Nós estávamos com Lorenzo e Salvatore agora. Lorenzo conversava com a calma de um rei, e Salvatore observava tudo como se enxergasse o que ninguém mais via. Um passo atrás, como quem não precisa estar no centro pra controlar o centro. Eu tentava não olhar demais. A conversa parecia civilizada, mas eu captava palavras soltas como veneno em vidro. "Carregamento." "Porto." "Fronteira." "Traição." Eu não sabia quem estava ouvindo. Eu não sabia se eu estava autorizada a ouvir. Então eu fazia o que eu vinha fazendo desde que entrei naquele inferno: ficava quieta e sobrevivia. Até que o outro irmão apareceu. Ele entrou no círculo como se o mundo fosse uma festa eterna, sorriso fácil, terno claro, cabelo arrumado com descuido calculado. Bonito de um jeito quase ofensivo. O tipo de homem q

