O sol da Sicília queimava como se o próprio céu chorasse fogo. Do alto do antigo palácio, agora parcialmente reconstruído, Amiran olhava o mar. Palermo parecia a mesma, mas algo havia mudado para sempre. O nome Valente voltara a existir — não por medo, mas por herança. Ele ainda sentia o cheiro do sangue do pai nas mãos, mesmo depois de dias lavando-as. Cada respiração era um lembrete de que o inferno não morre, apenas muda de rosto. Amira o observava à distância. Desde o enterro de Lorenzo, o filho se tornara um estranho dentro da própria casa. Falava pouco, dormia menos ainda. E, quando olhava para o horizonte, havia no olhar dele o mesmo vazio que um dia pertencera ao Don. — Você precisa comer. — disse ela, aproximando-se. — Preciso entender. — respondeu ele. — Entender o qu

