O morro era um lugar bem mais complicado do que eu imaginava. Nele tinha muitas pessoas perigoso e hoje eu tive o desprazer de conhecer dois homens perigosos, o Imperador e o Biruta, eles são os donos do morro do Vidigal, se dizem donos do local e eu… eu não tinha o que fazer diante daquela situação, não tinha como correr, apenas tentar entender o que estava acontecendo e como a tia Lívia morreu.
De inicio, percebi que Milene não tinha o que fazer por mim, ela estava presa ao tal Biruta e só me restou confiar no amigo dele, ele não parecia ser uma pessoa confiável, não parecia um homem bom, mas me ofereceu abrigo, ele disse que me colocaria em um barraco na favela e que não deixaria faltar as coisas.
Em silêncio eu seguir com um homem que parecia trabalhar para ele. O cara abriu a porta da casa para mim, em seguida meneou a cabeça.
— Ou mina, você ta ligada no que ta acontecendo? — perguntou.
— O que esta acontecendo? — sussurrei sem jeito.
— Você acaba de cair na toca do Imperador, só tem 1 opção nessa p***a, ou você faz a vontade dele ou morre — declarou me deixando assustada.
— O que? Por que eu vou morrer? O que ele quer de mim? — perguntou.
— Ele quer o obvio, favores sexuais, te colocar na chapa ou garota — desdenhou me fazendo estremecer.
— Como isso é possível? O que ele pensa sobre mim? Que sou uma p**a de esquina? De jeito nenhum, eu não vou ficar aqui de favor, não quero isso. Por favor, chame-o para mim — pedi.
— Não tem isso de chame-o para você, não tem como sobreviver a essa situação, o chefe se interessou, vai te bancar, mas quando quiser sexo, você vai ter que dar e cuidado, pois ele tem uma mulher e se ela descobrir, você vai ficar careca, então tenha muito cuidado, gracinha — ele declarou segurando meu rosto.
Aquele homem não me deu nenhum contra-argumento, ele não me deixou falar nada, ele apenas saiu fechando a porta, me deixando confusa e desesperada naquele lugar.
No primeiro momento, comecei a andar de um lado para o outro em completo desespero e quando vi que não tinha outra saída, eu abrir a porta daquela casa e sem saber o que fazer, corri pelo morro desnorteada, queria encontra Milene, mas pelo visto, ela era prisioneira e eu seria também, não iria aceitar isso, não sairia da casa dos meus irmãos para seguir sendo presa de bandido.
Caminhando pelo morro desesperada, acabei me perdendo nos becos e vielas que existiam naquele lugar, eu não sabia o que fazer, comecei a chorar ao entrar em uma rua e entrar em outra sem saída, como se eu tivesse presa em um labirinto sem fim e somente quando eu paralisei, respirei fundo para pensar em como seria a minha saída, eu conseguir encontrar a praça.
Porém, o meu desespero foi pior, pois eu o encontrei, o Imperador parado na minha frente, sem camisa, com as tatuagens expostas, me olhando com frieza.
— O que pensa que ta fazendo? — perguntou descendo da moto.
— Indo embora, eu não vou ficar aqui, prefiro a morte do que ser a sua p**a — falei me tremendo.
— Então, você saiu da bolha da enganação? — gargalhou com frieza.
— O que você quer dizer com bolha da enganação? — perguntei me tremendo.
— Você acha que vai sobreviver quantos dias nessa cidade? Eu realmente quero que pague pela casa e a comida que vou te dar, mas me recuso a receber dinheiro. A minha proposta é o seguinte, eu banco você da ponta do pé até o ultimo fio de cabelo, mas, você será minha garota e…
— Como tem coragem de falar uma merda dessa? Você não respeita sua mulher? Acha que sou uma amante? Que tenho condições de ser a sua p**a? Não sei o que pensa sobre mim, mas se enganou, eu não sou esse tipo de mulher e…
Ele me pegou pelo pescoço, jogou-me novamente dentro do beco e prendeu-me entre a parede e o corpo dele, me fazendo ofegar.
— Escute bem, não sei de que buraco você saiu, mas aqui é RJ, c*****o! Acha que vai sobreviver sem mim? Ta achando r**m? Eu to te dando casa, comida e roupa. Você vai viver bem, mas se eu fechar essa porta, você vai virar p**a de vários homens e eu suponho que essa não é a sua vontade — sussurrou próximo demais.
— Por que esta fazendo isso comigo? Não pode me obrigar e…
— Eu não estou te obrigando, sereia. Estou facilitando as coisas para você, mas se essa não for a sua vontade, posso te matar como tanto deseja — ele puxou o gatilho e meus olhos tremeram na hora.
— Por que ta fazendo isso comigo? Qual a necessidade de me machucar desse jeito? — perguntei tremendo.
— Garota burra, acha o que? Que vai sobreviver? Você vai virar p**a de luxo dos homens velhos e ricos, esse é o seu destino. Vai viver bem? — perguntou irônica.
Meus olhos tremeram na hora, obvio que não ficaria bem e diante de tudo o que já vivi nessa vida eu tive medo, não sabia como sobreviver, estava completamente sozinha e por mais difícil que fosse me submeter a essa situação, eu decidi que naquele momento era o melhor, mas não seria para sempre, seria apenas para sobreviver.
— Eu… eu aceito ficar, mas não quero ficar dependente de você…
— Não tem termos, não é um acordo, você vai ser uma p**a para sobreviver nessa cidade, esse é o seu destino, só precisa escolher se vai ser minha p**a ou de vários homens, o que quer? — perguntou frio.
— Eu… eu…
— Você já entendeu, Sereia. Não tem escolha — balbuciou e eu decidir me calar.
Ele segurou meu braço com força, me conduziu pelas vielas até a casa que ele tinha escolhido para ser a minha casa e sem resistir entrei nela novamente.
— Vão trazer umas roupas e comida para você, eu vou resolver um b.o e quando eu voltar, esteja pronta, pois eu não pretendo esperar para te comer e marcar o meu território — disse frio.
Aquelas palavras me arrepiaram, mas era o meu destino, eu estava diante dele e tinha sim escolha, a primeira, ficar nesse morro e fazer a vontade desse homem, a segunda, ir embora e me tornar a p**a de todos os homens, isso seria horrível e a ultima seria voltar e casar com aquele velho asqueroso.
Por mais que aquele homem fosse perigoso, era bonito, bandido que provavelmente, perderia a vida pela forma como vivi e eu ficaria em paz e segura. Tudo o que desejo é ficar segura e esquecer todos esses problemas que estão me atormentando.