capaz de esconder como admirava o irmão mais velho, assim como, com o passar do tempo, não conseguia esconder seu desejo. O olhar sempre recaía por seus lábios quando conversavam e, quando Yoongi estava distraído, sempre encara com lascívia suas coxas finas, a b***a cheia e redonda, sua cintura afinada e os ombros pouco largos. Gostava especialmente de sua nuca, tão alva e imaculada, sempre sentia-se compelido a morder o local, abraçando o corpo magro e fazendo um pedido para que fosse seu. Com certeza era estranho, sabia disso e tinha certeza que Yoongi também sabia, que percebera todos os sinais que dava mesmo sem querer, que foi isso que o afastou. A relação de ambos foi se deteriorando rapidamente e nunca mais voltou a ser mesma, só que isso não mudava nada; Jungkook ainda amava seu irmão e, mesmo sendo ainda tão jovem, não conseguia se atrair por outros.
Ambos não conseguiam entender tal "desvio", mas sentiam de forma pesada os efeitos da sombra de suas vidas passadas. Um pacto havia sido firmado para uni-los a qualquer custo e o preço estava sendo cobrado, porém não imaginaram que iria ser tão caro.
Odiavam aquela condição genética que os uniam como irmãos, não queriam ter aquele vínculo sanguíneo. Quantas vezes desejaram ser adotados, mas sabiam que não eram, e se a palavra, fotos e vídeos de sua mãe grávida não fossem suficientes, ainda tinham a mesma marca de nascença no peito, como uma prova cabal de parentesco. Ou era isso que pensavam.
Leigos de toda a carga emocional de suas almas antigas, apenas sofriam de forma miserável com a separação c***l de seus corpos, com a intensidade imutável daqueles sentimentos e desejo flamejante pelo outro. Ansiavam-se como loucos e aquela distância autoimposta não chegava a mudar um milésimo do que sentiam — para falar a verdade, quanto mais os dias iam se passando, mais se queriam.
E foi tomado pelo desejo de acabar de vez com aquela ânsia indomável pelo irmão que Yoongi decidiu colocar alguns quilômetros naquela distância ao se mudar para Daegu com a desculpa de estudar. Afinal, a cada novo encontro com Jungkook e seus olhos negros, o Jeon mais velho sentia sua convicção em não se entregar àquele pecado se esvair.
Porém não esperava a reação que tal decisão causaria em seu irmão — agora não tão — mais novo, já que Jungkook já estava com os seus dezoito e quase terminando o ensino médio. Não imaginou que o desespero dele com a notícia seria tão grande, chegando até mesmo a lhe confrontar.
Estava fazendo suas malas, seu trem sairia cedo no dia seguinte. Temporariamente, ficaria na casa dos avós, quando a porta do seu quarto se abriu de forma brusca e o irmão mais novo, que era uns bons centímetros maior e mais largo que si, entrou como um furacão, desesperado e com um semblante levemente alterado, como se estivesse bêbado.
— Por que, h-hyung? — a voz de Jungkook estava um pouco chorosa. — Por que você decidiu me odiar do nada? Porque me expulsou da sua vida? Éramos amigos...
A tristeza nos olhos do maior o machucava e, sem pensar muito em suas ações, o abraçou, sentindo logo os braços longos e fortes retribuírem o gesto, lhe rodeando a cintura. Sentiu falta daquele abraço, da sensação de conforto que fez poucas lágrimas de saudades deixarem os seus olhos gateados ao sentir o cheiro do mais novo, mesmo misturado ao álcool.
— Eu te amo, hyung. — se declarou, mas não da forma explícita que sempre quis. — Eu sinto falta das nossas conversas, de seu sorriso. Agora, sempre que você olha pra mim, seu semblante parece chateado comigo. O que aconteceu, hyung? O que mudou?
Yoongi percebeu o erro que estava fazendo ao se deixar levar pelos sentimentos. Se afastou como se o mais novo tivesse uma doença, mesmo que sempre achasse que o patógeno daquela relação "fraternal" fosse ele mesmo e seu desvio.
— Você não entende, Jungkook... — a voz do mais velho falhou. Sabia que não podia sanar a dor do irmão com a verdade, pois se tratava de um segredo que deveria morrer consigo, enquanto não conseguia matá-lo dentro de si.
— Não entendo, mesmo. Éramos uma boa dupla e, de repente, não éramos mais... Eu preciso que me diga: por que me odeia? — assuntou. Queria ter certeza de suas suspeitas e, se essas se confirmassem, poderia mentir, dizer que não sentia nada daquilo ou que já não sentia mais, para que assim Yoongi não partisse.
Não tê-lo em seus braços era até menos doloroso que nem mesmo ter sua presença. Não podia deixar aquilo acontecer.
— Eu não te odeio, Kookie, isso é um pouco exagerado...
— É como você age. Parece até que o ar fica impuro perto de mim! Se não me odeia, então o que é?
— Eu já disse, você não vai entender.
— Não sou uma criança, Yoonie, é claro que eu vou entender!
— Não tem nada a ver com você, eu só não gosto de Busan. — inventou, já que não podia dizer ao seu irmão que o amava e por isso queria partir, para evitar que algo desastroso acontecesse.
Yoongi se sentia sujo por isso, ainda mais quando fazia o caçula chorar. Se perguntava porque tinha que ter nascido daquele jeito, porque não podia ser como todos e ter um forte amor fraternal? Como isso virara paixão? Como chegou a este ponto de desejar de forma tão dolorosa tocar e ser tocado por seu irmão mais novo? Era quase como um castigo, pois, cada vez que pensava em Jungkook e que não conseguia conter seus pensamento impuros, vivia um martírio dentro de sua cabeça.
Mas aquela mentira não se manteve nem por um segundo. Jungkook conhecia bem seu irmão, apesar do afastamento, e sabia como seus olhos sempre se desviavam quando mentia.
— c*****o, você nem mesmo pode me dizer a verdade? — insistiu e deu um passo na direção do outro, encurtando a distância que este já havia criado mais uma vez. — Eu sei muito bem do que se trata, Yoongi! — vociferou e, percebendo que havia aumentando demais seu tom, recuou um passo e escondeu o rosto entre as mãos, derramando mais lágrimas. — É por minha causa, não é? Por causa do jeito que eu te olho... Você me acha uma aberração, Yoongi, por isso não consegue nem ser honesto comigo.
— E como você me olha? — perguntou, realmente ingênuo.
O mais velho sempre ficava tão preocupado em não demonstrar o seu desejo, sempre policiando as vezes que olhava para o maior, os toques e tudo mais, que se tornou completamente alheio aos olhares intensos de Jungkook e, às vezes, quando capturava algum desses olhares, achava que era a sua mente perturbada imaginando situações impossíveis. Afinal, Jungkook sentir o mesmo que si era impossível, não era?
— Para, Yoongi, só para! — andou mais um passo até o irmão, tocou-lhe o pescoço suavemente, acariciando a marca de nascença que tanto amava no outro. — Assume logo que estraguei tudo entre nós, que esse desejo, sempre tão ardente e intenso, refletido em meus olhos te afastou. Me desculpe, irmão, me desculpe por querer o proibido. — raspou o polegar pelos lábios vermelhos que sempre ansiou. — Eu juro que tentarei com mais vontade não ter esses pensamentos confusos sobre nós. Apenas...
— J-jungkook... — de forma fraca, tocou no peito alheio para o afastar, porém só conseguiu sentir o bater descompassado do coração do mais novo.. — N-não...
Fechou os olhos, constatando que aquela loucura era bem maior que imaginou e mais que nunca precisava fugir da presença de Jungkook, mas, naquele momento, seu corpo não reagia a nada que não fosse o toque da pele quente do moreno em seu pescoço.
— Você sabe que não podemos, Jungkook. — olhou para o maior, que, naquele momento, tomou aquilo como uma confirmação do que já sabia; o seu amor impróprio era o motivo do afastamento alheio. — É um sacrilégio.
— Eu prometo, Yoonie. Prometo tentar parar. Só não vá... — segurou o rosto bonito do irmão, colou a sua testa na do menor, ainda sentindo que não era o suficiente, se contradizendo através de gestos impulsivos. — Apenas não se afaste de mim, hyung. Eu imploro.
— Isso é uma loucura...
Sem conseguir mais controlar, afinal a verdade já estava posta a mesa, Yoongi se jogou mais uma vez nos braços do seu irmão, gravando o seu cheiro, o seu tato, deixando-se por um minuto, o último, aproveitar daquela sensação que só Jungkook lhe causava.
— E temos que parar antes...
O mais velho não conseguiu terminar a sua fala, pois, em um ato de desespero e com o pensamento nublado pelo álcool de que não tinha mais o que perder, Jungkook colou os seus lábios no do irmão. E por mais responsável que Yoongi tentasse ser por toda a sua vida até aquele ponto, não conseguiu prosseguir com a farsa de que não sentia nada. O calor e o gosto dos lábios do irmão, ambos afetados pelo álcool, fizeram sua cabeça se perder. Sentia-se envenenado por aquele lábios. Havia idealizado tantas vezes poder senti-los e, finalmente, estava, e isso consumia tanto seu corpo e alma que nem pensava como um erro.
Apertou a nuca do irmão e teve seu corpo apertado pelos braços fortes, sentindo no seu toda a estrutura máscula do mais novo. Roçou a língua devagar na alheia e deixou um gemido baixo escapar. Estava e******o e estava excitando Jungkook de forma perigosa, sem se dar conta ou importar.
Jungkook m*l podia acreditar naquilo, pois achava que Yoongi tinha nojo de si, que o estava repelindo. Como podia seu irmão estar agarrando-se a seu corpo com tanto afinco e sugando sua língua como se não houvesse nada mais delicioso no mundo que o gosto que guardava?
Separou os lábios e ousou grudá-los na pele branca do outro. Tocou a marca que tinha ali, sem entender porquê a achava tão atrativa, e lhe deu uma lambida, em seguida mordendo devagar. Yoongi tremeu em seus braços e soltou um gemido manhoso, chamando seu nome de uma forma que jamais poderia esquecer. Apertou ainda mais o corpo esguio do mais velho contra o seu, sentindo cada pedacinho e principalmente a ereção que se formara rápido demais. Deu um pouco de alívio a ela usando a sua própria, a sentindo pulsar dentro de sua cueca.
O mais novo mostrava o quanto era mais ousado e, sob o efeito do álcool, quase não pensava em erros e consequências. Suas mãos audaciosas só queriam explorar cada parte daquele corpo, apreciá-lo e adorá-lo como seu templo. Precisava extravasar todo o amor e o t***o que reprimia por anos, então tocou a b***a redonda de Yoongi e a apertou. Iria colocá-lo em seus braços, o jogar em sua cama e lhe dar amor como jamais recebera ou receberia nesta vida, assim pensava, mas, apesar do arrepio gostoso que o menor teve ao ser tocado daquela forma pela pessoa amada, estava sóbrio, e mesmo que no começo sua mente tivesse se dispersado, o terror de perceber as intenções do irmão o despertou para o ato pecaminoso que estavam cometendo.
Queria, nunca quis tanto algo na vida, mas não podia. Cabia a si dar um fim naquela loucura, por isso afastaria Jungkook agora e no dia seguinte recomeçaria sua vida em Daegu, longe de seu irmão, no intuito de matar aquele amor impossível.
Usou toda a força que possuía em seu corpo esguio para empurrar o peito do mais novo. A culpa sufocava-o. Como fora capaz de tocar daquela forma naqueles lábios? Como pôde regozijar-se com o toque daquela pele proibida? Por que era tão fraco àquele veneno dos lábios do mais novo? Por que o gosto do pecado era tão atrativo? E por que, ao o sentir em seu corpo, o repúdio, natural em tal caso, era apenas desejo puro?
Não entendia e preferia não embarcar mais em pensamentos sobre o assunto; assim como os seus sentimentos, enterraria aquele beijo dentro de si e exigiria que Jungkook fizesse o mesmo.
— Saia!
— Yoongi...?
Jungkook caía em si agora sobre o que fizera. Deixou aqueles sentimentos confusos fluirem e tomarem conta de seu corpo e, ao se manter um minuto no paraíso, condenou-se ao inferno. E não falava da condenação eterna, mas, sim, da condenação que sofria agora ao ver os olhos gateados distantes, aterrorizados e levemente raivosos.
Queria apenas conversar, tentar voltar a ter Yoongi em sua vida, mas, agora, depois do beijo, sabia que tinha deixado evidente os seus sentimentos e descontrole em relação ao irmão.
— Saia, Jungkook, apenas deixe-me, okay?
— Mas você também sente...
— Você não vê? O que contaremos à mamãe? Ou ao papai? Que seus filhos nutrem um amor doentio?
— Não é doença! É amor, Yoonie, é, sim!
Confirmou mais para si que para o irmão. Compreendia que não era convencional, mas nunca amou tanto alguém como amava Yoongi. Sim, às vezes se sentia uma fera insaciável pelo o corpo do menor, mas todo aquele desejo não se restringia àquilo; ansiava como um louco tê-lo integralmente, desejava a sua alma tanto quanto ao seu corpo e sabia que isso o condenava, mas não podia negar que era pelo mais intenso amor.
— Amar o próprio irmão? Desejar a sua presença tão fortemente que dói? Qual o nosso problema, Jungkook? Por que nós?
— Fique, tente descobrir essas respostas comigo.
— Saia... — foi até a porta do quarto, a abrindo. — Apenas saia e esqueça. Esqueça esse ato de loucura e entenda que o melhor para nós é a distância, Jungkook, pois eu não posso fazer isso...
— Vai ser em vão, Yoongi, você sabe, amor. — caminhou até o mais velho, tocou-lhe o queixo e contemplou os olhos um pouco mais claros que os seus. — Faz anos que você se afastou de mim e, agora que sei o motivo, te pergunto: esqueceu?
— Não torne as coisas mais difíceis...
— Esquecerá os meus lábios depois de prová-los? Depois de sentir toda essa chama que vem nos consumindo por anos se abrandar de forma tão paradoxal ao nos queimar por completo? — esperou uma resposta, mas nada veio do mais velho. — Responda! — o pressionou e recebeu apenas mais silêncio. — Se você não consegue nem negar isso, como você me pede pra esquecer, Yoongi?
— Finja...
— Fingir não vai machucar menos.
— Talvez não a nós.
Jungkook encarou seu irmão, que fitava o chão, sempre o evitando de um jeito ou de outro, e sentiu-se consumir pela ira da rejeição. Seu peito doía de tristeza, a frustração lhe tirou todo o ânimo de seu corpo, parecia estar drenado. Amaldiçoou a vida mentalmente por pregar-lhe uma peça tão sem graça: Nascer irmão daquele que ama e ainda ser correspondido em uma era em que o incesto era um dos maiores pecados que se podia cometer.
"Talvez não a nós"?
Deu as costas para Yoongi e bateu a porta de seu quarto, partindo. Amava tanto o mais velho que não pensava nos outros, apenas neles, mas Yoongi o rejeitava pensando em seus pais? Na sociedade? Por que também não pensava neles? Também iriam sofrer. Podia ser jovem, mas tinha bem claro em seu peito que aquele amor não ia passar com o tempo. Sentia-se ligado ao irmão, mas não como irmãos; era de outra forma, como se tivessem nascido para serem amantes e Yoongi correspondê-lo fortalecia essa ideia.
O rapaz deitou-se em sua cama, dominado por todos esses pensamentos, pelo beijo e a sensação do corpo do irmão em seus braços, também por suas palavras finais ao repeli-lo, não apenas dos toques fogosos, mas também de sua vida.
O mais velho dos Jeon também não estava muito feliz com a situação toda. Talvez fosse mais fácil prosseguir seus planos se achasse que era o único, mas saber que Jungkook também tinha aqueles sentimentos impróprios fazia seu coração vacilar. No entanto, sentia-se sujo. O beijara e apreciou tanto o ato que queria mais. Tremia só de pensar que poderia estar se deleitando no calor dos braços do irmão, em sua cama. Como algo tão errado podia lhe fazer tanta falta? Seu corpo queimava em necessidade e uma angústia lhe tomou ao imaginar-se longe do corpo do outro.
Yoongi afundou seu rosto no travesseiro e chorou até adormecer. Quando a manhã chegasse, partiria para Daegu, para longe de Jungkook e da tentação de sucumbir aos seus desejos... Mas se fossem apenas desejos as coisas seriam mais fáceis, o fato era que o amava e sabia disso, porque era algo totalmente diferente do que sentia por qualquer outra pessoa.
Naquela noite, ambos os irmãos sonharam com palavras doces trocadas em uma cachoeira, mas, quando acordaram, não se lembravam mais disso, apenas da sensação que aquela lembrança de uma outra vida deixava em suas almas.