Estava com uma sensação meio desagradável... parecia que havia alguém comigo naquela noite. Mas não tinha ninguém ali.
Três horas se passaram e eu simplesmente não conseguia dormir de novo. Me virava para um lado, depois para o outro, mas nada de encontrar uma posição confortável. Foi quando, misteriosamente, uma musiquinha começou a ecoar nos meus ouvidos — calma, suave... mas estranhamente assustadora. Parecia uma canção de ninar.
Meu corpo ficou pesado. Eu não conseguia me mover. Então, suavemente, caiu uma pétala de lírio sobre mim. Após isso… apaguei.
Quando acordei de manhã, minha cabeça doía muito. O quarto inteiro tinha um cheiro forte de flores. Lembrei do sonho e pensei:
"Será que foi mesmo um sonho? Parecia tão real..."
Fui me levantar... e lá estava ela: a pétala. Fiquei encarando por alguns segundos, até decidir pegá-la. Ao analisar, percebi que havia algo escrito em latim:
> "Ire quo omnes coeperunt et plura reperire de principio."
Mas eu, sinceramente, não fazia ideia do que aquilo significava.
Fui atrás de quem talvez soubesse. Tomei banho, me arrumei e desci à procura de Aleck e Seraphina. Quando os encontrei, puxei os dois pelos braços direto para a biblioteca. Lá, fiz os dois se sentarem no chão antes mesmo de explicar.
Seraphina franziu o rosto, sem entender nada, e perguntou:
— Tá maluca, é? Quase me matou de susto!
Caí na risada.
— Calma, meu amor! Não é pra tanto. Mas ontem aconteceu uma coisa bizarra… e apareceu essa pétala!
Mostrei a pétala para eles. Aleck a pegou e leu em voz alta:
— "Vá onde todos começaram e descubra mais sobre o início"... Hmm... uma charada! Sorte sua que sou incrível com charadas!
Seraphina deu um leve t**a na cabeça dele.
— Para de mentir! Eu que resolvia tuas charadas nas gincanas da Facufeitiços. Se toca, Aleck!
Ele fez carinha de coitado:
— Também não precisava explanar, né...
Comecei a rir muito da cena.
Então Aleck se levantou e disse, casual:
— Andem logo. Se não, vão se atrasar.
Eu e Seraphina nos entreolhamos e perguntamos, em coro:
— Que? Atrasar pra quê?
— Mais tarde haverá um baile de máscaras na floresta. Fomos convidados. Achei inapropriado recusar o convite. Então... vão se arrumar! Não queremos ser os últimos a chegar de novo, né?
Seraphina arregalou os olhos.
— Uaaau! Faz tempo que não vou a um baile... Mas... quem nos convidou?
Aleck coçou a cabeça.
— Então... o rei dos elfos.
Seraphina suspirou, rindo sem graça:
— Ah... que terrível...
— Rapaz... sinceramente me impressiona. Achei que fôssemos os únicos habitantes por aqui. Nem passava pela minha cabeça que existiam outras pessoas! Mas... por que eu tenho a sensação de que tem bomba vindo nesse seu “terrível”, hein? — comentei.
Aleck saiu sem responder.
Logo em seguida, Seraphina me puxou para seu quarto e explicou:
— O rei dos elfos é pai do Piter... aquele maluco que me queria como futura “rainha”. Me queria como pretendente!
— Uiuiui...
— É sério, Lyra! Ele é maluco MESMO. Eu jamais teria algo com ele. Nem se fosse o último homem do mundo!
Olhei para ela com cara de "me engana que eu gosto" e comecei a rir. Ela jogou uma toalha em mim:
— É sério! Para de rir!
Escutamos Zazi reclamando enquanto se aproximava.
— Já acharam os vestidos? Vão atrasar todo mundo...
— Ainda não — respondeu Seraphina. — Aliás, já avisou o Marcelo’s?
— Nem precisei — disse Zazi. — Aleck saiu gritando que nem um maluco por aí.
Caímos na risada. Mas ela cortou nossa onda:
— Ai ai... pelo visto, vou ter que ajudar vocês, né?
Zazi abriu o closet de Seraphina e começou a procurar “algo que prestasse”. Segundo ela, só tinha “lixaria”. Até que, de repente, parou tudo e exclamou:
— É ESSE!!! SERAPHINA, VÁ SE BANHAR AGORA!!
Seraphina foi correndo pro banho. Zazi me puxou para o meu quarto, entrou no closet e, logo depois de procurar um pouco, achou meu vestido:
— Lyra, nem preciso dizer nada. Vai pro banho!
Fui. E depois de duas horas, finalmente estava pronta.
O vestido era realmente lindo. Preto, aberto nas costas, com uma f***a na perna esquerda e um decote pequeno na frente. Usei uma sandália simples. Mas eu me sentia... uma deusa. Sério.
Quando desci, todos estavam muito elegantes, mas meus olhos pararam direto no Aleck... ele estava perfeito.
Quando me viram, pararam por alguns segundos.
— Lyra... meu Deus... você está... está...
Antes que terminassem, Seraphina desceu as escadas dizendo:
— Uma gostosa! Ela está maravilhosa, assim como eu!
Olhei pra ela de cima a baixo — estava deslumbrante.
— Eita... você tá incrível! Maravilhosa, sério!
— Vamos? — disse Seraphin, animado.
— Claro! — respondemos todos em coro.
Quando ele abriu a porta… do outro lado já era o baile. Fiquei surpreendida, mas encantada!
Tudo era incrível: um buffet gigante com comidas e bebidas, MUITA gente... Com a correria, percebi que tinha esquecido a máscara.
Marcelo’s se aproximou:
— Vou salvar sua vida como você salvou a minha. E lembre-se: não aceite bebidas de estranhos, ok?
Ele fez uma linda máscara dourada aparecer na mão e me entregou.
Logo depois, perdi Seraphina de vista. Quando a encontrei, um homenzinho cantava ela. Pensei: “Piter”. Me aproximei e falei:
— Ah, então é aqui que você está, meu anjo?
Piter se virou e perguntou:
— Hum... te conheço de onde?
Olhei para ele com calma:
— Com todo respeito, estava falando com ela, não com você. E não, você não me conhece. E se nos der licença, temos mais o que fazer.
Ele se irritou.
— Menina m*l educada! Você sabe quem eu sou?
Suspirei.
— Não, e nem tenho interesse em saber. E sinceramente, nem sei por que estou perdendo meu tempo aqui.
Seraphina me puxou pelo braço, rindo:
— Que isso, Ly! Não conhecia esse seu lado... uiui!
Saímos rindo juntas.
Alguns minutos depois, começou a tocar uma música de valsa. Aleck se aproximou e me convidou para dançar. Aceitei.
Enquanto dançávamos, ele se aproximou do meu ouvido e disse:
— Tenho algo importante para te contar...