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1685 Words
— Se precisar de alguma coisa, é só ligar. — A voz desse homem me dá vontade de vomitar. Se eu pudesse, faria isso bem ali, no carro conversível, só para ver qual seria a reação dele. Não seja como uma criança, Beatriz. Seja superior. Esse... i****a não pode estar o meu dia. Não basta estar gravida, sem ao menos ter encostado no b****a. — Preciso de uma coisa, mas não sei se você vai ser capaz de me dar. — Tentei esconder o sorriso que nascia dentro de mim. Provocar Giovanni estava se tornando uma diversão. Se ele pode me atazanar, eu também posso fazer o mesmo que ele. — Consigo coisas que você não faz ideia. — Cerrei os olhos, notando a conotação s****l na essência dessa frase. Um arrogante s****o. Ótimo, um combo completo. — Quero que fique o mais longe de mim, consegue? O i****a soltou um sorriso sarcástico, jogando a cabeça para trás. Aquele sorriso era lindo. Ele tinha cabeços loiros, olhos azuis, um corpo incrivelmente tratado na academia. Um homem vaidoso que me tirava a paciência. Respirando fundo, ele disse: — Tenha um bom dia, querida. — Esticou-se para abrir a porta para mim. Dei uma risada que o fez parar no meio do caminho, ao voltar para o seu lugar. — Não sou sua querida. A forma debochada como eu disse o fez soltar faíscas em seus olhos. — Nenhum pouco. — Estreitou os olhos. — Cuide-se. Meu filho depende disso. Como se eu fosse uma desastrada que corre perigo sempre que saia de casa. — Não me lembra dessa tragédia. — Bufei. Me auto julguei ao dizer essa frase. Meu bebê não era uma tragédia, apesar deu não ter o planejado. Obvio que estou furiosa com a situação. Como fui fazer um checape e isso aconteceu? Que falta de profissionalismo. Porém, essa criança não tem culpa e eu faria de tudo para protege-la. Ainda não consigo acreditar que sou tão azarada que fui inseminada por engano com o DNA de um cara como Giovanni Midder. Sim, ele era um loiro b****a, contudo, um cavalo selvagem sem educação. — Quer saber, pelo bem-estar dele, vou levar suas críticas na brincadeira. Mas não me faça perder a cabeça. — Eu estou perdendo a cabeça, mas… para não ser a chata, vou tentar… eu disse tentar — enfatizei. — Não o provocar tanto. — Tanto? – Aquele sorriso malicioso no canto da boca me hipnotizou. — Também não vamos exagerar. Você merece. Ficamos um tempo ali, encarando um ao outro, esperando que alguém chegasse para nos acordar daquele pensamento. Porém, a pessoa no meio do nosso caminho foi minha mãe. Assim que a avistei, entrei em pânico. — O que foi, aconteceu alguma coisa? — Meu coração ameaçou falhar; minha mãe era a pessoa mais teimosa e crítica que eu já conheci. Ela era uma mulher manipuladora, usava meu amor e coração mole para fazer todos os seus gostos. Quando descobrisse sobre o bebê e toda essa confusão, eu estava completamente ferrada. — Triz, você está sentindo alguma coisa? Giovanni praticamente me sacudiu. Encarei ele, com muita raiva, mas sua expressão preocupada quebrou esse sentimento. Obvio que ele está preocupado, já que meu filho também é o dele, e por isso tanta confusão. Deus, me ajude. Minha mãe vai me m***r. Mas eu não tenho culpa. Giovanni também não, nem mesmo essa criança que cresce dentro de mim. — Minha mãe. — Falei, fechando a porta do carro. — Não posso sair agora. O homem olhou para o lado de fora, tentando entender. Como pode se não cresceu com essa mulher, que apesar deu amá-la, sei que causará um caos na minha vida e me culpará, como se já não estou fazendo isso, por tudo o que está acontecendo. — Por quê? — Como “por quê?” — Bati de leve na sua mão, que segurava o meu braço. — Há três meses eu fui inseminada, fiquei grávida de um b****a ricaço, acha pouco? O vi revirar os olhos. Isso realmente já estava batido. Não adiantava falar mais nada a respeito disso. Contudo, a questão da minha mãe nunca sairia da minha cabeça. Uma hora a barriga vai crescer e eu terei que enfrenta-la. — É romântico como fala de mim. — Debochou. O sorriso no meu rosto foi irônico. Senti a vontade de chuta-lo novamente. — Meu Deus. — Comecei a me abanar, pensando em tudo o que aconteceria a partir dali. — Mamãe é uma mulher extremamente religiosa, ela quase me colocou no convento para ser uma freira. Ela vai me m***r! — Eu odiava chorar. Odiava mesmo, mas desde que o bebê surgiu na minha barriga, era a coisa que eu mais fazia. Se controle, Beatriz. Não seja uma garotinha de quinze anos, que engravidou na adolescência. A culpa nem foi sua. — A culpa é sua. Giovanni voltou ao seu posto, no banco do motorista. Ele pareceu ficar ofendido. E não era por m*l, já que o homem, também, não queria que isso tivesse acontecido. — Como a culpa é minha se eu nem transei com você? Ouvi essa frase me deixou com o rosto pegando fogo, justamente por ter pensado no s**o que teríamos. Bem, que nunca teríamos. Disso tenho completa certeza. — Deus me livre. — Não seja hipócrita, você até gostaria. — Gostaria de estar na minha cama. — Vamos deixar as provocações de lado. — Disse, tentando refletir. — Com a minha mãe aqui, não posso sair. Ela vai me questionar. Eu não sei mentir sem um bom plano, então me tira daqui. Tenho que pensar em alguma coisa antes de enfrentar a fera. — Uau, você é bem exagerada. — Revirou os olhos. — Acha que estou brincando? — Irritei-me. — Quando eu falar a ela que estou grávida, a última coisa que ela vai querer saber é da clínica de fertilização. Ela diz que isso é do d***o, e que só o s**o é permitido para a reprodução. Sim, ela é bem antiquada e maluca. Sei que todos devem ter suas religiões e tudo mais, só que ser fanática era outra coisa, e mesmo amando a minha mãe, sei que ela exagera muito. Nem deixa eu ter um relacionamento direito. Sempre expulsou os pretendentes como se fossem o próprio d***o. — Então está grávida do d***o. — Sinceramente, acho que sim. Algo novo aconteceu. Não brigamos. Na verdade, até rolou um sorriso. Isso é estranho. Um momento de calma. — Então, vai voltar para casa depois que o nosso filho nascer e você dizer que adotou. Giovanni me fez despertar para esse assunto. Seremos pais bem diferentes e separados. Acho que ainda não estou bem o suficiente para pensar no futuro. Apenas no presente, que já estava me cansando. — Meu Deus, eu não pensei nessa parte. O carro começou a sair do lugar, mas não percebi de cara. Estava tão presa aos pensamentos que me esqueci do tempo ou da realidade. — Isso pode ser facilmente resolvido. Até facilita as coisas. — A sua voz me tirou dos pensamentos. Olhei para ele sem entender o que isso significava. — Você vem morar comigo. Claro. Claro. Uma piada. Óbvio que é uma piada. A crise de risos voltou e não soube parar. Enquanto o carro era guiado pelas ruas da cidade, meus olhos lacrimejaram de tanto que ri da situação. — Você até que é engraçado. O observei, dirigindo, e ele tinha franzido o cenho, confuso e chateado. — Não sou, e isso não foi uma piada. – A voz séria até quebrou, lentamente, o clima risonho que me tomou. — Claro que sim. Seria um absurdo pensar nessa possibilidade. — Não! – Parei um minuto, o observei. Ele estava falando sério. Bem, muito sério. — Giovanni — Ainda levei na brincadeira. — Se ficarmos sob o mesmo teto, vamos acabar matando um ao outro. E eu nem estava brincando. A cada palavra que saia da boca dele, uma sensação de raiva me consumia. — Vou ficar perto do meu filho. Bem, era obvio que ele faria parte da vida do filho filha, contudo, não viveríamos juntos, 24h. isso seria um desastre. Ele, controlador e b****a, e eu, desejando o m***r. — Vai me irritar a todo o momento. – Apontei. — É uma ótima oportunidade de nós conhecermos. – Porque ainda estamos discutindo isso? – Posso ler na internet, não precisa me contar nada. – Disse levando isso a sério. - O que sai nos jornais não são quem sou de verdade. As pessoas têm opiniões sobre mim, que me prejudica socialmente. — Não está falando sério. — Triz… — Esperei mais alguma palavra que me faria cair na gargalhada. — O que vai dizer à sua mãe? — Ele me lembrou do problema. — Que fez uma coisa que ela vai odiar. — A culpa não foi minha. – Levei isso como uma acusação. — Também não foi minha. — Cruzei os braços, frustrada. — Tive câncer. Essa foi a única forma de ter um filho, pois passei por muitas quimioterapias que me deixaram infértil, então, não me culpe. Certo, devo admitir que a história triste da sua vida me quebrava um pouco. — Que tipo de câncer? Mesmo não gostando de Giovanni, ele é o pai do meu filho. Uma hora ou outra, vamos ter que conversar sobre muitas coisas. — Leucemia. — O tom de voz, como se algo estivesse errado e triste, me fizeram perder a rigidez. Sempre sou teimosa ou briguenta. Isso parece instantâneo perto dele, porém, tenho que lembrar dos fatos no qual o trouxeram até aqui. Nós dois estamos sendo obrigados a ficarmos juntos. Ele é do jeito que é, e eu sou desse jeito: briguenta. — Minha ex não queria ter um filho na época. Respeitei, então decidi procurar a clínica. Achei que tudo ficaria bem depois que venci o câncer, mas agora estou em um buraco. Separada. Traído e com meu único embrião em uma mulher que me odeia. Com essa eu fiquei triste. Estou sendo difícil de propósito.
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