A moto diminuiu a velocidade, o ronco do motor se transformando em um murmúrio antes de morrer por completo. O silêncio que caiu em seguida foi a coisa mais alta que eu já ouvi. Era um silêncio absoluto, preenchido apenas pelo zumbido dos meus próprios ouvidos e pelo som distante de grilos cantando na escuridão. A noite tinha caído como uma mortalha, sem piedade. O farol da moto era a única luz, um cone branco que cortava a escuridão e iluminava a fachada da nossa prisão. Era uma casa de pedra escura, de um andar só, mais parecida com um bunker do que com um lar. A porta era de madeira maciça e, acima dela, pendurado na parede como um aviso, estava a cabeça empalhada de um porco selvagem, com presas amareladas e olhos de vidro que pareciam me encarar com maldade. Uma náusea subiu pela

