A notícia chegou primeiro aos becos. Como todo segredo grande demais para caber numa casa, a verdade escapou pelas rachaduras: o Don Valente estava vivo — e sua mulher esperava um filho. Em Palermo, os murmúrios viraram medo, e o medo virou reunião. No salão subterrâneo do antigo cassino, os capos se encontraram. Luzes baixas, fumaça densa, whisky e ódio na mesma mesa. Gianni Russo, o mais velho entre eles, abriu a reunião: — Lorenzo desonrou o nome. Outro capo respondeu: — Um filho pode fortalecer o império. Gianni bateu o copo na mesa. — Ou destruir, se nascer da mulher errada. O silêncio caiu como sentença. Todos sabiam o que significava: Amira ainda era vista como prisioneira, não como Donna. E um herdeiro mestiço entre a máfia e o amor era uma ameaça ao equilíbrio de poder

