CAP 21 - MATEO E ANASTÁCIA PARTE 2

2255 Words
Ursinha fica olhando firmemente para Mateo, esperando ele lhe contar algo. Mateo sente-se levemente intimidado. Isadora diz: - Quer parar de secar o menino assim, que ele não vai lhe dizer nada? Úrsula fulmina a amiga, sem Mateo perceber, afinal ele estava em outro mundo, praticamente. Mateo olha para a ursinha , levantando-se do colo. Ele pensa alguns segundos e pergunta: - Guarda um segredo? Ursinha: - Prometo. Mateo: - Eu beijei Anastácia. Ursinha coloca a mão na boca, dizendo: - A professora? Mateo faz carinha de contrariado, dizendo: - E tem outra? Ursinha solta uma gargalhada nervosa. Para um pouco e pergunta: - E ai? Como foi? Ela correspondeu? Mateo fala sorrindo: - Sim, correspondeu. Foi mágico. - ele fala deitando para trás com cara de apaixonado. Ursinha com a sutileza de um elefante, pergunta: - E agora? Isadora repreende a amiga: - Não pergunta uma coisa dessas assim. Deixa o menino sonhar… Ursinha mais uma vez repreendeu com o olhar, a amiga. Ela tinha uma opinião sobre mulheres mais velhas se envolverem ocm homens mais jovens, aliás a mulher é muito mais preconceituosa que os homens, quanto a isso. Mateo: - E agora o que? Ursinha: - Isso, fui eu quem te perguntei. E agora? Vai pedir ela em namoro? Vai desistir da faculdade? O que vai fazer? Mateo: - Na minha cabeça já estamos namorando… Ursinha: - E na cabeça dela? Isadora mais uma vez diz: - Eita, que hoje você está inspirada. Ursinha olha com o canto dos olhos para a amiga e continua sua explanação sobre o tema: - Precisa conversar com ela a respeito disso. Acertar as coisas. Se estão namorando, deve deixar claro. Mateo não era muito experiente nessas coisas… Ursinha prossegue: - Pode até conversar com Lúcio se acha que estou dizendo uma bobagem, mas nesse caso, você é o menino mais novo que pode não saber o que quer. A moça, mais velha, certamente correspondeu, sabe bem o que quer. Mas não deve saber o que você quer exatamente com ela. Mateo: - Como assim? Se a beijei quero algo com ela, não? Ursinha: - Sim, mas que algo? Isadora tenta interferir na amiga, mas essa estava radical, por razão dos seus preconceitos: - Diga para ele conversar com Lúcio. Ursinha continua olhando com o canto dos olhos para a amiga, fingindo não ouvi-la. Isadora consegue jogar no chão um livro. Ursinha pensa para ela ouvir: - Agora vai fazer criancisse? A amiga responde: - Eu? Você que não está gostando de alguém mais velha com Mateo e vai estragar tudo por preconceito. Ursinha visivelmente contrariada diz: - Entenda...você precisa especificar se quer apenas passar o tempo, se quer namoro sério, se foi só um momentos que não vai se repetir… Mateo, inocentemente e taxativo, diz: - E para que iria beijá-la por um momento? Sabe o quanto fiquei nervoso para isso? Foi meu primeiro beijo. Estou envergonhado de lhe contar, mas não minto. Ursinha sorri da inocência do rapaz. Ela pensa na mesma hora se a moça está sentindo o mesmo. Tinha medo que machucasse seu menino, mas sabia que não podia interferir. O coração de mãe dela fala mais alto e ela diz: - Tente conversar com Lúcio...o que sei da vida? Mateo: - Muita coisa. Na verdade, nesse assunto todo mundo parece ser meio inexperiente e bobo quando se apaixona. Ursinha estava boba com a sabedoria dele. Realmente era mais madura que sua idade biológica. Esperava que a moça fosse alguém madura também. Mateo diz: - Mas vou conversar com Lúcio, sim. Ele sempre tem bons conselhos...como papai tinha. Ursinha faz uma tentativa: - Quer que converse com a moça? Mateo fica agitado e diz: - Conversar para que? Ursinha faz calma com as mãos e responde: - Só ver o que sente… Mateo: - Não...ela pode não gostar que contei. Vamos com calma. Deixa que eu converse com ela. Ursinha coloca a mão no rosto, dizendo: - Olha só você… Mateo diz: - O que tem eu? Ursinha: - Todo adulto. Muito mais adulto que Júlio. Mateo sorri. Era um elogio, estranho, mas era. Decididamente, Ursinha estava preocupada. Ela conversa mais um pouco com o rapaz e vai para a cozinha. Isadora aparece e lhe dá um susto. Ela diz, furiosa: - Quer parar de ser preconceituosa. Ursinha: - Não sou. Sei que não dá certo. Isadora: - Qual o motivo dessa certeza? Ursinha: - Cabeças diferentes, querem coisas diferentes… Isadora: - Quem disse? Veja o quanto Mateo é maduro para a sua idade. Se bem conheço meu filho quer algo sério e duradouro. Ursinha: - Isso até entrar para a faculdade, começar a conhecer coisas novas, fazer festas com os amigos, olhar para mais moças… Isadora faz não com a cabeça e diz: - Meu Deus! Isso não muda sentimentos. Se ele ama a moça, pode viajar o mundo que vai continuar com ela no coração. Ursinha: - Aí que está...quem sabe se é amor mesmo? Ele é um menino. Talvez ela ame ele mais facilmente que ele. Isadora: - Ou ele ame ela e, se for preconceituosa e mente pequena como você, queira um homem mais velho… Ursinha: - É disso que estou falando...um dos dois vai sair com o coração quebrado. Isadora: - Sempre no amor, indiferente da idade, há o risco de alguém sair com o coração quebrado… Ursinha diz: - No caso deles é maior. Isadora cruza os braços, dizendo: - Quem disse isso?Pode me explicar o motivo? Ursinha: - A diferença existente. Isadora: - Pelo amor de Deus! Se formos olhar a diferença existe em um loiro namorar uma morena. Ursinha: - Cor do cabelo não muda pensamentos. Isadora: - Nem idade. Ursinha: - Vai dizer que uma criança pensa da mesma forma que um idoso? Isadora: - Está pegando dois extremos na vida. Aqui estamos falando de adultos, somente. Ursinha: - E lá, Mateo é adulto? Isadora se exalta: - Mas não foi você que justamente falou que ele é mais maduro que os rapazes da idade dele? Ursinha: - Isso não significa maduro o suficiente para amar uma velha. Isadora: - Velhice está na idade. Você, por exemplo, hoje, com esse assunto, está pior que uma nona. Ursinha acaba rindo da amiga. Elas divergiam, mas se adoravam. Sempre se apoiavam e aprendiam uma com a outra. Ursinha - O que você quer que eu faça? Isadora: - Reze, minha amiga, reze, e não fique argumentando e colocando caraminholas na cabeça da amiga. Ursinha: - Até parece que não vou dizer minha opinião. Isadora: - Ah, isso eu sei! Até quando não perguntamos, você diz. Ursinha: - Isso foi uma crítica? Isadora: - Sim, construtiva… Ursinha franze o nariz e cruza seus braços para a amiga. Lúcio estava em sua sala, escrevendo em sua escrivaninha. Mateo coloca a cabeça para dentro, batendo a porta. Lúcio diz: - Entre, meu irmão, nem precise bater. Mateo entra e fica em pé, na frente da mesa de Lúcio. Lúcio, mostrando a cadeira, diz: - Sente-se, meu irmão. O que precisa? Mateo senta-se, dizendo: - Conversar. Lúcio guarda tudo, coloca suas mãos suavemente a sua frente, unindo-as e diz - Pois estou prestando atenção. Mateo reluta por uns segundos, mas era um jovem muito corajoso e decidido. Ele diz: - Serei direto. Lúcio: - Não espero outra coisa dessa mente brilhante, além de objetividade. Mateo sorri, timidamente. Adorava saber que o irmão tinha orgulho dele. Lúcio sempre dizia algo nesse sentido. Ele então inicia suas colocações cautelosamente: - Eu vim lhe pedir conselhos a respeito do amor. Lúcio estava surpreso. Ele achava que Mateo era jovem e só tinha olhos para a matemática. Adorava estudar. Sempre fazia aulas a mais, inclusive. Ele diz:- Pois diga. Mateo: - Estou apaixonado pela Anastácia. Lúcio não esperava, mas agora tudo fazia sentido...não era para a matemática que Mateo tinha olhos...era para a professora de matemática...Ele continua atento ao irmão. Mateo fica surpreso por Lúcio não demonstrar reação. Ele diz: - Não vai falar nada? Lúcio: - Achei que não tinha terminado… Mateo: - Na verdade, não terminei. Eu a beijei e ela me correspondeu e eu estou na dúvida se devo pedí-la em namoro, ou se já estamos namorando. Lúcio decididamente estava perplexo. Não esperava isso do tímido Mateo. Ele tinha uma leve vontade de sorrir, por estar encantando com a maturidade do irmão e, ao mesmo tempo, com a sua inocência. Ele, então, responde com todo o cuidado, enquanto Mateo o observa com toda sua atenção: - Você deve conversar com ela. Veja bem, o amor é um tema muito subjetivo. Para não ocorrer desenganos e m*l entendidos, o melhor é sempre deixar tudo muito claro com relação ao que se quer da pessoa. Quanto menos abrimos espaço para interpretações pessoais, e quanto mais deixamos claros o que sentimos e entendemos o que a outra pessoa sente, melhor. Mateo docilmente pergunta: - Mas não é pouco romântico? Lúcio abre um sorriso e diz: - Meu irmão, seja romântico para demonstrar o amor, mas depois de ter deixado claro o que sente, ouvido claramente o que a outra pessoa sente e estabelecido se há ou não relação entre vocês. Depois disso, tenho certeza que dirá eu te amo constantemente, mas também poderá ter atitudes subjetivas que alimentem o romantismo. Quando um homem quer uma mulher, deve deixar claro, ainda mais se ela deu demonstrações claras que o quer também. Infelizmente, nossa sociedade assim determina. A mulher até pode dar o primeiro passo, mas se não for o homem a definir que estão namorando, ela vai acabar esperando por uma atitude dele. Mateo: - Bom, como fui eu quem tomou iniciativa… Lúcio olha para o irmão mais uma vez perplexo. Realmente o seu irmãozinho era gnte grande. Mateo continua: - Acredito que terei que continuar o que comecei. Agora deixo claro ser rídiculo isso do homem sempre definir se há ou não o namoro. Lúcio: - Concordo, mas percebo que isso está meio que intrínseco. Até já conheci mulheres que tomaram iniciativa, mas sempre foram vistas como pessoas que não sabia esperar. E os homens sempre acabavam fugindo delas. Mateo: - Mas se Amália tivesse tomado iniciativa? Lúcio - Teria achar maravilhoso. Seria bem o perfil dela, só que até mesmo uma mulher a frente de seu tempo, como Amália, cede a algumas convenções sociais, infelizmente. Mateo: - Infelizmente, mesmo. Ele fica brevemente em silêncio e novamente questiona seu irmão: - Será que será de bom tom ir até a casa dela? Lúcio: - Anastácia tem só a mãe. Creio que será ótimo você ir até lá, conhecê-la e pedir a mão da filha em namoro. Se é isso que quer. Em nossos tempos é assim que se faz. Mateo: - Achei que falando com ela estava tudo certo. Lúcio: - Você quer agir feito homem de nossos tempos, não? Mateo faz sim firmemente com a cabeça. Lúcio: - Pois bem, faça assim. Agora, se prepare. Pode ser que a senhora não goste da diferença de idade entre vocês. Isso, meu irmão, se quer mesmo ficar com a moça, saiba que será uma constante na vida de vocês. Quando o homem é mais velho, a sociedade não liga, agora quando é a mulher, tem sempre julgamentos e os piores são femininos. Mateo: - Eu sei disso, meu irmão e sinceramente não ligo. Sei o que quero e quem quero. Se tiver que enfrentar o mundo pela Anastácia, farei. Mais uma vez Lúcio estava orgulhoso do irmão. Era tão doce, mas tão decidido e firme ao mesmo tempo. Sabia ir atrás do que queria, mesmo sendo tímido. Não deixava o medo lhe impedir. Mateo levanta-se decidido e diz: - Vou até lá agora. Lúcio: - Faça isso, meu irmão, assim demonstrará estar seguro do que quer. Isso para Anastasia fará toda a diferença. Mateo abraça Lúcio com carinho. Lúcio corresponde. Ele sai. Ele se ajeita um pouco e vai ao encontro de sua amada. Anastácia percebe que estão batendo em sua porta. Ela vai atender sem sonhar em ser seu amor. Ao abrir, vê Mateo com flores. Ela se assusta, dizendo: - Mateo. O que faz aqui? Ele olha para dentro e diz: - Vim falar com sua mãe. Anastácia o deixa entrar, para sair da rua, e fala sussurrando: - O que quer com minha mãe? Mateo: - Pedir sua mão em namoro. Anastácia solta uma risada. Mateo fala sério: - Você está rindo de mim? Ela fica séria e diz: - Por Deus, não! Achei fofo seu jeito. Foi mais um sorriso bobo para você. Mateo: - Que bom. Se você me achar um t**o, não sei o que faço. Anastácia acaricia seu rosto. Ele lhe beija a mão, dizendo: - Quero fazer tudo certo. Quero que saiba que estou sendo sincero e tenho ótimas intenções com você. - ele lembra das flores e lhe entrega. Anastácia pega as flores, segura em sua mão e o puxa para o sofá, dizendo: - Eu sei que sim. Na verdade, você me surpreende positivamente, sempre. Deixa só colocar as flores na água. Ele olha por tudo. Ela vem com uma jarra de cristal de sua avó, colocando no centro da mesa. A casa era modesta e antiga, tudo era ajeitado e simples. Mateo via o jeitinho de Anastácia em tudo. A moça senta no sofá e pega na mão do rapaz, delicadamente. Ela pergunta: - Você tem certeza do que quer? Mateo: - Tenho. Você, não? Anastácia: - Tenho... difícil não ter com você.
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