O relógio da mansão marcava três da manhã quando Lorenzo deixou o quarto de Amira. O corredor estava mergulhado em penumbra, as paredes carregadas de ecos que só ele podia ouvir. Cada passo parecia um peso, cada respiração, uma confissão. A dor dela ainda pulsava nos ouvidos dele. O médico dissera que o bebê estava fora de perigo — por enquanto. Mas o “por enquanto” era o tipo de sentença que Lorenzo odiava. Na máfia, tudo era definitivo; na vida, nunca. Dante o esperava no saguão, o semblante cansado. — Ela está viva? — perguntou. — Está. — respondeu Lorenzo, acendendo um cigarro. — Mas o sangue dela tá no chão do meu quarto. Dante abaixou o olhar. — E o seu? Lorenzo soltou a fumaça devagar. — Já secou faz tempo. O guarda hesitou. — Há rumores de que Angelo Ferreti não estava

