E assim os dias foram se passando, a paisagem foi ficando mais colorida e chamava a atenção do ômega, que, por mais que apreciasse as belezas das flores e o sabor das carnes frescas que o alfa caçava e das frutas colhidas do pé, ainda sentia falta do norte e, claro, temia o dia que não teria mais o seu Jungkook. O alfa até tentou retardar a chegada à Teldrassil, deixando a viagem mais lenta ao fazer mais paradas, mas não podia parar o tempo ou fazê-lo retroceder.
E quando chegou na cachoeira, que ficava há apenas alguns poucos dias do seu reino. Sentiu ondas de desespero tomarem o seu corpo, o fazendo parar a carruagem e tomar o ômega, que agora usava roupas extremamente leves, em seus braços.
— Que tal um banho, meu ômega? — falou com malícia, mesmo que o seu intuito não fosse de cunho totalmente s****l. Não queria deixar claro a necessidade sufocante de atrasar aquela viagem e ter o corpo do menor mais próximo do seu. — Vejo que o clima do sul lhe castiga. — baixou um lado do hanbok e beijou a pele suada, que, ao ter anos de costume com clima severo do norte, sofria com os ventos mais quentes do Sul. — Se refresque comigo, deixe-me lavar cada parte de seu belo corpo, meu lorde.
Yoongi o encarou e sorriu tímido, curtindo o toque em sua pele e suspirando a cada beijo que ganhava, porém algo na fala de Jungkook o incomodou e não conseguiu guardar aquilo para si, porque havia realidades ocultas em sua frustração.
— Isso é estranho. — comentou com um ar quase triste, preocupando o alfa.
— O quê? — Jungkook o encarou, cessando seus beijos e temendo que, por estarem cada vez mais perto de sua casa, Yoongi estivesse lhe afastando.
Mas a verdade era o oposto disso, pois o que o menor temia era a chegada, porque ela, sim, os afastaria de vez.
— Quando me chama de "meu lorde" agora, não é como antes. Depois de tudo... — ergueu seus dedos e os passou pelos fios pouco emaranhados de Jungkook. — Mas não falta muito para esse velho hábito se prolongar. Ah, Jungkookie, seremos apenas isso: cunhados com honoríficos formais, sem mais beijos, olhares... Sem mais marcas ou seu cheiro em mim. Já me habituei tanto a ele que é quase como se fosse o meu próprio, como se eu já tivesse nascido com ele e, mesmo que você tenha me mostrado aqui, em sua terra, o cheiro da grama molhada, ele m*l pode se comparar ao que você exala e como ele me deixa.
Jungkook encarou o ômega, sentindo um misto doloroso de alegria por suas palavras e tristeza pelo que elas realmente queria dizer no final. O fim deles estava muito próximo. O apertou mais em seus braços e beijou a ponta de seu nariz. Pensava que a proximidade do reino estava incomodando apenas a si, mas Yoongi vinha se remoendo com o mesmo e, por mais irresponsável que fosse, queria fingir que não sabia de nada daquilo e curtir com seu amado os últimos dias com uma venda de felicidade eterna.
— Não pense nisso agora, meu amor. — trocou o pronome de tratamento e sorriu. — Eu o amo tanto, Yoonie, que não quero pensar em despedidas, em te ter sempre tão perto, mas nos braços de outro. Mesmo que você diga que sente que meu cheiro é o seu cheiro, eu ainda posso sentir o leve odor das azaléias selvagens que vem de você e, por enquanto, somente eu posso, mas um dia... — Jungkook apertou os olhos e o apertou ainda mais forte, afundando o rosto do pequeno em seu peito. — Vamos para a cachoeira. Você nunca entrou em uma, certo? — desconversou, simplesmente porque era difícil demais para si verbalizar que um dia Yoongi teria um cheiro forte de pinheiro, assim como seu irmão.
O jovem Jeon amava seu irmão, mas agora, o traindo como fazia, sentia-se confuso. Sabia que Hoseok era um bom homem, sempre cuidara bem de si, mas, infelizmente, jamais poderia aceitar que este tomasse Yoongi de si, embora fosse o oposto que estivesse acontecendo.
A culpa de tomar Yoongi de Hoseok já não era tão latente, afinal, para o Jeon mais novo, Yoongi era seu e aquele destino que insistia em separá-los era apenas alguma birra de algum deus c***l e sádico, que, por pura inveja do seu amor, os separava. Porém não via saída para aquele futuro c***l, pois, por mais que o irmão lhe amasse, este, em hipótese alguma, aceitaria a paixão de seu irmão mais novo com o seu futuro esposo. O Jeon mais velho iria se sentir traído e, para honrar a sua dignidade, faria alguma loucura para punir os traidores.
A única saída que vinha a sua mente era uma fuga, no entanto, sabia que o ômega não aceitaria. Pois, apesar de todas as noites o mais novo lhe entregar alma, coração e corpo, o seu futuro ainda pertencia a Hoseok, ao dever para com suas terras, ao fardo de ser um lorde sem escolhas sobre o seu destino. Então não sabia como sanar aquela angústia que se intensificava a cada novo quilômetro, pois o tempo corria, e não era a seu favor.
— Nunca... — olhou em direção das águas, um pouco temeroso pelo desconhecido.
— Será uma sensação similar às termas, porém o choque térmico oposto. — beijou o semblante preocupado. — Vem comigo?
Estendeu a mão e demonstrou total confiança naquilo que dizia, além de, é claro, falar implicitamente, através de seu olhar, que não deixaria nada machucar o ômega. Yoongi assentiu e logo a mão do alfa o despiu, assim como fez consigo depois, caminhou até às águas correntes e fez Yoongi sentir a temperatura da água com as pontas dos seus dedos dos pés.
O mais novo sentiu o choque da água extremamente gelada tomar o seu corpo. Lembrou-se do frio da neve, mas, naquele clima, aquela temperatura da água era agradável e até ansiada.
O alfa entrou primeiro. A água batia um pouco acima de sua cintura, e depois trouxe o menor para dentro consigo, deixando um beijo casto em seus cabelos ao corpo, que estava quente, tremer ao sentir mais da temperatura gelada. Sabia que o menor ia se acostumar, mas ainda assim o abraçou para tentar esquentá-lo, afinal, qualquer coisa lhe era um motivo forte para tocar o menor. Quando os pequenos arrepios do ômega passaram, Jungkook começou a lhe banhar, assim como lhe prometera.
Tocou todo o corpo tão bem conhecido por si, e por mais que tocasse em áreas íntimas, seus toques eram suaves e sem qualquer malícia. No fim, juntou suas mãos em conchas e levou a água junta ali até a cabeça do ômega, molhando seus belos fios e vendo as gotículas de água escorrerem pelo rosto lindo do menor.
— Também posso te lavar?
Em um movimento rápido, Jungkook colou seu corpo no outro corpo pequeno e esperou por seu toque. Ele logo veio e, como sempre, fez o alfa tremer e seu lobo se agitar dentro de si. As mãos suaves de Yoongi tocaram primeiro seu peito e desceram por seu abdômen e, além da rigidez, deu para sentir as cicatrizes que marcavam o corpo alheio. Então passou suas mãos para as costas largas, sentindo todo o contorno das elevações dos ossos naquela região. Não contente em apenas usar seu tato, encostou a boca no pescoço do alfa e chupou a água doce em sua pele, sentindo agora sob seus dedos o caminho da coluna e, por fim, a lombar. Em um lapso de ousadia, o menor o puxou para si, colando os baixos-ventres apenas para aumentar o calor em seu corpo que vinha da excitação leve.
Jungkook alisou a bochecha do ômega, encantado com seus toques. Mesmo que fossem simples, o fazia notar que não era mais o Jungkook de um tempo atrás, aquele que se contentava com os prazeres da carne e agora encontrava satisfação apenas por ter aquele ômega, em especial, acariciando seu corpo com mais carinho do que qualquer rastro de lascívia.
— Yoonie, eu sou seu. — rosnou, com seu lado selvagem o dominando quase por completo.
E com essa fúria, vinda do desejo de reafirmar seu território, não naquele corpo, mas no coração e alma do ômega, o elevou para seus braços e o logo as pernas finas se apertaram em volta de sua cintura. Porque o que o alfa queria não era impor em palavras que Yoongi era seu, essa afirmação queria que viesse de sua boca, assim como havia feito. Acariciou as coxas e seus dedos chegaram a afundar na carne. O ômega o encarou e encostou os lábios nos seus. Gostava quando ele tomava a iniciativa, mostrando que não era só ele que estava tão viciado naquele amor, naquela pele clara e sensível, que arrepiava-se tão belamente com seus carinhos e no roçar suave de sua língua.
— Hmm... — Yoongi gemeu, pois tinha seu corpo apertado com mais força à medida que os pensamentos de Jungkook tomavam conta de si, pensamentos daquele amor proibido que o enchia de medo do futuro. — Jungkookie... — afastou a boca devagar, o encarando cheio de afeto para, finalmente, afirmar o que seu alfa tanto desejava: — Eu também sou seu... Não importa o quê, no fim, meu coração e corpo só encontram paz com você.
— Então, por favor, fuja comigo? — implorou, afinal o tom dolorido e cheio de sentimentos deixava óbvio que implorava por uma mudança de ideia do ômega.
— Você sabe que não posso. — disse, voltando a pisar no fundo do rio, se afastando um pouco do alfa ao virar-se de costas.
O ômega temia ceder àquela loucura se olhasse muito tempo os olhos quebrados do alfa, que sempre se mostrou tão confiante e forte. Já havia cedido a coisas demais e que não podia, as marcas em seu corpo eram uma grande prova da transgressão, no entanto, aquilo que o alfa lhe pedia era impossível.
Quando fora informado sobre o acordo de casamento, sabia que ele também firmou um tratado comercial entre o norte e o sul. De todas as regiões, o sul tinha vasta abundância em alimentos e era o maior exportador de alimento para a sua região, e por mais que sua região fosse tão rica em pedras e metais preciosos, a agricultura era escassa. Então aquele casamento garantiria a boa convivência com o reino sulista e acabar com aquela política de "boa vizinhança" poderia ser mortal para os moradores mais pobres do seu reino. Pois o ômega sabia que o lorde do Sul não iniciaria uma guerra, mas com toda certeza faria uma retaliação contra o seu povo por um erro seu. E por mais que amasse o Jeon, não saberia se ia aguentar o peso da morte de tantos inocentes em suas costas.
— Yoongi... — o abraçou por trás e suspirou pesado em derrota.
— Eu já lhe disse sobre o tratado por trás deste casamento, amor. — tentou ser firme e não deixar a sua voz quebrar. — Além da certeza que você sempre será o único que sempre terá o meu amor, eu só posso te dar esses momentos roubados, Jungkook. — virou mais uma vez pro maior. — Me perdoe e não me odeie.
— Eu não posso sentir ódio por algo que me fez apaixonar-me por você, meu ômega. — se referia à forma altruísta que o ômega sempre mostrou ser quando se tratava do bem estar do seu povo, mas, naquele momento, aquilo o matava aos poucos.
Pois ao estar nos braços do ômega sempre encontrava o paraíso, mas, se analisasse bem a realidade em que viviam, sabia que em verdade aquele amor o assassina. Assassina a sua capacidade de amar ou encontrar qualquer tipo de felicidades que não fosse ao lado daquele que todo o seu ser escolheu para amar.
E mesmo que naquele momento Jungkook, mais uma vez, tenha decidido deixar o assunto de lado para se enganar por aquela doce ilusão que vivia com seu amado Yoongi nos dias que precediam a chegada inevitável à Teldrassil, abraçando-o mais firme e beijando seus cabelos, uma angústia intensa se alastrava dentro de si. Pensar no futuro parecia insuportável. Provavelmente buscaria missões distantes de seu lar no intuito de não presenciar Yoongi em outros braços, ocupando um posto ao lado de seu irmão.
Nesse ritmo, os dias se seguiram. Os amantes se tornaram mais carinhosos, as conversas pareciam nunca ter fim, pois o tempo era curto demais para que partilhassem toda a i********e que jamais poderiam demonstrar naquele reino. O sentimento de carinho, assim como o desejo, crescia, e quando a última noite chegou, o alfa se absteve — por mais que quisesse, não voltou a fazer a proposta de fuga. Tudo que queria era ao menos tomar uma última vez seu ômega nos braços, dá-lo prazer junto com amor, ao mesmo tempo que o fazia entender a imensidão de seus sentimentos, porque, podia jurar, não havia nada que não fizesse por aquele rapaz. Um jovem lorde de uma terra tão distante, que tinha certeza que havia nascido para ser uma única alma com a sua, ligados pela eternidade, porém separados por interesses de líderes de seus clãs.
Jungkook parou a carruagem no fim da tarde. Já podia ver, de longe, partes do castelo onde vivia e onde deveria deixar Yoongi para que seu destino se cumprisse. Cabisbaixo, ajudou o delicado ômega a descer e montou acampamento para ambos.
— Jungkookie. — foi chamado, sendo despertado de sua melancolia evidente.
Haviam acabado de comer e a fogueira ainda queimava, porque às noites de Teldrassil eram frias, não como no Norte, mas ainda assim incômodas.
Com seus olhos tristes, Jungkook encarou aquele que o chamou e sentiu seu coração disparar. Era tão lindo, contornado pelo brilho das chamas, as fuligens que esvoaçavam com o vento e a claridade da lua, que enfatizava a brancura de sua pele. Esperou que Yoongi falasse o que desejava e se espantou quando este apenas levantou-se e foi para perto de si, sentou-se sobre sua coxa e segurou seu rosto.
— Aquele castelo... — apontou para o horizonte. Detrás de árvores espessas, podia ver as pequenas casas do vilarejo e uma mansão iluminada ao final. — É lá, não é?
— Sim. — respondeu a contragosto, porque, mesmo sabendo que isso não mudaria nada, queria negar a verdade, se distanciando da mesma. — Não passará de amanhã. — comentou, mas tinha algo a mais que o fazia definhar. — Hoje é nosso último dia, Yoonie, a última vez que poderá me amar.
E para sua surpresa, o ômega tinha outros planos em mente — não o de fugir, mas o de amá-lo eternamente, como já havia enfatizado antes e voltava a fazer uma última vez, para que seu alfa, durante o longo período que teriam afastados, jamais esquecesse que:
— Eu continuarei te amando amanhã, meu alfa, e amarei em todos os dias seguintes, mesmo que precise fingir que não, nunca esqueça disso. Enquanto cumpro meu papel, em meu coração, Jeon Jungkook continuará sendo o único homem para qual eu me entreguei completamente por minha vontade, e não por um dever para com meu reino.
— E-eu não vou aguentar. — aproveitou que Yoongi já estava em seu colo e o abraçou apertado. — Não vou aguentar olhar para você todos os dias e saber que você não é meu, estar em sua presença e não sentir seu cheiro, te amar como nenhum outro poderia e ser proibido de tocar o seu corpo. Eu não suportarei a realidade em que você não será aquele que me ama... Que o Destino c***l colocou o seu lindo sorriso em meu caminho, para depois tirá-lo de mim. Eu simplesmente não aguentarei olhar para os seus olhos e saber que não são meus, Yoongi. Seria como viver em um longo e frio inverno, como se a cada proibição uma parte de mim morresse.
Escondeu o seu rosto no vão do pescoço do ômega. O Jeon sentia-se quebrar mais ao sentir o calor que tanto amava. Não conseguia mais se esconder naquela armadura de força que vinha usando nos últimos dias da viagem, simplesmente não conseguia fingir que por dentro tudo não estava se ruindo. O alfa forte, destemido e aventureiro, sentia-se apenas uma criança assustada. A possibilidade de nunca mais sentir aquele cheiro de azaléias, de não sentir o corpo pequeno e a pele tão pálida e rara para alguém do sul, lhe tirava do eixo, até porque aquela possibilidade agora era um fato, era o amanhã.
— Shh... — Yoongi acariciava os cabelos longos do seu amado alfa, e por mais que lhe doesse o que iria dizer agora, ver o homem que amava tão abatido e machucado lhe era mais doloroso que aquelas palavras vagas. — No futuro, você terá outro ômega e uma família ao seu lado. Nossas noites serão apenas mais uma aventura como tantas outras que você me contou.
— N-não. — o alfa balança a cabeça de forma desesperada. — Você sabe que não, Yoongi. Você é e sempre será o único em meu coração, assim como você disse, aquele que possui o meu corpo e alma, aquele que sempre irei amar. Entenda que não quero outro ômega ou família, pois eles nunca conseguirão preencher o vazio que você irá deixar aqui. — apertou o coração, que batia de forma tão dolorosa que parecia ter recebido um soco na região. — Eu te amo, Yoongi, e mesmo que você não esteja ao meu lado, eu vou seguir te amando. Mesmo sabendo que você vai derrubar cada pedaço do meu mundo, da minha vida, com sua partida, eu ainda vou seguir te amando tão, mas tão intensamente, pois mesmo que eu tivesse a escolha de esquecer ou não viver esse amor para não sofrer como agora, eu não mudaria nada.
Não sabia o que falar para consolar o seu alfa e tirar aquele semblante triste de seu rosto bonito e angústia do seu coração. Não existiam palavras de amor ou desculpas suficiente para fazê-lo se sentir melhor, pois a única sentença que tiraria ambos daquela aflição não podia ser proferida por seus lábios. Então apenas começou a beijá-lo e se entregar a ele pela última vez.
Suavemente, beijou o maxilar marcado, beijou a pequena pinta que o mais velho tinha embaixo do seu lábio inferior, absorveu o cheiro que tanto amava e que, pelo tempo que a marca temporária fora feita, já se desvanecia de sua pele. Lambeu a boca pequena, logo sugando os lábios finos e roubando o primeiro suspiro alheio da noite.
— Me faça seu como nunca antes, meu alfa. — se despiu do hanbok e começou a tirar o do maior. — Me dê seu nó.
Os olhos violetas do Min miravam de forma profunda os seus olhos escuros como se pudessem enxergar dentro de si. Jungkook nem conseguia assimilar bem os sentimentos que se apossavam de seu corpo quando seu ômega soltava aquelas palavras de forma tão despreocupada, como se os efeitos delas sobre si não fossem tão intensos, mas eram. Porque ao permitir que Jungkook se atasse a si, enquanto faziam amor, significava muitas coisas. Quase quis chorar ao pensar mais uma vez na família que seu amado dissera que teria, porque era com ele que queria tê-la e porque era com aquela permissão que poderia. Talvez Yoongi fosse jovem ou inexperiente demais para entender a situação.
— Amor, você sabe o que está falando? — tocou seu rosto, o olhando tão profundo quanto o outro, atrás da confirmação.
— S-sim, eu sei e vou correr o risco. Eu quero que tudo seja com você, Jungkook. — falou de forma vaga, mas em sua mente viajava por todas as coisas que jamais teria com Jungkook.
A marca eterna e uma família. Sabia que corria o risco de engravidar, mas não estava no cio e as chances eram baixas demais. De qualquer forma, seu casamento aconteceria em breve, então o Jeon com quem ia se casar jamais saberia que o filho que carregava era de seu irmão.
— Eu quero você preso a mim, quero sentir seu prazer me inundar, eu já estou abrindo mão de coisas demais, Jungkook, abrir mão de você é quase como abrir mão da minha própria vida.
— E-eu sinto o mesmo, Yoonie. — e quase falou sobre fugir mais uma vez, porém se controlou em respeito a vontade do outro, a sua bondade de pensar na felicidade de pessoas que nem conhecia, mas que dependiam de si para terem uma vida melhor. — Você é o homem mais perfeito que eu já conheci e não estou falando da sua aparência, porque desde que eu conheci sua alma me vi perdido nesse amor. Eu vou te amar como nunca antes, como nenhum outro jamais te amará, seu corpo e seu coração irão sempre pertencer a mim, vou garantir isso, Yoongi, porque minha fonte de alegria a partir de amanhã será olhar nos seus lindos olhos e ver que ainda se lembra desses nossos dias, das palavras prometidas e do prazer que era estar com o outro.
— Faça isso. Marque-se em mim, meu amor, não como os outros lobos, em minha pele, marque-se em meu coração tão profundamente que ele jamais se abrirá de novo.
E com aquelas palavras fortes, prometidas sob o céu estrelado, seus olhos se fecharam e os lábios se buscaram em uma necessidade ardente. Jungkook tocou a pele macia e enganosamente imaculada de seu ômega. Nela, já não havia mais marcas de sua passagem, exceto a quase invisível marca da mordida. Yoongi tremeu sobre si, enquanto quicava em um ritmo lento, excitando seu parceiro e a si próprio. Ambos se tocavam com força, deixando clara a saudade antecipada da despedida.
Os sons que deixavam seus lábios eram apenas gemidos deleitosos entre os beijos estalados. Jungkook levantou-se com o rapaz em seus braços e o deitou na grama úmida do orvalho da noite. O jovem lorde tremeu e o encarou, sentindo-se mais uma vez deixar seu próprio corpo, embalado com o cheiro que há um tempo atrás não conhecia e agora era o seu favorito, o cheiro que lhe despertava sentimentos por todo o seu ser.
O fazia seu tão lentamente que os movimentos de sua pélvis não faziam jus ao desespero dos braços de ambos em tocar mais o outro ou da angústia em ambos corações. Porém o alfa tentou prolongar aquele momento, tentou absorver cada detalhe de seu, ainda apenas seu, ômega, homem, parceiro, companheiro e amor. Forçou a sua mente a focar na imagem de Yoongi tão e******o, em seu corpo tão pequeno e molhado de suor, seu cheiro mais forte pelo t***o, cada detalhe seu a cada nova investida sua em seu interior. Renegou o seu lobo, que queria tornar aquele ato mais carnal. Não se tratava disso. Aquele momento era amor do mais puro, e queria deixar claro isso em cada beijo molhado, em cada "te amo" que saía de forma tão constante quantos os gemidos, e, assim como estes morriam no ar, as juras de amor morriam na pele ardente do ômega.
Por mais que tentasse retardar, o momento chegou; gozaram juntos, sentindo o prazer carnal daquele amor tão proibido. Pela primeira vez, o alfa sentiu como era ir até o fim dentro do seu ômega, já este, sentiu o prazer do seu orgasmo, que já se desvanecia, ressurgir como um novo ao ter o pênis do seu alfa inchando-se em seu interior, grudando-se de forma prazerosa em sua paredes internas, multiplicando o seu prazer de forma indescritível que o levava às lágrimas, além de uni-lo de forma mais intensa em seu alfa, que não parava de beijar-lhe a face e suspirar o seu nome ao ter seu sêmen indo fundo em Yoongi.
Quando o nó foi se desfazendo e a intensidade do orgasmo foi se abrandando, o alfa sentiu o abraço frio da realidade, pois, por mais que ainda o tivesse ali, sabia que aquela era a última vez. Por isso não se retirou logo de seu interior e nem Yoongi queria isso — na verdade, queria sentir-se mais perto daquele Jeon o máximo que conseguia e que o pouco tempo o permitia.
Então se abraçou àquele corpo tão pequeno, mas que sempre pareceu abrigar o seu maior de forma tão perfeita, como se fosse o seu encaixe. E sem mais se conter, assim como o Min, que já chorava ao absorver o cheiro da grama, chorou, chorou pesado, terminou de mostrar a sua franqueza pra aquele ômega que parecia tão forte.
Não queria sentir outro toque senão o dele. Não queria começar outro incêndio que não fosse aquele que o Min provocava em si. Não queria conhecer outros beijos, pois só os dele lhe tocavam a alma. Não queria que outro nome escapasse por seus lábios, pois apenas por Yoongi que seu ser ansiava. Não queria, e nem podia, entregar seu coração para outro alguém, pois ele não era mais seu para dar. E, por fim, não queria deixar outro dia começar e nem mesmo a luz do sol entrar, pois isso era indício inevitável do fim.
Só que, embora fosse algo que os dois desejassem, nenhum deles podia manipular o tempo e o sol nasceu, aquecendo suas peles e avisando que o último beijo estava por vir. Naquela manhã de ar triste, ainda que o reino de Teldrassil irradiasse cores e o canto dos pássaros, Yoongi deixou que seu alfa lhe banhasse no rio uma última vez. E, enquanto vestia seu hanbok de tom claro, voltou a sentir o cheiro de azaléia selvagem emanando de seu corpo. Tocou o pescoço, sentindo a pele lisa, sem nenhum resquício de que haviam lhe ferido ali. O cheiro de Jungkook saíra completamente de seu corpo e o mais jovem lamentava por isso, porque Jungkook era seu conforto e sabia que lhe causaria angústia ficar longe de seu ninho.
— Porque você parece ainda mais bonito hoje? — recebeu o toque do alfa, que devia estar lhe ajudando a subir na carruagem na parte traseira, como devia ser, mas ele o puxara para colar-se ao seu corpo. — Logo chegaremos ao vilarejo. — mudou seu tom que antes forçava alegria. — Tem muita gente por lá, meu lorde. — enfatizou seus destinos a partir do momento que os cavalos iniciassem seu trabalho.
— Então me beije uma última vez, meu alfa. — Yoongi encostou o rosto no peito largo de seu amado e esfregou-se ali, se afogando no cheiro do qual sentiria tanta falta de ter envolvendo seu corpo.
Os braços do maior seguraram bem seu corpo, que se perdia no tipo físico dos alfas do Sul. Jungkook primeiro beijou o topo de sua cabeça, sentindo o cheiro forte de seus fios brancos e a maciez dos mesmos. Em seguida, com a ajuda de suas mãos e de forma delicada, ergueu para si o rosto bonito do ômega, analisou por alguns segundos sua beleza, ciente que não poderia admirá-lo assim quando este estivesse casado com seu irmão, e logo deslizou o nariz por sua pele. Agora sem seu cheiro, sentia o do outro mais intenso e caso se descuidasse deixaria seu lobo dominá-lo e tomar posse de Yoongi de modo irracional.
— Eu acho que não disse não disse "eu te amo" suficientes para o resto do tempo em que não poderei.
— Mas deixou claro em cada gesto. — informou, tocando sua mão.
Então, sem mais rodeios, encostou sua boca nos pequenos lábios rosados e fofos daquele que amava. Sentiu pela última vez o formigamento sob os seus, que só paravam quando os tinha tomados pelo outro. Jungkook apertou as mãos nas costas de seu pequeno, assim como este apertava seu peito e desfrutava daquele momento devagar. Ambos abriram as bocas e a língua do alfa foi a primeira a penetrar a boca, atrás do toque terno e sabor adocicado do ômega. Se pudesse, roubaria até mesmo o seu sabor para si. Era um homem egoísta e, agora que amava, havia se tornado ainda mais.
Sua mão grande e pesada correu pela nuca macia, lhe trazendo arrepios por seu toque áspero e a apertou, afundando mais sua língua na boca alheia. Jungkook mostrava dominância naquele beijo e Yoongi apenas o sentia encher sua mente e coração com aquele jeito devastador que o mais velho tinha. Era bem isso: o Jeon havia invadido seu mundo calmo e despedaçado todos os valores ao qual foi criado. Tudo pelo qual vivia, de repente, não importava mais, por aquele homem que o segurava com tanta dor nos braços. Havia abrido mão de sua pureza, que sempre lhe foi ensinada como seu bem mais precioso, abriu mão da obediência cega e com aquele alfa aprendeu o valor de suas próprias escolhas, e ainda que não pudesse escolhê-lo, escolheu viver, mesmo que por poucos dias, o amor.
Quando seus lábios se afastaram, diferente do que se imaginava, nenhum dos dois choravam. Eles tinham um sorriso doce que irradiava suas faces, porque, ao menos naquele breve segundo, eles não tinham nenhum arrependimento por todas as coisas que se arriscaram a viver juntos.
— Adeus, meu Jungkookie. — Yoongi sussurrou, entregando sua mão para o alfa ajudá-lo a subir na carruagem.
— Adeus, meu Yoonie.
Com Yoongi lacrado na segurança da carruagem, ambos partiram do breve sonho que proporcionaram ao outro rumo à realidade que, a cada quilômetro percorrido, esmagava seus corações.