O amanhecer trouxe uma luz pálida sobre o que restava do palácio Valente. A fumaça ainda subia lenta, como se o fogo relutasse em morrer. Carros da polícia cercavam o perímetro, mas ninguém se aproximava. Havia uma superstição antiga em Palermo: quando o nome Valente queimava, até o ar carregava sangue. A poucos quilômetros dali, em uma casa abandonada perto da estrada, Amira limpava o ferimento do ombro do filho. A camisa dele estava encharcada, o rosto pálido, os olhos ainda distantes da noite anterior. O cheiro de pólvora não saía da pele. — Isso vai infeccionar. — disse ela, tentando conter o tremor nas mãos. Amiran não respondeu. Olhou pela janela quebrada, vendo o sol nascer entre os telhados destruídos. — Quantas vezes um nome pode morrer, mãe? — Até alguém decidir enterr

