O amanhecer em Palermo não trouxe paz, apenas fumaça. Os becos cheiravam a pólvora e vingança; os corpos dos que ousaram trair Lorenzo ainda estavam sendo recolhidos quando o Don voltou ao palácio. A mansão Valente — um monumento de mármore e segredos — estava em silêncio. Os criados abaixavam os olhos ao vê-lo passar. Ele caminhava como quem carrega um reino nos ombros e uma culpa no coração. Amira o observava da escada. O terno escuro dele contrastava com a camisa manchada de sangue. Sabia que aquele vermelho não era apenas de inimigos — era o reflexo da própria alma. — Quantos morreram? — perguntou. Lorenzo parou no meio do corredor. — O suficiente pra restaurar o medo. — E a justiça? — Justiça é luxo de quem ainda acredita em inocência. Amira desceu os degraus, os olhos fir

