A madrugada caiu sobre Palermo com o peso de uma sentença. O vento atravessava os portões da mansão Valente como se carregasse gritos antigos, e dentro das paredes de mármore, a traição começava a respirar. Lorenzo desceu os degraus devagar, os passos ecoando no corredor. Trazia a arma na mão, o olhar cortante. A cada sombra, a desconfiança crescia. Dante havia sumido, Rosetta evitava os olhos dele, e Matteo já não falava o mesmo idioma da lealdade. O palácio, que antes era símbolo de poder, agora cheirava a medo. E o medo, ele sabia, era o prelúdio do sangue. No salão principal, Rosetta servia vinho aos capos que restaram. As mãos tremiam, mas o sorriso permanecia. Matteo entrou logo atrás dela, disfarçando o cansaço. — O Don vem? — perguntou um dos homens. — Virá. — respondeu

