Tinham passado-se três dias. m*l paravam para descansar ou comer, tentavam esconder os rastros, mas Jungkook sabia que Hoseok era um bom caçador, afinal, nesse quesito fora o mais velho que lhe ensinou tudo que sabe e, mesmo dificultando, o Jeon mais novo sabia que ele ainda os encontraria.
— Estou cansado, Jungkook. — o ômega quase caía do cavalo. Sentia fome e seu corpo implorava por um descanso mais longo. Não tinha costume ou resistência para se manter naquele ritmo.
Percebendo o cansaço do menor, Jungkook sabia que não poderia prosseguir naquele ritmo — pelo menos naquela noite, teriam que acampar e dar um descanso para o menor, que parecia que ia desmaiar a qualquer momento. Lhe deu uma pequena mordida temporária para o proteger de algum alfa que sentisse o cheiro. Não queria marcá-lo de forma definitiva assim, tão banalmente; imaginou esse momento de outra forma. Então, depois de arrumar o lugar seguro em uma gruta, o pediu para descansar, pois logo voltaria. Estava anoitecendo e precisava caçar algo e, como não sentia a mesma fadiga do ômega, preferiu o deixar dormindo.
Mal haviam tido tempo de se tocarem e matarem a saudade que os torturou por aqueles dias infindáveis. Jungkook m*l via a hora de segurar seu ômega nos braços e beijar-lhe o rosto, enquanto dias tranquilos faziam todo aquele tormento valer a pena. Apesar de pensar como Yoongi, mesmo que morresse naquele momento, aquela escolha valia a pena, mas não queria pensar naquilo. Imaginar o corpo de Yoongi sem vida lhe enchia de aflição.
Com toda a sua habilidade, achar uma caça e capturá-la fora uma tarefa fácil. Logo voltou para junto de seu dorminhoco ômega e começou a preparar a carne para que ele pudesse se alimentar após o descanso. Sabia que Yoongi era mais frágil e, como estava habituado a mimos, aquela não era vida para si. Queria o mais rápido possível achar um lugar onde pudessem ficar por dias de modo mais seguro.
Jungkook comeu um pouco e adormeceu e, quando acordou, o ômega ainda dormia, mas minutos depois este despertou e ficou feliz ao comer. Foi nesse momento que tiveram mais uma vez um contato mais íntimo, com Yoongi sentado entre suas pernas, mastigando a carne e algumas frutas suculentas, enquanto recebia o carinho do alfa em seus cabelos.
— Vamos precisar cair na estrada novamente. Precisamos ir o mais longe possível.
— Tudo bem, meu corpo já está melhor.
— Desculpe, Yoongi, isso é pesado demais para você.
O menor riu, descansando a cabeça em seu ombro e jogando a cabeça um pouco para trás, selando os lábios no do outro.
— Só por esse momento agora, tudo foi recompensado. Você, como alfa, pode não entender, Jungkookie, a tranquilidade que me traz estar aninhado assim em seu peito.
Foi impossível não perderem uns bons minutos com afagos e beijos até partir pela estrada em seu cavalo mais uma vez. Yoongi segurava-se forte ao seu amado, sentindo o vento da correria em sua face, e aquilo era o mais próximo que já havia sentido da liberdade e de qualquer coisa. Era um ômega sem permissão para desejos e sentimentos. Só precisava cumprir seu papel de casar-se com qualquer lorde que fizesse o melhor negócio com seu reino, mas agora havia descoberto um mundo de sentimentos e m*l conseguia dizer que sentia muito por aqueles que havia abandonado, porque fugir foi só mais uma das coisas que se permitiu escolher em sua vida e voltaria a escolher milhares de vezes, quer seja nessa vida ou em uma próxima, sempre Jungkook e apenas ele, que não era um outro alguém, e, sim, uma extensão de si próprio.
Não podiam viver sempre na estrada e Jungkook achava que já havia ganhado distância o suficiente para que ele e Yoongi pudessem montar acampamento em um lugar seguro e descansar por uns dias. Mesmo que não reclamasse, sabia que cavalgar por tanto tempo deixava o corpo do ômega dolorido.
Saíram da estrada e adentraram na floresta. Jungkook guiou o cavalo até uma clareira que conhecia ali perto — quase não havia um lugar do Sul que não conhecesse como a palma de suas mãos. Pararam e montaram acampamento. Uma fogueira foi acesa para mantê-los quentes durante a noite, mas o ômega tinha planos diferentes para cuidar do frio noturno.
Ele aproximou-se, se aninhando no peito de seu alfa; não conseguia se livrar deste costume e agora não havia mais porquê. Era ali que encontrava tranquilidade e até lhe acalmava o medo que deveria estar sentindo na situação atual — afinal de contas, eram fugitivos.
— Vamos fazer amor, Jungkookie. — mordeu sua orelha e soltou um rosnado fraquinho, repleto de manha.
Yoongi estava cada vez melhor em seduzi-lo, embora nem precisasse se esforçar muito. Deslizou os dedos pela linha da coluna de seu ômega e o encarou, sorrindo.
— Não está cansado? — perguntou e mesmo assim dedilhava o ombro do rapaz, puxando sua roupa para baixo a fim de expor sua pele clara.
— Não para isso. Eu senti tanto sua falta esses dias longe, não é justo que eu sinta sua falta estando perto. Essa será nossa primeira vez depois de decidirmos ficar juntos. — sorriu. — Você precisa me marcar de verdade, Jungkookie, como seu para sempre.
Yoongi soltou a fita de sua roupa e a deixou cair por seus ombros, se amontoando em seu colo, mas logo o pequeno rapaz levantou-se e caminhou pela clareira completamente despido. Jungkook o seguiu, tirando suas roupas, e o abraçou por trás. Afundou o nariz em seu pescoço e inspirou o cheiro doce de sua pele, fazendo o outro tremer em seus braços.
— Já nos unimos fisica e sentimentalmente como os homens que somos. Dessa vez, eu quero que nossos lobos se tornem um só.
Jungkook soltou um rugido alto, dando lugar ao seu eu mais selvagem, e o ômega esfregou-se contra ele, permitindo pela primeira vez que seu lobo lhe dominasse e o fizesse sucumbir aos instintos. Sentiu um ardor forte por todo o seu corpo e percebeu imediatamente que o cheiro forte e dominador que o alfa exalava o colocara no cio, mesmo que ainda não fosse a época.
Sentiu suas nádegas escorregarem e a lubrificação abundante escorrer entre suas coxas. Seu coração batia rápido e a cabeça parecia girar como em um estado febril. Sentiu as garras de Jungkook cravando sua pele, assim como seu p*u completamente duro penetrando as nádegas e roçando no meio delas. Nunca sentira um desejo tão incontrolável de ser penetrado como sentia agora, porque nunca pôde desfrutar de seus cios.
Virou seu rosto para encarar o do outro e viu seus olhos selvagens brilharem. Mordeu seu próprio lábio e, assim como queria, os teve dominados pelos de Jungkook, que lhe dava um beijo feroz e molhado, enchendo sua boca com sua língua.
Jungkook estava adorando aquilo, seu corpo inteiro estava agitado. Já havia amado aquele corpo de diversas formas, mas essa parecia ser a perfeita, onde homem e lobo se uniam sendo um só, com todos os seus sentimentos e sem mais culpa ou ressalvas sobre o amanhã. E como se não bastasse, impulsionou o cio de seu amado, deixando-o ainda mais sexy sob a claridade da lua.
O agarrou pela cintura, sentindo como ela ficava fina entre suas mãos grandes e ásperas. Monopolizou o corpo alheio para movê-lo à seu bel prazer. Era um alfa, ser dominador era natural, e o outro, como ômega, sentia-se no céu ao se submeter aos desejos de seu alfa durante o sexo. Posto de quatro sobre a grama pisoteada, Yoongi empinou-se, abaixando sua cabeça, e soltou um uivo lânguido.
— M-meu alfa... Logo.
Até gostava de ver seu ômega naquela impaciência, mas era apetitoso demais encarar seu belo corpo curvado para si em desespero e ainda ter sua b***a redonda encharcada pela excitação. Não podia desperdiçar qualquer carinho que guardava para o corpo delicado à sua mercê. Precisava prová-lo por inteiro, e foi pensando isso que deslizou os dedos entre as nádegas molhadas e os levou à boca, provando.
— Não se apresse, Yoonie. — abaixou-se, buscando a b***a com seu rosto e o enfiou entre a mesma, se perdendo entre seu cheiro e sabor.
Passou a língua por seu buraquinho, que piscava, e agarrou com uma mão o quadril, que se movia, pedindo por mais. Sua outra mão deslizou pelas coxas finas e estacionou em seu pênis, o estimulando. Yoongi gemia alto e seu corpo quase desabava sobre a grama, enfraquecido pelas ondas de prazer. Jungkook tirou a língua de sua entrada e a passou por seus testículos rígidos.
— E-eu quero dentro, alfa. — choramingou e recebeu uma palmada na b***a como advertência, que só serviu para excitá-lo ainda mais.
Apesar de estar mantendo o controle, Jungkook estava tão e******o que sua ereção chegava a ser dolorosa. Estava grossa e gotejando, mas não queria tocá-la; estava guardando toda a sua sensibilidade para dentro do cuzinho apertado e molhado de seu ômega. Sabia que valeria à pena o sacrifício para ter todo aquele choque de prazer ao fodê-lo de uma vez.
Agarrou os cabelos brancos do ômega de repente e o puxou para si. Este ajoelhou-se e seus corpos se encaixaram. As mãos do alfa novamente vagavam de forma curiosa pela silhueta do jovem lorde em seus braços. Gravou em seu tato a maciez da pele, a barriga magra e sem nenhum resquício de músculo, subiu pelo peito, sentindo uma elevação muito sutil e, então, chegou aos m*****s pequenos. Eles estavam tão durinhos e agora molhados pelos dedos que carregavam o pré-g**o do ômega. Os beliscou e sentiu uma pressão forte de seu p*u contra a b***a do outro ao ouvir seu gemido rouco.
Yoongi rebolou sobre a ereção de seu alfa e apertou as coxas ao senti-la penetrá-las. No fim das contas, o alfa não resistiu a tentação e buscou por prazer ali.
— Yoonie... — sussurrou em sua orelha, a mordendo em seguida, enquanto introduzia seus dedos no cuzinho molhado, tentando deixá-lo ainda mais relaxado, já que não só o penetraria como lhe daria o nó mais uma vez e, quando o desse, finalmente o morderia e marcaria como seu.
— S-sim?
— Não está com medo dessa vez? — chupou seu pescoço. — Essa marca será mais...
— Não. — o cortou. — Eu não tenho mais medo. Eu só desejo tanto isso...
A fala do menor foi a fagulha para tirar de Jungkook o resto de sua racionalidade. O alfa abocanhou seus lábios e segurou seu corpo com força, deixando sua entrada livre para o que viria. Em um movimento certeiro, tirou seu pênis do meio das coxas alheias e o meteu em seu ânus. Yoongi mordeu sua boca com força e empinou-se, rebolando no mesmo ritmo que o outro lhe ataca.
O cheiro forte daquele amor inundava a clareira e, para caçadores de elite, era perceptível até mesmo na área arborizada. E, embora o casal, presos naquela aura pesada de seu sexo, não percebesse nada a sua volta, havia pessoas ali que já tinham reconhecido as suas fragrâncias e se aproximavam a passos lentos para mostrar-lhes que os destinos não podiam ser mudados.
— Então traiu seu próprio irmão por um ômega, Jeon Jungkook? — Hoseok se fez ouvir, interrompendo a cópula do casal.
Um silêncio assustador pairou no ar e tanto Jungkook quanto Yoongi paralisaram de medo. Haviam sido descobertos. É o fim, era o que se passava na cabeça dos dois, e, antes que qualquer outro pensamentos os tomasse, os guardas de Hoseok atacaram, separando o casal apaixonado.
Jungkook fora segurado por vários homens. Conheciam sua força, principalmente quando se zangava, já Yoongi estava solto, despido no chão. Era só um ômega. Dentre alfas, não representava perigo algum.
Hoseok encarou o belo rosto de Yoongi e nenhuma compaixão lhe foi despertada, então, com um golpe certeiro, aplicou-lhe, sem nenhuma piedade, a pena capital, sem nem mesmo dizer qualquer palavra. Com a espada empunhada, atravessou o coração do jovem ômega, que aos poucos perdia o brilho das orbes violetas, assim como o rubor da pele. O líder dos Jeon sequer piscara ao ter, diante de si, aquele que o traiu de forma tão suja sangrando pelo ferimento que o havia feito e por seus lindos lábios, manchando a pele tão maculada pelo amor que seu irmão o dera.
Yoongi virou o rosto e encarou Jungkook, preso pela guarda pessoal de Hoseok. Seu amado alfa parecia despedaçar-se devagar, impotente ao presenciar sua morte, afinal, antes de qualquer um, o jovem sabia: aquele era seu fim, e se lamentou apenas por não ter tido mais tempo ao lado de Jungkook. Pela ira na face de seu executor, sabia que em breve seu alfa o seguiria para aquele caminho desconhecido que era a morte.
Jungkook sentiu seus braços serem largados após Hoseok retirar a sua espada, agora brilhante pelo sangue alheio, do coração de seu ômega.
Viu Yoongi cair ao chão e correu o mais rápido que podia para segurá-lo. Seu rosto estava repleto de lágrimas grossas, seus olhos tão bonitos estavam vagos. Sentia também os tremores do seu corpo. Já tinha visto muitas vezes cenas similares em campos de batalha para não saber o que estava acontecendo, mas não queria aceitar.
Beijou-lhe a boca em desespero. O pedia para ficar consigo, mas não teve resposta, apenas sentiu o gosto ferrenho do sangue, que ofuscava o sabor doce dos lábios alheios.
— E-eu estou aqui, a-amor. — alisou os cabelos brancos, os manchando de vermelho com o seu próprio sangue. — N-não feche os olhos, Yoongi. P-por favor, n-não me deixe...
Naquele momento, o alfa percebia que nunca tinha quebrado, mesmo quando teve que se despedir do menor há dias atrás, mesmo que, quando escondido, via o seu irmão tocar o que era seu, mesmo quando imaginou-se ter uma longa vida sem os seus abraços, sem cheiro, sem beijos, sem... ele. O sentimento daquela época não era um terço da dor que sentia agora. Era extremamente insuportável, como se estivessem tirando o seu coração lentamente e, como uma queimadura refeita várias vezes, o processo queimava. O ar fazia falta em seus pulmões, pois, como a vida se esvaia do corpo de seu Yoongi, o ar também parecia lhe deixar.
Sufocava naquela imensidão de dor. Esquecia-se de Hoseok, que, por instantes, não fazia nada, afinal, nunca tinha visto o irmão naquele estado; todo o seu corpo tremia, enquanto buscava o ar para respirar. Era doloroso demais ver o garotinho que corria atrás de si sofrer tanto daquela forma. Sentiu até uma ponta de arrependimento, no entanto, logo a esqueceu. Não podia deixar sua honra manchada daquela forma. A única coisa que podia fazer por seu irmão agora era lhe poupar a vida.
— Jungkook...
O chamou, mas este não escutava nada além da respiração tão, mas tão fraca de Yoongi. O alfa sabia que aqueles eram os últimos suspiros do ômega e trouxe mais o corpo dele para o seu peito, molhando o rosto bonito com novas lágrimas, porém suas.
Desespero, angústia, temor, luto; nenhuma dessas palavras tinha significados suficientes para expressar a imensidão de dor que seu lobo sentia, até porque, naquele momento, era apenas esse lado irracional, selvagem, que regia o corpo do alfa. E, tomado por essa "fera", fez o último ato para tomar aquele ômega como seu.
Alisou-lhe o pescoço e as pálpebras do ômega tremelicaram levemente, como se o menor indicasse que ainda estava ciente do toque do seu alfa. Fungou a região em busca do cheiro que tanto amava, que, apesar de muito fraco, ainda estava ali. Beijou a pele — agora diferente de minutos atrás, quando o fazia seu — fria, cravou os seus dentes nas veias que pulsavam tão lentamente, deixou o seu veneno fluir de forma abundante, fazendo o seu feromônio misturar-se profunda e definitivamente com o sangue do ômega. O marcou permanentemente como seu. Agora os seus lobos e alma eram um só. E, assim, conseguiu sentir o amor do menor por si como um abraço confortável lhe acalentando, mas logo a sensação de conforto se desfez ao sentir o último sopro de vida deixar o corpo do menor.
Rosnou alto para os céus, mas não era um grito de ameaça; estava mais para um som que expressava a sua dor, pois, por mais que sentisse o gosto do sangue alheio em sua boca e agora Yoongi fosse oficialmente seu ômega, não sentia mais a sua presença ou seu cheiro de azaléias.
Lembrou-se da lenda antiga que o Min lhe contara durante a viagem. Era sobre um jovem casal. Ela, uma lady assim como o seu ômega, e ele, um mero soldado que lhe escoltava. Assim como aconteceu consigo e Yoongi, se apaixonaram e fugiram... Porém, na época, na época em que escutou essa lenda dos lábios pequenos de seu amado, quando viu o temor em seu olhos pelo destino c***l que teve aquele casal, riu, afinal, nunca deixaria que eles tivessem aquele mesmo fim. Se julgou invencível por ser um lorde. Seu ego de alfa gritou e lhe dizia que podia salvar o seu ômega de qualquer perigo, porém, agora, ele estava morto em seus braços, seus lábios não tinham mais a cor das cerejas e seus olhos violeta não possuíam mais vida e, assim como a lady da lenda, escolheria seguir o caminho do amado, matando o seu corpo, o igualado à sua alma, que havia morrido junto ao amado quando este deu o último suspiro.
Porém, antes, olhou para o céus mais uma vez, trouxe o corpo pequeno para mais perto de si e implorou, implorou para qualquer deus ou entidade. Abdicando de sua alma, pediu para poder amá-lo mais um vez. Não importava o tempo ou as circunstâncias; pagaria qualquer preço para apenas mais uma vez lhe tocar a face quente, lhe beijar a boca receptiva, lhe tomar o corpo tão seu, lhe amar como nenhum outro, pois tinha certeza que a morte não seria suficiente para destruir um amor tão grande.
— Vamos para casa, Jungkook. — mais uma vez, Hoseok o chamou, porém desta vez lhe tocou o ombro, que repudiou o seu toque. — Decidi poupar a sua vida.
— Poupar a minha vida? — riu sem qualquer humor ao repetir a frase do mais velho. — Você não entende, não é, irmão? — olhou para cima e não viu mais o olhar de ira no outro alfa, viu arrependimento e misericórdia, mas agora, agora que Yoongi estava morto, arrependimento e misericórdia não importavam ou eram requisitados. — Quando o matou você já me tirou tudo, não há o que salvar, sou apenas uma casca. Poupar minha vida não vai mudar o fato de que você já me matou, Hoseok. — segurou as vestes de seda do irmão, o sujando de sangue. — Quer ser misericordioso comigo? Então me mate! Mate-me logo! — gritou ao ver a negativa estampada nos olhos alheios. Tocou a espada suja de Hoseok, que não estava em posição de ataque. — Pois eu escolhi seguir este ômega por qualquer caminho que ele for, e se é para a morte que ele irá me levar, eu estou pronto.
— N-não... — balançou em negativa. — Eu não vou te matar, Jungkook.
Deixou o corpo pequeno no chão e, ao se levantar, logo puxou a espada de Hoseok, a levando até o seu peito, exatamente no mesmo lugar em que o alfa golpeou Yoongi. Viu o desespero do irmão, porém não podia fazer nada em relação àquilo, não podia aliviar aquela dor, toda e qualquer empatia não existia mais em si. Era consumido por um desejo egoísta de se juntar àquele que possuía a sua alma.
— Me perdoe, irmão.
Se desculpou pela traição e pelo que estava prestes a fazer. Com uma de suas mãos, puxou o mais velho, que não esperava tal ação, para um abraço mortal, já que o fio afiado da espada lhe perfurava o peito. Sentiu as forças deixarem o seu corpo, o sangue lhe escapar cada vez mais pela ferida em seu peito. Soltou Hoseok e caiu ao lado do ômega. Ainda levou a mão até a do menor, entrelaçando-as, e sussurrou como uma promessa: "estou indo te encontrar, amor", antes de tomar sua última lufada de ar.