O sol da Toscana nascia preguiçoso, dourando as colinas como se o mundo não tivesse pecado. Mas dentro da velha casa Valente, o pecado respirava em cada parede. Lorenzo estava na cozinha, preparando café. O cheiro amargo se espalhava, misturado ao som distante dos sinos de uma vila próxima. Ele não dormira — e mesmo quando o corpo pedia descanso, a mente recusava paz. Amira apareceu à porta, o rosto pálido, os cabelos soltos. — Tá tentando aprender a ser normal? — perguntou, cruzando os braços. Lorenzo deu um meio sorriso. — Normal é pra quem pode se dar ao luxo de esquecer o que fez. Ela se aproximou, tocando a borda da xícara. — E o que você fez dessa vez? — Deixei o inferno em silêncio. — murmurou. — Mas o silêncio sempre cobra caro. Amira sentou-se, passando a mão sobre o ven

