Alessandro Volkov Não foi a primeira vez que observei Arthur se aproximar dela com aquela intensidade, com a mesma curiosidade que um cientista dedica a uma nova descoberta. Havia algo na maneira como ele se movia em direção a ela que sempre me chamava a atenção, um magnetismo sutil, quase invisível para a maioria, mas gritante para mim. Mas, naquela noite, foi diferente. Foi a primeira vez que ele conseguiu arrancar dela aquele tipo de riso – um riso solto, descontraído, que parecia brotar de um lugar profundo e alegre, um lugar que eu nunca havia visto antes nela. Aquele som preencheu o ar, mais do que qualquer música, e parecia ecoar nas paredes, tingindo o ambiente com uma nova cor. Eu conhecia o riso dela em suas nuances mais formais, educadas, talvez até um pouco contidas. Sabia o

